Review | Ender Magnolia: Bloom in the Mist é uma joia preciosa do Metroidvania moderno

Visual marcante, trilha envolvente e jogabilidade precisa

Nos últimos anos, os fãs de metroidvania têm sido agraciados com experiências que mesclam emoção, exploração e narrativa profunda. Esta review de Ender Magnolia vai mostrar que este título não é apenas uma continuação digna de Ender Lilies, mas também uma evolução impressionante no gênero. Lançado em 22 de janeiro de 2025, o jogo segue os passos de sua obra predecessora, mas avança em todos os aspectos, trazendo uma jornada emocional, acessível e artisticamente memorável.

Neste especial completo, vamos mergulhar em todos os elementos que fazem de Ender Magnolia: Bloom in the Mist um dos jogos mais marcantes do ano. Portanto, prepare-se para uma análise rica em detalhes, que explora desde o combate até os visuais e trilha sonora, além das inovações mecânicas e narrativas que consolidam a obra como um dos marcos de 2025.

Um mundo melancólico: história e narrativa em Ender Magnolia

Desde os primeiros minutos, Ender Magnolia: Bloom in the Mist estabelece um tom melancólico e contemplativo. O jogo se passa em um mundo dilacerado por uma catástrofe espiritual e tecnológica, onde almas humanas foram aprisionadas em corpos artificiais — os homúnculos — para servirem a uma causa que há muito perdeu seu sentido. A protagonista, Lilac, é o fio condutor dessa história triste e tocante, oferecendo ao jogador não apenas combates e exploração, mas também uma jornada emocional profunda.

Nesta Review de Ender Magnolia não poderia deixar de destacar como a narrativa é entregue de maneira orgânica e sutil. Em vez de se apoiar em longas cutscenes ou diálogos expositivos, o jogo constrói seu enredo por meio de fragmentos: descrições de itens, conversas curtas com NPCs, memórias de almas libertas e até mesmo detalhes do cenário. Desse modo, a história convida o jogador a montar o quebra-cabeça narrativo por conta própria — uma abordagem que valoriza a imersão e recompensa a atenção aos detalhes.

Além disso, a conexão emocional com os Homúnculos vai além de sua utilidade em combate. Cada um deles carrega consigo uma história trágica, muitas vezes relacionada aos eventos que levaram à ruína do mundo. Ao libertar essas almas, Lilac descobre memórias dolorosas e segredos sombrios, que aprofundam não apenas o universo do jogo, mas também a sua própria jornada. Portanto, a narrativa não trata apenas de salvar o mundo, mas também de restaurar a dignidade perdida daqueles que foram reduzidos a ferramentas de guerra.

Combate que combina precisão e dinamismo

Invocações dinâmicas e combate estratégico

O sistema de combate em Ender Magnolia: Bloom in the Mist se destaca por sua precisão e versatilidade. A protagonista não empunha armas diretamente. Em vez disso, os Homúnculos são chamados para o campo de batalha a qualquer momento, permitindo que Lilac se mantenha segura enquanto comanda os ataques.

Cada aliado espiritual possui um estilo de luta único. Nola, por exemplo, atua como espadachim principal e pode alternar entre lâminas longas e foices devastadoras. Já Lito é capaz de aplicar efeitos de congelamento ou atordoamento em grupos de inimigos. Esse conjunto de habilidades transforma cada confronto em uma experiência tática, onde a composição da equipe faz toda a diferença.

Além disso, a fluidez dos controles garante que o jogador sempre sinta domínio da situação. A janela de invulnerabilidade durante a esquiva oferece margem para decisões rápidas, e os ataques podem ser combinados de maneira a criar sequências devastadoras. Essa dinâmica torna o combate não apenas eficaz, mas profundamente satisfatório.

Diversidade de inimigos e ritmo de combate

Ao explorar o mundo do jogo, é comum cruzar com uma grande variedade de inimigos. Criaturas corpo a corpo, voadoras, unidades à distância e até máquinas pesadas surgem com frequência. Alguns adversários são mutantes cobertos por bandagens, enquanto outros apresentam aparência mecânica e colossais proporções.

Esse leque diverso exige adaptações constantes na abordagem. Portanto, não basta memorizar padrões; é preciso experimentar diferentes invocações e estratégias. Felizmente, o ritmo de combate contribui para isso. As batalhas são rápidas, e o tempo de resposta entre os comandos e as ações em tela é quase imediato, o que facilita a adaptação e favorece uma experiência envolvente.

