Review | Captain Tsubasa 2: World Fighters coloca o anime dentro de campo

Captain Tsubasa, mais conhecido no Brasil como Super Campeões, foi um dos animes que marcou muito a minha infância. Quando pensava na possibilidade de ter um jogo baseado na obra, imaginava primeiramente algo que trouxesse todos aqueles dribles, chutes especiais e jogadas absurdas que fazem do anime algo tão único. Com o segundo jogo da franquia, pude experimentar e realizar um pouco desse sonho, podendo dizer com convicção que o jogo tem praticamente todos os elementos do anime, com exceção, é claro, do campo infinito.

Reprodução: Paulo Vitor

Em Captain Tsubasa 2: World Fighters, temos como foco principal o modo história, onde criamos um novo personagem que vai acompanhar os mesmos acontecimentos de Oozora Tsubasa. A história começa no momento em que Tsubasa vai para o Brasil jogar pela base do São Paulo. Conforme avançamos, passamos pela seleção japonesa e também retornamos ao Japão para jogar pelo Nankatsu.

A progressão é bastante simples. A cada missão escolhida, temos uma pequena história com diálogos entre os personagens do nosso time e, em alguns momentos, também com os adversários daquele capítulo. Com o nosso personagem, chamado de New Star, podemos fazer algumas escolhas de diálogo durante determinados trechos. Elas acabam dando uma variada nas conversas, porém não chegam a ser essenciais, já que não existe um sistema de relacionamento que realmente altere a campanha.

As partidas duram em torno de dez minutos, podendo se prolongar dependendo da quantidade de ações que acontecem durante o jogo. E falando nas ações, é justamente aqui que está o maior charme de Captain Tsubasa 2.

O futebol de Captain Tsubasa funciona muito bem

É através das ações que encontramos a marca registrada de Captain Tsubasa. Temos chutes com potência absurda, cruzamentos que afastam os marcadores, dribles que deixam os adversários para trás, carrinhos que parecem atropelar quem estiver pela frente e diversas outras jogadas que seriam impossíveis em um jogo de futebol tradicional.

E é exatamente isso que eu espero de um jogo de Captain Tsubasa. As ações podem ser equipadas no menu antes das partidas e, conforme avançamos na campanha, novas habilidades são desbloqueadas para o nosso personagem e para outros jogadores. Podemos montar diferentes combinações e escolher quais movimentos utilizar, embora algumas missões obriguem o uso de determinadas habilidades.

Uma das mudanças que mais gostei em relação ao jogo anterior está justamente na maneira como essas ações são utilizadas. Agora, não basta simplesmente acumular uma barra para sair utilizando golpes especiais a qualquer momento. É necessário construir a jogada durante a partida.

Dribles, passes e outras ações ajudam a aumentar o nível da sequência, que fortalece o próximo chute. Quanto maior esse nível, maior a ameaça para o goleiro adversário. Isso também faz com que exista uma tensão interessante durante os ataques, já que perder a bola significa desperdiçar todo aquele trabalho e, em determinadas situações, entregar a vantagem ao adversário.

Isso deixa as partidas mais dinâmicas. Nem sempre preciso ficar chutando diversas vezes para desgastar o goleiro até conseguir marcar. Se conseguir construir uma boa sequência, posso tentar uma finalização poderosa e decidir a partida em uma única jogada.

Os goleiros também receberam uma mudança interessante. Quando o adversário realiza um chute, precisamos escolher uma das direções para tentar fazer a defesa. Em chutes de longa distância, existe tempo suficiente para observar a trajetória e reagir. Já nas finalizações mais próximas, a situação muda completamente e é muito mais difícil acertar o momento. É uma mecânica simples, mas que funciona bem dentro da proposta do jogo.

As chamadas Miracle Actions também ajudam a deixar algumas partidas ainda mais imprevisíveis. Cada equipe conta com condições específicas que podem ativar essas ações e gerar efeitos diferentes durante o confronto. São momentos que conseguem mudar completamente o andamento de uma partida e combinam bastante com o que vemos no anime.

Nem tudo funciona tão bem durante as partidas

Apesar de gostar bastante do gameplay, existem alguns problemas que incomodaram durante minhas partidas.

O principal deles é a câmera. Ela tenta manter diferentes jogadores na tela ao mesmo tempo e, quando a bola muda de direção rapidamente, o resultado pode ser bastante estranho. Em algumas jogadas, a câmera simplesmente dá uma guinada e demora um pouco para acompanhar o que está acontecendo.

A troca de jogadores também não me agradou. O jogo realiza mudanças automáticas quando o adversário passa a bola e não existe uma opção para simplesmente desativar esse comportamento. Em momentos mais rápidos, isso pode fazer com que eu esteja tentando controlar um jogador específico enquanto o jogo decide que outro seria mais adequado. Na defesa, isso pesa bastante.

Reprodução: Paulo Vitor

Em um jogo que depende de reação e posicionamento, perder o controle do personagem que eu queria utilizar pode fazer toda a diferença entre conseguir parar uma jogada ou assistir ao adversário chegar livre para finalizar.

