Review | Pokémon Legends Z-A: Bom, mas longe de ser perfeito

Passei bastante tempo pensando em como escrevendo a review de Pokémon Legends: Z-A, tempo no qual pude experimentar o jogo por completo, incluindo a DLC Mega Dimension, e assim repassar a experiência completa sobre o game. Já deixo claro: contém spoilers.

Pokémon surgiu oficialmente em 1996, com o lançamento dos primeiros jogos de videogame, no Japão, para o Game Boy. Criada por Satoshi Tajiri, a franquia se expandiu rapidamente e, hoje, quase 30 anos depois, ainda conta com jogos, animes, card games, parques temáticos e milhares de lojas de produtos dos tão adoráveis monstrinhos de bolso.

Pokémon Legends: Z-A é um spin-off da saga clássica de Pokémon, e o segundo jogo da série Legends. Desta vez, somos convidados a retornar à cidade de Lumiose cinco anos após os eventos de “Pokémon X” e “Pokémon Y”.

O jogo foca no redesenvolvimento urbano e nas consequências de uma expansão quase desenfreada de Pokémons surgindo em vários pontos da cidade, chamadas de áreas selvagens. Esses locais são repletos de Pokémon selvagens e agressivos. Quando a noite chega, a cidade é dominada pelas áreas de batalha, espaços onde treinadores ávidos por lutas batalham até se tornarem Rank A e terem a chance de obter um desejo.

Um grande título carrega uma grande responsabilidade

Pelo menos foi isso que milhares de fãs ao redor do mundo aguardaram antes do lançamento do game, em outubro de 2025. O hype estava nas alturas, com vazamentos constantes sobre criaturas, mega evoluções, mecânicas de batalha e até mesmo a história do jogo. Do meu ponto de vista, o jogo prometeu muito, mas entregou algo, no mínimo, medíocre diante de tudo o que estava sendo aguardado.

Milhares de reclamações surgiram sobre o game, desde paredes falsas e sem textura até emendas estranhas e, muitas vezes, sem conexão alguma com estruturas próximas. Ou seja, temos um jogo em que as edificações são apenas amontoados de “caixas” sobrepostas, com um png imitando paredes. Além desses problemas com os prédios da cidade, há também um grande problema com os NPCs, mesmo sendo uma cidade enorme, com vários personagens, ela parece “morta” e sem sentido. Nem mesmo as centenas de missões secundárias conseguem prender o jogador por muito tempo.

imagem obtida pelo autor.

Historia rasa, dublagem inexistente, mecânica tediosa.

A missão principal é tão rápida que quebra a imersão do jogo e da história na totalidade. É como se o jogo dissesse ao jogador: “olha, vamos pular daqui para cá e fingir que está tudo normal”. Só que não está. Temos uma história tão rasa quanto o fundo de um prato, nem mesmo as histórias dos líderes dos ranks chegam a ser interessantes o suficiente a ponto de valer a leitura. Em vários momentos, eu me via pulando diálogos extremamente cansativos, redundantes e tediosos.

Vale lembrar que o jogo não conta sequer com dublagem. Uma franquia desse porte não ter ao menos uma dublagem, nem mesmo em japonês, torna a série ainda mais tediosa e cada vez mais cansativa para os fãs. Hoje, inclusive, é possível encontrar em vários canais do YouTube vídeos das narrativas principais com dublagem em português BR, e acredite quando digo que, se houvesse uma dublagem oficial neste game, isso já seria suficiente para renovar todas as esperanças de um jogo que realmente valesse o gasto do nosso dinheiro.

Uma DLC que parece ter sido retirada do jogo base de propósito

No mesmo instante em que o game foi lançado, também foi informado que, poucos meses depois, estaria disponível a DLC Mega Dimension. Essa expansão adiciona mais mega evoluções, como as de Raichu X e Y, além de uma parte significativa da história principal. Detalhe: como se não bastasse o consumidor já pagar uma quantia considerável pelo game base, ainda precisa gastar mais para ter acesso ao restante da história. Dizer que o jogo foi lançado como uma obra inacabada é apenas um detalhe, para não afirmar diretamente que os fãs estão sendo explorados descaradamente.

Video obtido pelo autor

Além disso, na DLC Mega Dimension, o jogo apresenta Ansha e seu Pokémon Hoopa, que atravessam portais — nem tão escondidos assim — pela cidade de Lumiose para capturar um Pokémon lendário. Para isso, preparamos donuts com propriedades especiais, que permitem a Hoopa abrir portais para outra dimensão: uma Lumiose distorcida e sem cores que, do meu ponto de vista, parece ter sido feita com extrema preguiça e falta de esmero.

Mas então o que sobra de bom?

Pokémon Legends: Z-A, foca muito na mecânica das batalhas, isso é um fato. Costumo dizer que Pokémon Legends: Z-A introduz todas as batalhas que faltaram em “Pokémon Legends: Arceus”. Isso torna o game tedioso em vários momentos, pois as batalhas acontecem uma atrás da outra, sem tempo para respirar.

O jogo mantém uma quantidade enorme de missões secundárias, então, se você gosta disso, é um prato cheio. Mas, vale ressaltar que muitas dessas missões são estranhamente repetitivas. Não estou dizendo serem idênticas, apenas repetidas, como batalhas para testar se a estratégia do NPC é melhor que a sua — e são muitas missões assim. É como se, mesmo no final do jogo, o jogador ainda estivesse em modo tutorial.

-imagem obtida pelo autor

As novas mega evoluções trazem uma “energia” nova para essa mecânica, muito apreciada pelos fãs, embora haja excesso de algumas mega evoluções estranhas e sem nexo, como a polêmica evolução do Dragonite. Outras, porém, ficaram muito interessantes, como as evoluções de Malamar, Zeraora, Hawlucha, entre outros.

O game tem um modo competitivo online que torna a experiência de batalhas mais divertidas e intensas, graças as novas Mega Evoluções os jogadores do modo competitivo podem experimentar novas estratégias de combates online e se tornar mestres Pokémon.

Conclusão

A Nintendo prometeu muito, mas novamente entregou um jogo medíocre e muito abaixo do que os fãs aguardavam. Mecânicas chatas e repetitivas, uma cidade enorme e bonita por fora, mas oca por dentro, que literalmente não oferece conteúdo algum, missões secundárias cansativas e repetitivas, uma missão principal extremamente rasa e sem substância, e uma DLC feita exclusivamente para arrancar mais dinheiro dos fãs, já que claramente deveria fazer parte do jogo base. Mesmo com uma mecânica de batalhas relativamente nova e interessante para a franquia, o game claramente não vale o dinheiro gasto pelos fãs.

Versão jogada no Nintendo Switch 2. Pokémon Legends: Z-A, Também está disponível para Nintendo Switch.

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