Dirigido por Eugene Yi, The Rose: Come Back To Me é um documentário musical de pegada intimista que acompanha a trajetória da banda sul-coreana formada em 2017 por Kim Woosung, nos vocais e guitarra, Park Dojoon, nos vocais, teclado e guitarra, Lee Hajoon, na bateria, e Lee Taegyeom, no baixo.
O filme revisita desde as origens individuais dos integrantes até o processo de retorno aos palcos com a turnê de comeback, mostrando como o grupo reconstruiu a própria carreira depois de períodos difíceis dentro da indústria. A narrativa mistura entrevistas recentes, imagens de arquivo e bastidores de estrada para montar um retrato emocional da banda e da evolução artística ao longo dos anos.
A abertura já começa com um show da turnê de comeback e funciona muito bem como ponto de partida. O documentário inicia direto no auge, com a banda novamente diante do público e com a energia lá em cima, criando conexão imediata com quem assiste. Desde os primeiros minutos fica claro que o filme é construído a partir de um olhar afetivo e próximo dos integrantes, sem tentar fingir uma neutralidade que não faz parte da proposta.
O ritmo é dinâmico e evita aquela sensação arrastada que alguns documentários musicais acabam tendo. A montagem alterna momentos íntimos, ensaios, registros de turnê e performances em grandes palcos como o Coachella, criando uma linha do tempo fácil de acompanhar desde o debut em 2017 com “Sorry” até a fase mais recente da banda. A estrutura segue bastante o formato tradicional com entrevistas diretas no estilo cabeças falantes, algo funcional para o público geral, mas que em alguns momentos deixa a linguagem visual um pouco repetitiva.

A fotografia é simples e direta, sem tentar exagerar na emoção através de efeitos. A câmera acompanha Woosung, Dojoon, Hajoon e Taegyeom em conversas, decisões criativas e momentos de desgaste durante a rotina intensa da estrada. Em vários trechos o documentário deixa visíveis microfones, câmeras e partes do próprio processo de filmagem, reforçando a sensação de proximidade e de acesso real aos bastidores, mesmo que essa ideia não seja explorada de forma mais conceitual ao longo do filme.
Com cerca de 1h36min de duração, o longa é dividido em blocos bem definidos. Existem momentos leves com brincadeiras e interações descontraídas entre os integrantes, que funcionam como respiro entre trechos mais densos que abordam saúde mental, pressão da indústria coreana, conflitos contratuais e as preocupações constantes que acompanham a carreira masculina no país, incluindo a expectativa futura em relação ao alistamento militar obrigatório e o impacto de polêmicas públicas na imagem dos artistas.
Quando entra no processo criativo, o documentário cresce bastante. A construção de músicas como “Sorry” mostra como experiências pessoais acabam virando composição e como a música funciona como ferramenta de expressão emocional para o grupo. Eugene Yi demonstra sensibilidade ao registrar o desgaste físico e mental dos integrantes sem transformar esses momentos em espetáculo. A direção também traz algumas ideias visuais interessantes, incluindo o uso pontual de animações e soluções de montagem que ajudam a organizar a linha do tempo da banda.
Dentro do cenário da cultura pop coreana, o filme reforça como o The Rose sempre caminhou fora do modelo idol tradicional, priorizando autoria e identidade própria dentro de um mercado altamente competitivo. A narrativa mostra como a banda equilibra influências do rock alternativo com a estrutura da indústria asiática, destacando decisões de carreira e mudanças internas que ajudaram o grupo a construir uma trajetória mais independente.
Ao seguir uma estrutura narrativa mais clássica, mas bem executada, The Rose: Come Back To Me entrega um retrato consistente de uma banda que cresceu com base em parceria e autenticidade desde a formação em 2017. O maior acerto está na construção emocional clara e na sensação de proximidade com os integrantes. Mesmo sem ousar muito dentro do formato de documentário musical, o filme funciona muito bem como registro afetivo e como material essencial para fãs, além de oferecer um olhar acessível sobre os bastidores do rock contemporâneo dentro da cultura pop asiática.
The Rose: Come Back To Me estreia hoje, 12 de fevereiro, nos cinemas.
Leia também:


















Deixe uma resposta