Harry Styles
Divulgação.

Crítica | Harry Styles promete mais do que entrega em ‘Kiss All The Time. Disco, Occasionally’

Harry Styles passou quatro anos longe dos holofotes após o sucesso e as polêmicas da era “Harry’s House” (2022). Durante esse tempo, o artista britânico aproveitou o hiato para viajar pela Europa e viver novas experiências. É desse período que nasce Kiss All The Time. Disco, Occasionally seu quarto e mais novo álbum que chega com a promessa de mostrar o cantor trafegando por novos caminhos.

Logo com a revelação da capa e o lançamento do primeiro single, “Aperture”, tudo apontava para o astro saindo das referências do pop e do rock dos anos 1970 e 1980 que marcaram seus trabalhos anteriores para se aventurar pela música eletrônica e as referências de pista. E a faixa lançada previamente de fato funciona como uma boa entrada nesse universo.

Capa de Kiss All The Time. Disco, Occasionally
Divulgação.

No entanto, ao longo das 12 faixas apresentadas, “Kiss All The Time. Disco, Occasionally” parece ficar no meio do caminho. É nítida influencia de novas referências aqui, principalmente vindas da cena alternativa, como LCD Soundsystem e James Murphy; porém, os movimentos de Harry nesta direção são sempre tímidos. A sensação é a de que ele parece temer não ser compreendido pelo seu público, ou deixar de ser pop e apresenta um disco que está sempre com o pé no freio.

O tempo inteiro, o álbum vai criando um clima de expectativa para o momento em que o artista vai de fato cair nas pistas de dança, mas esse momento nunca chega. As canções estão sempre limitadas a não abandonarem algo que as remeta ao universo já construído pelo artista. A experimentação aparece aqui apenas em detalhes, como um leve tempero, dosado para não alterar demais o sabor.

Isso não significa que a obra não tenha bons momentos. Além do single que faz abertura, há faixas deliciosas como “American Girls”, e “Are You Listening Yet?” que são algumas das que mais se aproximam de atingir o alvo em que Harry estava mirando; ou mesmo “Dance No More” que é contagiante e traz uma clara influência de Prince.

Já as baladas, apesar de bonitas, são as que mais se afastam do que o disco pretendia ser, fazendo até com que você esqueça qual era a proposta inicial. “Comiming Up Roses” poderia facilmente ser uma faixa do álbum autointitulado de Harry, o primeiro da carreira solo, lançado em 2017, ou mesmo do “Fine Line”, de 2019. “Paint by Numbers” soa deslocada com um arranjo acústico, marcado pelo violão.

“Ready Steady Go!” é vibrante e marcada pelo encontro do baixo com a guitarra, porém não se derencia muito de algo de Harry’s House. “Season 2 Weight Loss” é talvez a que mais se aproxime de algo realmente experimental. “Carla’s Song” faz um bom encerramento com uma boa transição entre piano e sintetizadores, deixando claro que o artista tem potencial para ousar e se arriscar mais.

No fim das contas, não dá para dizer que “Kiss All The Time. Disco, Occasionally” é um álbum ruim. Ele só é menos do que o que Harry Styles pretendia que fosse e fica no mediano. Mesmo que tenha faltado ao britânico se entregar de verdade as novas referências que descobriu durante o seu período sabático, ainda assim vale destacar que ele segue tentando se renovar e não se rende a uma formula, seguindo ainda como um dos nomes mais interessantes do pop masculino atual, que tem entregado muito pouco.

Leia também: