O cineasta húngaro Béla Tarr morreu nesta terça-feira (6), aos 70 anos, após enfrentar uma doença prolongada. A informação foi confirmada pela agência húngara MTI, por meio do diretor Bence Fliegauf, que falou em nome da família.
Considerado uma das vozes mais influentes do cinema de autor europeu, Tarr construiu uma carreira marcada por filmes de linguagem rigorosa, atmosfera sombria e crítica profunda às transformações sociais do Leste Europeu no período pós-comunista. Seu estilo ficou associado a planos-sequência extensos, ritmo lento e fotografia em preto e branco.
A obra mais conhecida do diretor é “Satantango”, de 1994, filme de mais de sete horas inspirado no romance de László Krasznahorkai. O longa se tornou um marco do cinema contemporâneo ao retratar a estagnação e o desencanto de uma comunidade rural diante do fracasso das promessas políticas.
A parceria entre Tarr e Krasznahorkai também resultou em títulos como “Harmonias de Werckmeister” e O Cavalo de Turim, seu último longa de ficção. Após o lançamento do filme, o cineasta anunciou a aposentadoria do cinema narrativo, afirmando que já havia dito tudo o que desejava como realizador.
Com uma filmografia curta e influente, que inclui ainda “Condenação” e “Almanac of Fall”, Béla Tarr manteve sua relevância ao longo das décadas. Nos últimos anos, dedicou-se ao ensino e à formação de novos cineastas, papel que ajudou a perpetuar sua influência no cinema.
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