Mesmo com esses problemas, ainda considero que o gameplay de World Fighters funciona melhor do que o do primeiro jogo. A sequência conseguiu deixar as ações mais conectadas e as partidas têm um ritmo que combina muito mais com a proposta de Captain Tsubasa.

A história poderia aproveitar melhor o New Star

A campanha é uma parte curiosa de World Fighters. Por um lado, gostei de acompanhar novamente alguns acontecimentos do universo de Captain Tsubasa e ver personagens conhecidos participando da história. Para quem já conhece a obra, existem referências e momentos que funcionam justamente por causa desse conhecimento prévio. Por outro lado, senti que o New Star poderia ter sido aproveitado muito melhor.

Reprodução: Paulo Vitor

A ideia de criar um personagem para acompanhar Tsubasa é interessante, mas ele acaba funcionando mais como alguém que está acompanhando a história do que como o protagonista da própria carreira. Eu esperava ter mais liberdade para escolher os caminhos desse jogador, principalmente considerando que estamos criando nosso próprio personagem.

Durante a campanha, podemos aprender novas habilidades com companheiros e adversários e melhorar os atributos do New Star conforme avançamos. Os desafios opcionais também são uma boa maneira de incentivar o jogador a experimentar diferentes ações durante as partidas.

Alguns deles pedem que realizemos determinadas jogadas ou utilizemos personagens específicos. Gostei dessa ideia porque, em vez de simplesmente jogar todas as partidas da mesma maneira, existe um motivo para tentar coisas diferentes.

O problema é que a campanha continua bastante linear. As escolhas de diálogo não mudam realmente o rumo da história e não existe aquela sensação de estar construindo uma carreira própria dentro do universo de Captain Tsubasa. Eu teria gostado muito mais de um sistema em que pudesse escolher uma equipe, evoluir meu personagem, receber propostas e construir uma trajetória até chegar às grandes competições.

Isso faria o New Star deixar de ser apenas um personagem criado para acompanhar Tsubasa e passaria a ser realmente o meu jogador dentro daquele universo.

As cutscenes quebram o ritmo das partidas

Uma coisa que eu não curti aqui foram as cutscenes no meio das partidas. Eu entendo perfeitamente a intenção. Elas estão ali para recriar cenas icônicas do anime e trazer para o jogo aqueles momentos em que uma partida parece virar uma verdadeira batalha. Quando funcionam, são legais de assistir.

O problema é que elas quebram totalmente o ritmo das partidas, principalmente quando você está ganhando e, do nada, uma cena começa, o jogo assume o controle da situação e o adversário consegue voltar para a partida. Em alguns momentos, a sensação é de que estou jogando normalmente e, de repente, o jogo decide interromper aquilo para contar novamente uma parte da história.

Os carregamentos também não ajudam. Algumas transições entre diálogos, ações e partidas são acompanhadas por telas de carregamento ou cortes para preto que acabam deixando tudo ainda mais travado.

Se essas cenas fossem inseridas de maneira mais natural, sem tantos cortes e interrupções, acredito que funcionariam muito melhor.

Isso é uma pena porque o jogo consegue entregar algumas cenas muito bonitas. Os golpes especiais continuam sendo um dos pontos altos visualmente e conseguem reproduzir muito bem aquele exagero que fez Captain Tsubasa ficar conhecido.

Captain Tsubasa 2: World Fighters vale a pena?

Captain Tsubasa 2: World Fighters conseguiu realizar uma parte daquele sonho que eu tinha quando era criança. O jogo coloca dentro de campo boa parte daquilo que tornava o anime tão divertido de assistir.

Os chutes absurdos, os dribles, as defesas impossíveis e as jogadas especiais estão todos aqui. E, para mim, essa continua sendo a melhor parte do jogo.

As melhorias no gameplay também fazem diferença. As partidas estão mais dinâmicas e o sistema de sequência deixa os ataques mais interessantes, enquanto a nova mecânica dos goleiros adiciona um pouco mais de tensão às finalizações.

O problema é que todo esse bom trabalho dentro de campo acaba cercado por uma estrutura que poderia ser muito melhor.

A campanha é linear, o New Star não tem tanta liberdade quanto eu gostaria, as cutscenes interrompem bastante as partidas e o jogo oferece poucas opções para continuar jogando depois de terminar a história. O online também não consegue resolver completamente esse problema.

Ainda assim, como fã de Captain Tsubasa, eu me diverti bastante. World Fighters não é o jogo perfeito que eu imaginava quando pensava em uma adaptação do anime, mas é provavelmente o mais próximo que já tivemos de colocar dentro de um videogame aquela sensação de assistir Tsubasa e seus companheiros fazendo jogadas completamente impossíveis.

Se você gosta de Captain Tsubasa, vai encontrar aqui muitos dos elementos que fizeram a série ser tão especial. Agora, se você esperava uma sequência que ampliasse bastante a fórmula de Rise of New Champions, pode acabar sentindo que faltou um pouco mais de ambição.

Agradecimento a Bandai Namco por nos fornecer uma cópia para review.

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