10 jogos narrativos que provam como o videogame também tem espaço para grandes histórias
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10 jogos narrativos que provam como o videogame também tem espaço para grandes histórias

Durante muito tempo, videogames foram associados principalmente a desafio e habilidade. A história existia, mas ocupava raramente o centro da experiência. Essa percepção começou a mudar com mais força a partir do início dos anos 2010, quando ferramentas de desenvolvimento mais acessíveis e a distribuição digital permitiram que pequenos estúdios passassem a produzir jogos com maior liberdade criativa com jogos focados na narrativa.

A popularização dos jogos independentes abriu espaço para narrativas mais intimistas e experimentais, em que explorar ambientes, conversar com personagens ou reconstruir memórias se tornou tão importante quanto qualquer mecânica tradicional.

A lista a seguir reúne 10 jogos que ajudam a entender como essas histórias ganharam força no videogame contemporâneo.

BioShock

Lançado em 2007, BioShock se apresenta inicialmente como um jogo de tiro em primeira pessoa ambientado na cidade submersa de Rapture. O jogador explora corredores decadentes, enfrenta inimigos e descobre aos poucos o que aconteceu naquele lugar que um dia foi pensado como uma utopia tecnológica e econômica.

Embora seja um FPS clássico em sua mecânica, o que torna BioShock tão especial é sua narrativa e a construção minuciosa de seu universo. Áudios espalhados pelos cenários, diálogos e detalhes ambientais revelam uma história sobre ambição, ideologia e decadência. Poucos jogos conseguiram construir um mundo ficcional tão denso e coerente, transformando cada sala explorada em uma peça de um quebra cabeça narrativo.

Cloudpunk

Em Cloudpunk, o jogador assume o papel de Rania, uma motorista de entregas que trabalha para uma empresa clandestina em uma metrópole cyberpunk chamada Nivalis. Durante uma única noite de trabalho, ela percorre os céus da cidade em seu veículo voador, realizando entregas e encontrando personagens peculiares.

A narrativa se desenvolve através dessas pequenas histórias. Cada parada revela fragmentos da vida em uma cidade dominada por corporações, tecnologia e desigualdade. O jogo não pressiona o jogador com urgência constante, permitindo que a experiência seja quase contemplativa. A sensação de atravessar uma cidade iluminada por néons enquanto vozes contam suas histórias é o que sustenta sua força narrativa.

Disco Elysium

Disco Elysium coloca o jogador no papel de um detetive que acorda em um quarto de hotel sem memória, no meio de uma investigação de assassinato. A cidade de Revachol, onde a história acontece, é um espaço politicamente complexo, cheio de conflitos históricos, ideológicos e sociais.

O jogo se destaca por transformar diálogos e decisões em sua principal mecânica. Em vez de combates, a progressão acontece através de conversas, reflexões internas e escolhas morais. A mente do protagonista se torna quase um elenco de personagens, com diferentes aspectos de sua personalidade debatendo entre si. O resultado é uma narrativa profunda sobre identidade, política e fragilidade humana.

Heavy Rain

Heavy Rain é um thriller interativo que acompanha quatro personagens envolvidos na busca por um assassino conhecido como Origami Killer. A trama gira em torno de um pai desesperado tentando salvar seu filho enquanto a investigação se intensifica.

O jogo se constrói a partir de escolhas do jogador e de sequências interativas que determinam o destino dos personagens. Cada decisão pode alterar os acontecimentos, criando diferentes caminhos narrativos. O interesse da história está justamente na sensação de tensão e na ideia de que qualquer erro pode ter consequências irreversíveis.

Life Is Strange

Life Is Strange acompanha Max Caulfield, uma estudante de fotografia que descobre possuir a habilidade de voltar no tempo. A história se passa na pequena cidade fictícia de Arcadia Bay e acompanha as consequências desse poder enquanto Max tenta impedir uma tragédia iminente.

O jogo utiliza a mecânica de manipulação do tempo para explorar escolhas e arrependimentos. Pequenas decisões podem alterar relações entre personagens ou revelar segredos escondidos. Mais do que um mistério sobrenatural, a narrativa se concentra nas emoções, na amizade e na sensação de crescer em meio a incertezas.

Outer Wilds

Outer Wilds coloca o jogador em um pequeno sistema solar preso em um ciclo temporal de vinte e dois minutos. Sempre que o sol explode, o tempo reinicia e a exploração começa novamente. O objetivo é investigar planetas e ruínas antigas para entender o que aconteceu com uma civilização desaparecida.

A narrativa não é apresentada linearmente. Ela surge a partir da curiosidade do jogador, que conecta pistas encontradas em diferentes planetas. Gradualmente, um quadro maior se forma. O jogo transforma a exploração em investigação filosófica, abordando temas como conhecimento, descoberta e a própria finitude do universo.

The Artful Escape

The Artful Escape acompanha Francis Vendetti, um jovem músico que tenta lidar com o peso de ser sobrinho de uma lenda do folk. Durante a noite de sua primeira grande apresentação, ele embarca em uma jornada surreal que atravessa planetas, palcos e paisagens psicodélicas.

O jogo mistura música, ficção científica e fantasia para contar uma história sobre identidade artística. Em vez de desafios complexos, a experiência se concentra na estética, na trilha sonora e nos diálogos com personagens excêntricos. É um jogo sobre encontrar a própria voz, mesmo quando o mundo espera que você siga outro caminho.

The Stanley Parable

The Stanley Parable começa com uma premissa simples. Stanley trabalha em um escritório e um dia percebe que todos os seus colegas desapareceram. A partir daí, o jogador passa a explorar o prédio enquanto um narrador descreve cada ação que Stanley deveria realizar.

A graça da narrativa está justamente na possibilidade de desobedecer o narrador. Cada escolha leva a caminhos diferentes e muitas vezes absurdos. O jogo se transforma em uma reflexão irônica sobre liberdade, controle e sobre a própria estrutura dos videogames. É uma experiência curta, mas cheia de comentários inteligentes sobre narrativa interativa.

To the Moon

To the Moon conta a história de dois médicos que trabalham para uma empresa capaz de alterar memórias. Eles são enviados para realizar o último desejo de um homem idoso que quer ir à Lua, mesmo sem saber exatamente por quê.

A história se desenrola enquanto os médicos revisitam lembranças da vida do paciente, reconstruindo seu passado em ordem inversa. A cada memória explorada, novas peças da história aparecem. O jogo utiliza uma estética simples, próxima dos antigos RPGs, mas sua força está na escrita sensível e na forma como trata temas como amor, memória e arrependimento.

What Remains of Edith Finch

Em What Remains of Edith Finch, o jogador retorna à casa de uma família marcada por uma série de mortes estranhas ao longo de gerações. Edith, a última descendente viva, decide explorar o local para entender a história de seus parentes.

Cada quarto da casa revela um episódio diferente, contado por meio de mecânicas próprias. Um momento pode parecer um conto infantil, outro assume a forma de uma sequência quase onírica. O jogo transforma a casa em um arquivo de memórias e utiliza pequenas histórias para refletir sobre destino, perda e como lembramos das pessoas que já se foram.

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Resultado de uma experiência alquímica que envolvia gibis, discos e um projetor valvulado. Editor-chefe, crítico, roteirista, nortista e traficante cultural.