Projeto Zeta, Liga da Justiça, Super Choque e X Men Evolution Warner and Marvel_ Foto Divulgação

Injeção de nostalgia: 4 desenhos de heróis dos anos 2000 que marcaram a infância no SBT

Para quem cresceu nos anos 2000, as manhãs no SBT tinham um ritmo próprio. O Bom Dia e Companhia não era apenas um programa infantil, mas um verdadeiro ponto de encontro entre diversão, imaginação e rotina escolar. Enquanto o relógio avançava e a hora de sair se aproximava, os desenhos animados de heróis ocupavam um espaço especial, criando vínculos emocionais que ultrapassaram o tempo. Dessa forma, essas animações acabaram se tornando parte da memória afetiva de toda uma geração.

Além disso, muitos desses desenhos exibidos na programação traziam temas surpreendentemente maduros para a época. Entretanto, tudo vinha embalado em histórias acessíveis, personagens carismáticos e tramas que prendiam a atenção logo cedo. Assim, o SBT ajudou a popularizar algumas das animações mais marcantes dos anos 2000 na televisão aberta brasileira.

Super Choque

Super Choque se consolidou como um dos desenhos de super-heróis mais importantes desse período exibidos no SBT. A série ia além da ação tradicional ao abordar temas sociais como racismo, desigualdade e violência urbana. Entretanto, fazia isso sem perder o tom leve e educativo. Dessa maneira, Virgil Hawkins se tornou um herói jovem, próximo da realidade e cheio de dilemas comuns à adolescência, o que fortaleceu ainda mais a conexão com o público.

X-Men: Evolution

Uma coisa comum entre os desenhos de heróis exibidos nas manhãs da SBT era a DC Comics, e isso não era coincidência. Isso porque a emissora tinha um contrato com a Warner Bros., que incluia filmes e animações da empresa em sua grade de programação. Mas muita gente pode se perguntar: como X-Men: Evolution, da Marvel, está no meio da programação? Isso se dá porque a animação dos mutantes foi distribuída pela Warner, num período de vacas magras, onde o MCU ou a bilionária Marvel Studios sequer haviam sido planejados em existir.

Agora, voltando para X-Men: Evolution, a animação se destacou por reinventar os mutantes em um ambiente escolar, muito inspirado pela reformulação que os quadrinhos haviam passado quando Grant Morrison assumiu o título.

Por outro lado, uma curiosidade interessante é que essa foi uma das primeiras animações a retratar personagens como Vampira e Noturno em versões mais jovens. Além disso, o desenho usava os poderes como metáfora para aceitação, preconceito e identidade, tornando-se um dos títulos mais lembrados da programação infantil da época.

Entretanto, a Kids WB (bloco de programação infantil da Warner) foi bastante rígida ao estabelecer que não queria envolver romances na animação, algo que gerou atrito com a equipe criativa. A emissora temia que X-Men Evolution acabasse assumindo um clima excessivamente adolescente. A ideia era manter o foco em um público mais jovem, especificamente crianças entre 6 e 10 anos.

Porém, os produtores entendiam que a evolução dos personagens e a dinâmica entre eles sempre foram elementos centrais do universo dos X-Men. Diante disso, encontraram uma solução intermediária, e os vínculos emocionais passaram a ser mostrados de maneira clara nas atitudes e interações, mas sem qualquer menção direta a termos como namoro ou relacionamento. Assim, conseguiram preservar a essência da equipe sem desviar das exigências do canal.

Projeto Zeta

Projeto Zeta é um dos desenhos animados dos anos 2000 mais diferentes exibidos no Bom Dia e Companhia. A história acompanhava um android em fuga tentando entender o que significa ser humano. Uma curiosidade pouco conhecida é que o personagem Zeta surgiu originalmente na série “Batman do Futuro”, o que conecta o desenho diretamente ao universo da DC.

Embora tenha nascido como um derivado direto de Batman, a animação rapidamente construiu uma personalidade própria, com linguagem visual, ritmo e clima bem distintos. Robert Goodman, criador da série, buscou sua principal referência no filme O Fugitivo de 1993, protagonizado por Harrison Ford. Essa influência aparece de forma evidente, já que Zeta passa praticamente toda a narrativa escapando da NSA, sempre um passo à frente de seus perseguidores.

Curiosamente, a proposta inicial da animação era bem mais densa. A ideia dos roteiristas era mostrar Zeta travando um conflito constante contra sua programação original, criada para matar, o que daria à série um tom mais sombrio e psicológico. No entanto, a Warner optou por vetar esse caminho, direcionando o projeto para algo mais leve e acessível ao público infantil. Mesmo assim, a animação ganhou um toque mais sério e reflexivo, abordando temas como consciência, identidade e livre arbítrio.

Liga da Justiça

Liga da Justiça representou um dos momentos mais épicos entre os desenhos de super-heróis da DC exibidos no SBT. Reunindo heróis como Superman, Batman, Mulher Maravilha e Flash, a série apresentava histórias mais densas e bem estruturadas. Além disso, o desenho evitava tratar os heróis como perfeitos, explorando falhas, conflitos internos e consequências reais de suas decisões, algo incomum em animações da época.

O desenho contou oficialmente com duas temporadas, somando 52 episódios, exibidos originalmente nos Estados Unidos entre 17 de novembro de 2001 e 29 de maio de 2004. Entretanto, o grande sucesso da série levou o Cartoon Network a encomendar novos episódios ainda em 2004. Dessa forma, foram produzidos mais 26 episódios, organizados em duas temporadas sob o título Liga da Justiça: Sem Limite, ampliando o universo da animação.

Enfim, esses desenhos de super-heróis exibidos no SBT ajudaram a transformar o programa infantil em um verdadeiro marco da televisão brasileira. Mais do que simples entretenimento infantil, essas animações marcaram profundamente a infância dos anos 2000 e continuam vivas na memória de quem acompanhou essas manhãs cheias de ação, reflexão e nostalgia.

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Acredito que séries, filmes e rock são mais do que entretenimento, eles dizem muito sobre quem somos. Redatora, crítica e teorizadora, escrevo para provocar reflexão, compartilhar paixões e explorar o impacto da cultura pop na vida real.