A quarta temporada de Jujutsu Kaisen já havia chegado com os dois pés na porta em seus primeiros dois episódios e, após uma necessária pausa para explicar o Jogo do Abate, o quarto episódio que se apresentava como talvez mais uma etapa de preparação – inclusive, intitulado como “Preparação Perfeita” – nos entregou mais do que prometia, em um verdadeiro banho de sangue de encher os olhos de qualquer fã da saga.
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Perdemos no ritmo, ganhamos na animação
Para tirarmos o elefante da sala e partirmos para os diversos pontos positivos, vale passar pela única coisa que me incomodou nesse episódio: o ritmo acelerado. Jujutsu Kaisen desde o início parece fugir ao máximo de “enrolar” seus espectadores e evitar ainda mais cair em desperdiçar tempo em “arcos fillers”. No entanto, a trajetória de Maki e Mai e tudo que as irmãs enfrentaram em sua criação dentro do clã Zenin merecia ao menos mais um episódio, até pela carga emocional e brutal que o arco apresenta.
Porém, com a expectativa pelo Jogo do Abate altíssima, entendo a escolha por explorar a chacina do Clã Zenin e buscar aprofundar o drama Maki e a irmã em único episódio, mesmo que isso signifique abdicar um pouco do ritmo da narrativa. Somos atingidos assim rapidamente, mas não temos muito do que reclamar: com uma série de lutas muito bem animadas e takes pensados para nos trazer cada sentimento proposto, nos resta encostar na cadeira e apreciar cada quadro enquanto Maki, ainda em luto, “passa o cerol” nos monstros de seu passado.

Uma aula de drama, coreografia e trilha sonora
Após chegar nos aposentos de seu clã sob permissão do novo líder rejeitado Megumi Fushiguro para acessar o cofre de armas, Maki é surpreendida pela presença não só de sua irmã, que passou por lá com a mesma intenção, como também de seu perverso pai. O objetivo dele é claro: eliminar as filhas que o envergonharam simplesmente por não serem “fortes” o suficiente.
Por serem gêmeas, as irmãs nunca poderiam alcançar o ápice de seus poderes. Assim, apesar de Maki nascer com o raríssimo e poderoso Pacto Congênito, um voto vinculativo imposto ao corpo de um feiticeiro de Jujutsu que troca qualquer energia amaldiçoada por um poder físico absurdo, ela jamais poderia usufruir do máximo de sua capacidade, visto que o universo de Jujutsu enxerga gêmeos como um único indivíduo, dividindo sua habilidades enquanto ainda estiverem em vida e, neste caso, “anulando” grande parte do Pacto Congênito, já que Mai possuía energia amaldiçoada.
Assim, para salvar a vida da irmã e permite que ela evolua, Mai se sacrifica e consequentemente “desprende” o corpo de Maki das amarras que a impossibilitavam de alcançar, por exemplo, um nível de poder próximo ao de Toji Fushiguro, pai de Megumi, que só não exterminou o clã Zenin anteriormente por puro capricho.
Para o azar dos Zenim, porém, Maki não só tinha muito a acertar, como também prometeu a irmã no leito de morte que acabaria com eles – ou seja, desta vez eles não seriam poupados. Assim, começando pelo seu pai, Maki nos entrega uma verdadeira chacina, com direito a um banho de sangue digno de Kill Bill – se assistisse o anime, Tarantino estaria orgulhoso. Tudo isso junto de uma trilha sonora inesperadamente divertida, que nos proporciona sentimentos distintos: Maki está sofrendo pelo luto da irmã e descontando sua raiva com um banho de sangue contra seu próprio clã, mas também atinge pela primeira vez um poder absurdo, exterminando de forma empolgante seus antigos agressores sem qualquer esforço, como se mata-los fosse um belo número de dança com espadas.

Acerto de contas: Maki é fortificada pelo luto – e pelo ódio
Sem se esforçar, Maki não só elimina os que, assim como ela, não possuíam energia amaldiçoada, como também dá fim, um a um, aos mais fortes feiticeiros Zenim, incluindo o deplorável e talentoso Naoya, que não só desdenhava dela como também a submeteu a abusos na infãncia.
Ao perceber que o poder de Maki não tinha mais limite, seus adversários entram em desespero, enquanto também se tornam estatísticas do massacre que levaria tudo o que eles representavam para o mundo Jujutsu à ruína – como se o destino tivesse moldado tudo pelo que Maki passou para que ela chegasse neste momento. Após uma luta de deixar qualquer fã de Shounen entorpecido, a chacina tem fim com a mãe das gêmeas, mais uma vítima de abusos, mas também cúmplice de todo o sofrimento de suas filhas.

Um episódio profundo nas entrelinhas
Mesmo com o ritmo acelerado, o drama de Maki e Mai é retratado nas entrelinhas com a devida importância. Repleto de simbolismo, o episódio não deixa escapar o sentimento de angústia necessário para não só gostarmos de ver Maki atingir seu ápice até o momento, como também comprarmos sua vingança visceral. Juntos dela, sentimos o terrível prazer de ver todo o Clã Zenim praticamente morrer nas mãos de quem sempre ignorou e maltratou, como se não passassem de vermes que precisavam ser eliminados para quebrar um ciclo trágico entre famílias.

Um “fim” devidamente melancólico
No fim do episódio temos a explicação em letras garrafais de que a missão de Maki não só continuou após o que vimos em tela, com ela eliminando mais membros do Clã Zenim que não estavam na base, como também sabemos que há mais membros a serem executados por ela – incluindo Fushiguro, o qual imaginamos, e torcemos, que seja poupado.
Carregando o corpo da irmã, Maki deixa muito provavelmente pela última vez o local que significou dor em várias esferas de sua vida, carregando não só o peso corporal de Mai, mas também da cachina que acabara de realizar. Em seu semblante não há nada, mas sabemos que em seu coração há o luto pela morte de quem talvez fosse a única pessoa que a entendesse e amasse de verdade, em meio a satisfação melancólica de iniciar e quase finalizar sua tão aguardada e agora prometida vingança.

Jujutsu Kaisen retorna com seu episódio 52, o quinto da quarta temporada, na próxima quinta-feira (29). Não deixe de acompanhar esta aventura junto de nossas impressões dessa nova fase do anime durante as próximas semanas!
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