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Crítica | Episódio 52: Jujutsu Kaisen faz cinema em forma de anime – e isso pode ser um pouco chato

Na última quinta-feira (29), foi ao ar o quinto episódio da terceira temporada – o 52 no total – de Jujutsu Kaisen. Após um dos episódios mais memoráveis e frenéticos, uma nova “pausa” ainda com nuances de ação, permite aos animadores concretizarem essa como a fase mais “cinematográfica” do anime até o momento.

Jujutsu Kaisen segue desenvolvendo emoções em ritmo acelerado

Assim como vimos no decorrer do anterior, a primeira parte deste episódio se desenvolve rapidamente – o que, para mim, acelera demais a narrativa e torna fácil que momentos marcantes possam tornar-se esquecíveis daqui um tempo.

Momentos marcantes como a morte de Yaga, diretor da Escola Jujutsu de Tóquio, responsável por treinar Satoru Gojo que, após ser selado, deixou de ser um empecilho para que a ala mais tradicional dos feiticeiros agisse por conta própria. Dentre as diversas ações controversas, esteve pressionar Yaga para descobrir a origem de seu poder: criar e dar vida a cadáveres amaldiçoados.

No fim, antes de ser morto, vemos o misterioso personagem revelar seu segredo como se passasse uma maldição a seu executor e se sentisse livre do peso de viver com um poder tão perigoso e ao mesmo tempo transformador.

O anime corre com a morte de Yaga, mas ainda consegue desenvolver emoções de forma brilhante, mostrando boas ações de Yaga e como ele estava longe de usar seu poder para o mal como alguns temiam – ou, na verdade, gostariam de fazer.

Prova disso é a cena de Panda que, ao encontrar seu criador e “pai” morto, não pensa em se vingar, apenas em abraçar e sentir, demonstrando que em alguns desses seres criados por energia amaldiçoadas há muito mais do que almas perdidas e sim indivíduos que podem amar.

Uma transição claustrofóbica

Após isso, voltamos a acompanhar a saga de preparação de Itadori e Fushiguro para o temido Jogo do Abate. A partir daqui, temos então enquadramentos mais sufocantes, visto que o tempo para a inscrição no battle royale amaldiçoado está próximo de expirar e os protagonistas precisam correr para não falharem antes mesmo de começar.

Para atrair e possivelmente recrutar um dos feiticeiros mais poderosos, Kinji Hakari, eles visitam o Clube da Luta clandestino do aluno expulso da Escola Jujutsu e no maior estilo filme de espionagem se infiltram no torneio. Lá, encontram então Panda, a “ponte” entre as duas partes do episódio, que está na mesma missão que os dois: se aproximar de Hakari – o que é impossível graças ao poderoso e enigmático feitiço de sua namorada e também ex-aluna da Escola Jujutsu Kirara Hoshi.

Tudo aqui é propositalmente animado de maneira escura e sufocante, mesmo que nos dando a visão de estarmos observando os personagens ao longe, mas ainda dentro da cena. Enquanto esbanja sua riqueza em animação, porém, o anime corre o risco de cair em momentos de monotonia – sabemos que algo vai dar errado e não sabemos o que esperar de Hakari ao desmascara-los ou ser confrontado, ficamos tensos, mas logo percebemos que seremos “enrolados” até o próximo episódio.

Isso piora quando, após sermos apenas “ameaçados” de assistir uma luta que prometia ser épica na primeira parte e somos jogados direto ao seu fim, esperamos ver a “trocação franca” de Itadori com outro participante do clube de Hakari, mas somos surpreendidos por Panda em uma luta falsa que, apesar de quebrar o gelo e trazer uma boa coreografia, tira qualquer censo de urgência daquele confronto.

Uma aula de rotoscopia

Após convencer Hakari de suas habilidades, Itadori consegue ir até sua sala para uma conversa, momento esse que o agora trio da Escola Jujutsu aguardava para agir e convencer Hakari de se juntar ao plano. No entanto, as coisas não saem como o planejado, visto que, além do protagonista ser um péssimo mentiroso, algo dá errado do lado de fora da sala, como alertado pela ligação de Kirara ao celular de seu namorado – um sutil aviso de perigo.

Neste momento, o anime faz uso brilhante da técnica de rotoscopia, onde, de maneira resumida, se grava uma cena em live action e anima em cima dela, permitindo que, quando bem feita, gere cenas com movimentos extremamente realistas, – algo próximo do que vemos na indústria dos games com a captura dos movimentos, por exemplo, mas aqui com um tom mais artístico.

Enquanto Hikaru e Itadori conversam, parecem na verdade duelar, com movimentos corporais que indiretamente demonstram o que estão sentindo, principalmente por parte do desconfortável protagonista. Com a câmera travada na porta da sala e a ausência de trilha sonora, não sabemos o que esperar, até que Hikaru desconfia de que algo está errado após jogar uma isca a Itadori, graças ao alerta dado por Kirara em seu telefone. Após isso, a animação volta ao tom frenético e cheio de closes que estamos acostumados, preparando assim o terreno para uma luta que promete ser intensa entre dois dos feiticeiros mais fortes da atualidade.

Tudo isso apenas reforça o objetivo de Jujutsu Kaisen em fazer não só a temporada mais bem animada até aqui, como também trazer uma pegada ainda mais artística à obra. As vezes somos saturados ou não entendemos o sentimento proposto, mas na maioria das vezes sequer percebemos o tempo do episódio passar, imersos na qualidade e na narrativa de um dos mais brilhantes animes da atualidade.

Jujutsu Kaisen retorna com seu episódio 53, o sexto da terceira temporada, na próxima quinta-feira (5). Não deixe de acompanhar esta aventura junto de nossas impressões dessa nova fase do anime durante as próximas semanas!

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Colaborador do Conecta Geek desde 2024, nasci no estado do Rio de Janeiro e alinho minhas maiores paixões à minha vocação através da produção de conteúdo. Entre as minhas áreas de maior domínio e experiência profissional estão o o universo geek, o automobilismo e os esportes em geral, principalmente o futebol. Certificado como Jornalista Digital e Social Media pela Academia do Jornalista, contribui no passado como Editor-chefe nos portais R7 Lorena e iG In Magazine e fui Colaborador do portal esportivo Torcedores.