Nesta Sexta-Feira 13, data marcada pelo clima de mistério e superstição, selecionamos cinco quadrinhos perfeitos para entrar no clima do terror e do suspense. A lista reúne histórias densas, que vão do horror psicológico às tramas sobrenaturais, passando por reflexões sobre a natureza humana e o medo do desconhecido.
Entre eles, estão obras clássicas e modernas, assinadas por grandes nomes como Grant Morrison, Mike Mignola, Alan Moore e Scott Snyder, com artes impactantes e assustadoras de Dave McKean, Jacen Burrows, Jock e outros, garantindo que cada leitura seja tão perturbadora quanto fascinante.
Batman: Asilo Arkham – Uma Séria Casa em um Sério Mundo

Apesar de ser uma história de um herói famoso, Batman: Asilo Arkham – Uma Séria Casa em um Sério Mundo é denso, numa combinação assustadora de texto, arte e capas, carregada de mensagens pesadas e sugestivas. Escrita por Grant Morrison e ilustrada por Dave McKean, a obra traz o Asilo Arkham como personagem central, explorando tanto sua construção no passado, com o psicólogo Amadeus Arkham, quanto o presente, em que o local é palco de um motim liderado pelo Coringa.
Batman precisa atravessar o sanatório sozinho, confrontando vilões clássicos como Chapeleiro Louco, Crocodilo, Espantalho e Cara-de-Barro, enquanto lida com o terror psicológico e a fragilidade de sua própria mente. A narrativa se desenrola entre passado e presente, mostrando a criação do Asilo, a complexidade de seus pacientes e a linha tênue entre sanidade e loucura, reforçada pela arte perturbadora de McKean.
Arkham representa, fisicamente, a vulnerabilidade humana e a complexidade psicológica, mesmo em figuras míticas como Batman, expondo o lado humano do herói, assim como os dilemas internos de seus antagonistas. Morrison cria uma narrativa em que terror, horror e análise mental se entrelaçam, questionando até que ponto o ambiente influencia a psique dos personagens.
Asilo Arkham não é uma história leve ou apenas divertida de super-herói; é, sem dúvida, uma das experiências mais densas e impactantes de toda a galeria do Batman, mostrando que quadrinhos podem ser veículos profundos de reflexão e horror psicológico.
Hellboy: A Mão Direita da Perdição

O quarto volume de Hellboy, A Mão Direita da Perdição, escrito e ilustrado por Mike Mignola, organiza uma série de contos que exploram tanto a juventude quanto a maturidade do Garoto do Inferno. O encadernado divide-se em três partes: “Os Anos Dourados”, com histórias curtas e divertidas da infância de Hellboy, como “Panquecas” e “A Natureza da Fera”; “Os Anos de Maturidade”, que traz contos mais complexos, como “Cabeças” e “O Vârcolac”; e, por fim, a seção homônima, reunindo “A Mão Direita da Perdição” e “A Caixa do Mal”, histórias cruciais para a mitologia do personagem.
Neste arco, Hellboy é confrontado com seu passado e sua própria natureza como arauto do apocalipse, enquanto lida com figuras como o padre Adrian Frost e relembra encontros com Rasputin e Hecate, construindo um panorama completo de sua trajetória. A arte característica de Mignola, com seu estilo gótico, contribui para a atmosfera sombria e épica do volume, tornando cada conto visualmente impactante.
Esse compilado de histórias reflete a dualidade de Hellboy: seu lado demoníaco e o esforço constante para permanecer humano e moralmente íntegro. Mignola consegue equilibrar humor, ação e reflexão, aprofundando a psicologia do personagem sem apelar para explicações excessivas.
Apesar de A Mão Direita da Perdição não ser a melhor introdução ao universo do personagem – para isso, o ponto de partida ideal continua sendo “Sementes da Destruição” – este volume é, sem dúvida, o melhor Hellboy por conseguir condensar mitologia, ação e densidade emocional em uma leitura fácil e muito gostosa na divisão de contos curtos.
Meu Amigo Dahmer

