Review | MIO: Memories in Orbit é uma experiência perfeita para começar 2026

MIO: Memories in Orbit chega em um momento curioso. Mesmo em um gênero saturado como o dos Metroidvanias, o jogo da Douze Dixièmes encontra espaço para existir com identidade própria. Não tenta reinventar tudo, mas trabalha com muito cuidado aquilo que já conhecemos no gênero.

É um jogo que se apresenta com calma, confia no próprio ritmo e, gradualmente, constrói uma experiência marcada pela direção de arte e por sistemas que conversam entre si, embora nem tudo seja flores, como você ficará sabendo nesta review.

Um robô pequeno em um problema grande demais

Você acorda como MIO, um pequeno robô dentro da Nave, uma colossal arca espacial à deriva, tomada máquinas corrompidas e sistemas que já não funcionam como deveriam. As Pérolas, inteligências artificiais responsáveis pela manutenção da nave, deixaram de cumprir seu papel, e o colapso parece inevitável.

A premissa é simples e até familiar, mas funciona. MIO não entrega uma narrativa tradicional, com alguns plots. Não espere um enredo de explodir cabeças, mas não vai te decepcionar.

Narrativa ambiental como força principal

Cada área da Nave ajuda a contar o que esse lugar já foi. A Metrópole ainda carrega traços de uma cidade viva, enquanto setores industriais são consumidos por raízes e máquinas abandonadas reforçam a sensação de decadência.

Apesar disso, o arco central segue uma estrutura bastante conhecida: um herói improvável tentando salvar o planeta. Não é exatamente surpreendente, mas é funcional e emocionalmente eficaz dentro do contexto apresentado.

Um metroidvania clássico, mas bem executado

Como todo bom Metroidvania, MIO aposta em um mapa interconectado, cheio de atalhos, áreas secretas e caminhos que só se tornam acessíveis após adquirir novas habilidades. Voltar a áreas antigas não é só recomendado, é essencial para aproveitar tudo o que o jogo oferece.

Explorar rende recompensas constantes: melhorias, modificadores, informações de mundo e muito mais. O ritmo da progressão é bem calibrado, e raramente o jogo deixa a sensação de estagnação, aquele cansaço do famoso “ir e vir” de jogos com esse estilo.

A Matriz de Alocação

O grande diferencial de MIO está na Matriz de Alocação. Em vez de uma árvore de habilidades tradicional, o jogo trabalha com um sistema de gerenciamento de memória. Cada melhoria ocupa espaço, e esse espaço é limitado.

Isso força decisões constantes. Quer mais vida? Vai custar memória. Quer vantagens passivas fortes? Talvez precise aceitar um debuff (penalidade). Algumas modificações oferecem bônus poderosos, mas vêm acompanhadas de restrições reais, como atraso na esquiva ou limitações de cura.

Não muda completamente o estilo de jogo como os amuletos de Hollow Knight, mas adiciona uma camada estratégica interessante e coerente com a proposta do mundo.

Chefes exigentes e bem desenhados

Os inimigos comuns cumprem bem o papel, nada de dificuldade aqui, mas é bom se cuidar. No entanto, é nos chefes que MIO realmente testa o jogador. São mais de 15 confrontos que vão querer te fazer jogar o controle na parede! (Sim, eu quase fiz isso).

Alguns encontros, especialmente no final do jogo, são brutalmente difíceis. Exigem paciência e domínio das ferramentas disponíveis. O jogo não pega leve, mas raramente é injusto. Mesmo experiente em jogos desafiadores, levei em torno de 20 a 25 horas pra fechar MIO: Memories in Orbit e produzir esta review.

Sem dano por contato e mais foco na mecânica

Uma escolha de design que funciona muito bem é a ausência de dano por contato. Você pode ficar próximo de inimigos e chefes sem ser penalizado, desde que não esteja em um ataque ativo. Isso reduz frustrações comuns do gênero e permite focar melhor no combate em si, e não em micro posicionamentos punitivos.

Opções de acessibilidade que respeitam o jogador

Para quem sente dificuldade, o jogo oferece opções de assistência inteligentes: inimigos que ficam mais fracos após várias tentativas, um escudo temporário ao ficar parado e inimigos comuns mais passivos. Nada disso transforma MIO em um jogo fácil, mas ajuda a manter o ritmo e evita bloqueios frustrantes. Não usei nenhum, mas fique a vontade!

Controles e sensação de movimento

Aqui está um dos pontos mais divisivos do jogo. Embora MIO seja funcional e, com o tempo, agradável de controlar, seus movimentos podem parecer imprecisos no início. O pulo tem uma sensação mais leve do que o esperado, dificultando pousos em plataformas pequenas.

Não chega a comprometer a experiência, mas exige adaptação. Em um gênero onde precisão é tudo, esse detalhe pode incomodar jogadores mais exigentes, especialmente nas seções de plataforma mais complicadas. Creio que com algumas atualizações, tudo fique “perfeito”.

MIO é lindo, quase uma aquarela em movimento

Visualmente, MIO: Memories in Orbit é impressionante. O estilo desenhado à mão, combinado com cel-shading e paletas com cores lavadas, que remetem pinturas em aquarela, saltam aos olhos e transforma cada área da Nave em uma espécie de pintura viva.

É o tipo de jogo que faz você parar, olhar ao redor e simplesmente absorver o cenário.

Trilha sonora melancólica pra combinar com o visual

A trilha sonora acompanha bem o clima melancólico e contemplativo da exploração. As faixas usam sintetizadores e tons suaves que reforçam a sensação de isolamento.

Os efeitos sonoros, embora competentes, não acompanham o mesmo nível de qualidade. Em alguns momentos, sons semelhantes se repetem em superfícies diferentes, o que quebra um pouco a imersão. Sei que posso estar sendo chato demais aqui, mas é muito perceptível.

Review de MIO: Memories in Orbit. Vale a pena?

Finalizo esta review de MIO: Memories in Orbit com muito mais pontos positivos do que negativos. É uma grata surpresa no começo de 2026.

Ele não tenta ser o maior Metroidvania já feito, mas sabe exatamente o que quer entregar. Ele se apoia em direção de arte espetacular e sistemas de progressão interessantes para construir uma experiência que vai agradar quem gosta do estilo. Além disso, é ideal para quem gosta de jogos desafiadores, assim como eu.

Apesar de controles que exigem adaptação e uma história que segue caminhos conhecidos, o conjunto é sólido. Pelo preço cobrado, é difícil não recomendar. E, vale ressaltar, que ele chegou no dia do lançamento no catálogo do Game Pass Ultimate, o que facilita ainda mais o acesso ao game.

Título esse que está disponível para Nintendo Switch 2, PC, PlayStation 5, Xbox Series S/X e Nintendo Switch desde o dia 20 de janeiro de 2026. Ressalto que o jogo está localizado para o Português do Brasil.

Esta review foi feita na versão de PlayStation 5 do jogo, com um código cedido pela Focus Entertainment

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Apaixonado por games, filmes, séries, músicas, HQ's e por cachorros. Jogos desafiadores são meus preferidos. Jogo, assisto, ouço, leio e, às vezes, exerço minha profissão de professor.