Explorando um mundo belamente arruinado

Mecânicas de travessia e progressão

A movimentação de Lilac é fluida e responsiva. Logo no início da jornada, o jogador recebe a habilidade de pulo duplo e corrida aérea, o que proporciona liberdade para navegar por plataformas com precisão. À medida que Homúnculos adicionais são resgatados, novas formas de locomoção se tornam disponíveis — desde impulsos verticais até ataques que quebram barreiras específicas.

Dessa forma, áreas antes inacessíveis passam a ser exploráveis, encorajando o retorno a zonas visitadas anteriormente. Embora o jogo não dependa de quebra-cabeças tradicionais, os caminhos escondidos e rotas alternativas exigem atenção e recompensam o esforço com segredos valiosos.

Sistema de viagem rápida e design inteligente de mapa

Nesta review de Ender Magnolia destaco a estrutura do mapa em Ender Magnolia como um outro ponto alto. Os ambientes se conectam de maneira orgânica, com áreas interligadas por atalhos e zonas de descanso estrategicamente posicionadas. A viagem rápida é habilitada a partir de qualquer ponto seguro, o que reduz o tempo gasto em retrocessos desnecessários e facilita a exploração constante.

Além disso, o próprio mapa visual indica quais cômodos já foram completamente vasculhados. As salas mudam de cor conforme o progresso, permitindo ao jogador identificar o que ainda falta descobrir. Essa funcionalidade, somada à ausência de respawn forçado (os inimigos só retornam após descanso), garante uma experiência confortável e centrada na exploração.

Relíquias e personalização: estratégia a favor do estilo de jogo

Uma das mecânicas mais envolventes presentes nesta Review de Ender Magnolia é o sistema de Relíquias, que oferece ao jogador liberdade para moldar a própria experiência de combate e exploração. Essas Relíquias funcionam como modificadores passivos que, ao serem equipadas, conferem vantagens específicas – desde aumento na regeneração de vida até aprimoramento da cura e da resistência a danos.

Cada Relíquia possui um valor numérico que representa o espaço necessário para ativá-la. Assim, o jogador precisa gerenciar bem seu inventário de slots, decidindo quais bônus valem mais a pena em determinadas áreas ou contra certos inimigos.

Além das Relíquias, a personalização se estende aos próprios Homúnculos, companheiros que atuam como as armas vivas de Lilac. O jogador pode alternar entre eles, escolher quais usar em combate, quais priorizar na progressão e até quais habilidades deseja reforçar. A versatilidade é grande: há Homúnculos focados em ataques à distância, outros em controle de multidão, e alguns que se destacam em causar dano em área.

Portanto, essa liberdade de escolha contribui para uma experiência altamente personalizada. Cada jogador pode moldar Lilac de acordo com seu estilo de jogo, seja priorizando agilidade e evasão, seja apostando em força bruta ou em estratégias defensivas. E isso não fica apenas na superfície — o jogo incentiva revisitar construções anteriores à medida que novos desafios aparecem.

No entanto, o que torna esse sistema realmente especial é a forma como ele se integra naturalmente à narrativa. As Relíquias e os poderes dos Homúnculos não são apenas mecânicas soltas: eles têm origem, história e papel no mundo. Isso cria uma sensação de profundidade que vai além da simples otimização de status. Em outras palavras, Ender Magnolia faz com que cada escolha de personalização também conte uma parte da história.

Combates contra chefes: desafio, ritmo e criatividade

Os confrontos com chefes em Ender Magnolia: Bloom in the Mist representam o coração da experiência de combate. Cada encontro impõe um novo ritmo à exploração, testando a capacidade do jogador de se adaptar a padrões, mecânicas e variações estratégicas.

Diferente de muitos títulos do gênero que apostam em picos abruptos de dificuldade, aqui os chefes são introduzidos de forma gradual. Assim, o jogador tem tempo para aprender as habilidades dos Homúnculos e combinar ataques com mais eficiência. Portanto, quando o primeiro grande desafio surge, ele é tão impactante quanto justo. A recompensa após cada luta — seja uma alma libertada, uma nova habilidade ou uma mudança significativa no mundo — reforça a sensação de progresso constante.