Em Meu Amigo Dahmer, o cartunista Derf Backderf revisita a própria adolescência para reconstruir os anos de escola de Jeffrey Dahmer antes de ele se tornar um dos serial killers mais conhecidos dos Estados Unidos. A HQ acompanha o jovem isolado, socialmente deslocado e mergulhado em fantasias perturbadoras, vivendo em um lar desestruturado e cercado por adultos ausentes.
A narrativa, construída a partir das memórias do autor e de extensa pesquisa documental, revela pequenos sinais – comportamentos estranhos, fascínio pela morte, dificuldade de interação – que, vistos em retrospecto, antecipam os crimes brutais que viriam depois. Mesmo sem depender do conhecimento prévio do leitor, a obra ganha peso justamente por sabermos onde aquela trajetória desembocará.
Mais do que recontar a origem de um criminoso, o quadrinho reflete sobre negligência, responsabilidade coletiva e os limites entre pena e empatia. Backderf evita qualquer glamourização. Dahmer surge como uma figura trágica, mas jamais inocentada. A pergunta que ecoa ao longo das páginas – “onde estavam os adultos?” – transforma a obra em um comentário social sobre omissão e falhas institucionais. Visualmente, o traço em preto e branco reforça a atmosfera sufocante, com enquadramentos que destacam expressões corporais e criam desconforto constante.
Providence

Escrita por Alan Moore e desenhada por Jacen Burrows, Providence é a grande incursão do autor britânico pelo universo de H.P. Lovecraft, em uma das histórias de terror mais densas de sua carreira – algo que se soma a outras obras suas marcantes no gênero, como “A Saga do Monstro do Pântano”, “Do Inferno” e “Neonomicon”.
Ambientada nos Estados Unidos de 1919, a HQ acompanha Robert Black, um jornalista gay e judeu que, ao investigar um misterioso livro ocultista, inicia uma viagem pela Nova Inglaterra em busca de sociedades secretas e conhecimentos proibidos. Cada cidade visitada revela personagens e situações que ecoam os contos lovecraftianos, ainda que Black, por sua perspectiva limitada, seja incapaz de compreender plenamente o horror que o cerca. Moore constrói a narrativa em camadas, enquanto Burrows reforça a atmosfera de inquietação com páginas meticulosamente detalhadas, em que o terror se revela tanto nas ações quanto nos arredores.
Providence não é apenas uma homenagem a Lovecraft, mas também uma releitura crítica de sua obra. Ao colocar no centro um protagonista gay e judeu – identidades marginalizadas em oposição às visões racistas e xenófobas de Lovecraft – Moore cria um diálogo entre o horror cósmico e as opressões humanas. É uma HQ sobre os segredos individuais e coletivos que sustentam uma sociedade aparentemente normal, explorando simultaneamente o terror do desconhecido e o horror da violência humana.
Wytches

Em Wytches, o roteirista Scott Snyder, conhecido principalmente por sua fase à frente do Batman na DC Comics, se afasta do universo dos super-heróis para mergulhar em um terror íntimo e perturbador. Ao lado do artista Jock e do colorista Matt Hollingsworth, Snyder apresenta a história de Sailor Rooks e sua família, que se mudam para uma pequena cidade tentando deixar para trás um episódio traumático. O que encontram, porém, é uma presença antiga nas florestas locais, as Brvxas, criaturas primitivas que selam pactos sombrios com humanos. A trama alterna passado e presente para revelar como esses acordos funcionam e como o medo e a culpa tornam Sail um alvo vulnerável.
Snyder entrega aqui uma obra mais pessoal e atmosférica, centrada em traumas familiares e inseguranças juvenis. Com o traço expressivo e inquietante de Jock, potencializado pelas cores orgânicas, escuras e texturizadas de Hollingsworth, o quadrinho constrói um terror que nasce tanto do sobrenatural quanto das fragilidades humanas. Wytches reflete sobre culpa, paranoia e laços familiares sob pressão, propondo uma releitura das bruxas como forças quase naturais – menos caricatas, mais instintivas – e mostrando que o verdadeiro horror pode surgir das escolhas feitas em momentos de desespero.
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