Review | I Hate This Place: Um jogo difícil de ser odiado
Capa: Conecta Geek

Review | I Hate This Place: Um jogo difícil de ser odiado

Um rancho amaldiçoado, uma herança sombria e um segredo de família para desenterrar. Em I Hate This Place, o terror e a investigação andam de mãos dadas em uma experiência que mistura furtividade, exploração em mundo aberto e gestão de recursos.

Inspirado na série de quadrinhos de Kyle Starks e Artyom Topilin (publicada pela Image Comics e ainda inédita no Brasil), o jogo nos coloca no papel de Elena. Após herdar o Rancho Rutherford, um lugar com um passado obscuro e inexplicável, ela retorna à propriedade determinada a descobrir a verdade por trás dos horrores que assombram sua família. Com uma narrativa pessoal e carregada de mistério, cada sombra e silêncio no rancho parece esconder uma peça desse quebra-cabeça macabro.

Desenvolvido pelo estúdio independente Rock Square Thunder e publicado pelo selo Broken Mirror Games (da Bloober Team, responsável pelo excelente “Silent Hill 2 Remake”), o título adota uma visão isométrica que nos permite observar cada detalhe sinistro do ambiente. A jogabilidade alterna entre momentos de tensão silenciosa, onde a discrição é vital, e fases de coleta e construção de itens, essenciais para sobreviver e progredir na história.

Com interface e menus já localizados em português, I Hate This Place se apresenta como uma promessa sólida para quem busca uma narrativa de horror bem construída, onde o maior inimigo pode ser o legado que carregamos.

Enredo promissor

No início do jogo, vemos Elena acompanhar sua melhor amiga Lou, em direção a um acampamento, onde ela clama pela ajuda de uma entidade demoníaca cultuada e temida por muitos naquela região, conhecida como “Homem de Chifres”. Lou quer a ajudar a encontrar a mãe, que desapareceu quando Elena era criança.

Porém, logo após Lou terminar sua invocação o tempo escurece, ela desaparece e caberá a você encontrar pistas sobre o sumiço da sua amiga e de sua mãe. Adiante no jogo ela encontrará bunkers pelo mapa com documentos e informações deixadas que irão nos conectar melhor com a ambientação do jogo.

Jogabilidade e variedade de missões

A jogabilidade é agradável, principalmente após dominar os comandos de andar agachado e evitar pisar em vidros ou elementos que causam barulho, pois os inimigos apesar de cegos, possuem uma boa audição para te encontrar.

No início você usa apenas um bastão como arma e novos equipamentos ficarão disponíveis após derrotar monstros e encontrar diagramas para produzir armas, kits médicos e itens que possam ser úteis no jogo.

O tempo também é um detalhe trabalhado. De dia, você encontrará menos inimigos ao ar livre e poderá colher itens para fabricação. De noite, os inimigos aparecem em maior quantidade, porém é possível coletar mais itens de relevância.

Existem personagens e enredos que só ficam disponíveis de manhã ou à noite, algo que lembra muito os NPCs e chefes adicionais de “Elden Ring”.

Haverá casos sobrenaturais que Elena resolverá, pela sua capacidade de interagir com fantasmas e de “viajar no tempo” a partir de pistas que só ela consegue rastrear.

Excelente história, no entanto, necessita de reparos

I Hate This Place é um jogo com elementos de terror dos anos 80, apresentando uma narrativa e mistérios convidativos e uma jogabilidade bastante agradável. Apesar da narrativa se manter convincente, com reviravoltas e um final bem representado. O jogo pode causar má impressão por conta dos bugs e falhas de otimização durante a gameplay, principalmente no último arco do jogo.

Com movimentação travada, falas de personagens que se entrelaçam ou que são cortadas abruptamente, podem acabar frustrando o jogador. No entanto, o jogo possui uma trilha sonora que corresponde ao gênero. Além de comandos que respondem bem nos controles.

Para jogadores que buscam novidades de estúdios independentes, I Hate this Place entrega uma boa história, entretanto que necessita de reparos a curto prazo para ganhar prestígio entre público e crítica.

Certamente, 2026 começou com um bom jogo de terror que irá agradar fãs do gênero. Disponível para todos os consoles e PC.

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Formado em Jornalismo, entusiasta desde pequeno por games, séries, filmes, quadrinhos e um bom café. Busco sempre novas recomendações sobre tudo o que envolve a cultura geek.