Além disso, o design visual e sonoro dos chefes é espetacular. De criaturas biomecânicas imensas a figuras trágicas que carregam suas histórias em cada golpe, as lutas são envolventes não apenas pela jogabilidade, mas também pelo impacto narrativo. O jogo utiliza efeitos sonoros fortes, temas musicais únicos e animações detalhadas para transformar cada chefe em um evento memorável.

No entanto, o jogo evita frustrar o jogador. Mesmo nas lutas mais difíceis, o título oferece opções para ajustar a dificuldade, tornando o desafio personalizável sem afetar a narrativa. Assim, mesmo quem não está acostumado a Metroidvanias consegue aproveitar as lutas, sem que isso comprometa a integridade da experiência.

Por fim, vale destacar nesta review de Ender Magnolia que os chefes não são apenas obstáculos — eles representam as almas mais atormentadas do mundo do título. Enfrentá-los significa libertá-los, o que adiciona um peso emocional que raramente se encontra nesse tipo de jogo. A cada vitória, Lilac não apenas cresce como protagonista, mas também como símbolo de compaixão em um universo desolado.

Trilha sonora e ambientação sonora

Desde os primeiros instantes em Ender Magnolia: Bloom in the Mist, é possível perceber que a trilha sonora não foi tratada como mero pano de fundo. Pelo contrário, a música exerce um papel fundamental na construção da atmosfera do jogo, funcionando como uma extensão direta do seu universo sombrio e melancólico. Portanto, não é exagero afirmar que o som em Ender Magnolia emociona, envolve e guia o jogador tanto quanto o enredo ou os visuais.

Nesta review de Ender Magnolia eu preciso destacar como as composições utilizam piano suave, cordas delicadas e sons etéreos para refletir a solidão e a esperança fragmentada que permeiam a jornada de Lilac. Cada região conta com faixas distintas, que variam de trilhas sutilmente tranquilas a melodias mais densas, acompanhando o clima narrativo e os desafios do ambiente.

Além disso, o jogo se beneficia de uma ambientação sonora refinada. Os efeitos sonoros, como o eco de passos em corredores vazios, o ruído mecânico de inimigos artificiais ou o sussurro do vento em florestas esquecidas, contribuem diretamente para a imersão. O som ambiente foi cuidadosamente construído para que o jogador não apenas veja o mundo — mas o sinta.

Outro ponto notável é como a trilha se intensifica durante as batalhas contra chefes, trazendo temas épicos e dramáticos que contrastam com a sutileza das músicas de exploração. Essa mudança repentina não só reforça a tensão desses momentos, como também marca narrativamente a importância de cada confronto.

Por fim, vale mencionar que mesmo após encerrar a campanha, é difícil não carregar consigo algumas das melodias de Ender Magnolia. A música gruda, não por repetição, mas por significância. Ela encapsula os sentimentos da jornada, tornando-se parte da memória emocional do jogador.

Considerações finais

Nesta Review de Ender Magnolia, ficou evidente que a Adglobe e a Binary Haze Interactive refinaram cada aspecto apresentado em Ender Lilies, entregando uma experiência ainda mais coesa, emocional e recompensadora. O jogo não apenas honra suas raízes no gênero Metroidvania, como também ousa expandi-las, oferecendo uma jornada tocante, intensa e artisticamente memorável.

Ao longo da campanha, o título revela uma profundidade inesperada — seja no sistema de combate, nas possibilidades de personalização com Relíquias e Homúnculos, na trilha sonora hipnotizante ou nos detalhes visuais que parecem pintados à mão. Assim, Ender Magnolia não se contenta em apenas ser um jogo bonito: ele quer, e consegue, ser inesquecível.

Levei entre 12 e 15 horas para concluir a campanha, explorando quase 100% do mapa e experimentando grande parte dos desafios opcionais. Portanto, trata-se de uma jornada que entrega não apenas qualidade, mas também consistência do começo ao fim, sem inchar artificialmente a experiência.

Para os amantes de mundos melancólicos, narrativas sensíveis e gameplay refinado, essa sequência se torna uma recomendação essencial. Mais do que um Metroidvania de destaque em 2025, Ender Magnolia: Bloom in the Mist entra para a lista dos jogos que mais marcam emocionalmente — daqueles que você lembra com carinho mesmo anos depois de ter terminado.

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Apaixonado por games, filmes, séries, músicas, HQ's e por cachorros. Jogos desafiadores são meus preferidos. Jogo, assisto, ouço, leio e, às vezes, exerço minha profissão de professor.