DIG Raiders: Caçadores de Buracos coloca você em uma rotina que mistura exploração subterrânea, confronto com alienígenas, coleta de recursos, gerenciamento de base e extração. Desenvolvido e distribuído pela Soda Game Studio em parceria com a Infiniti Fun, o jogo aposta em partidas rápidas e em uma estética cartunesca e humorística para construir sua própria versão do gênero de extração.
Dois modos no lançamento
Atualmente, DIG Raiders conta com dois modos principais: História e Disputa pelo Tesouro.
O modo História concentra a progressão e apresenta a maior parte do ciclo de exploração, coleta e melhoria da base. A proposta é simples. É preciso explorar as profundezas em busca de recursos, melhorar os equipamentos e administrar uma base que funciona como o centro da operação. São nove camadas subterrâneas para explorar, cada uma trazendo novas áreas e novas oportunidades para coletar materiais e avançar na progressão.

Já o modo de Disputa pelo Tesouro leva a proposta para o multiplayer competitivo. Duas equipes descem ao subterrâneo e competem pela coleta de gemas. Os pontos obtidos durante a exploração determinam qual equipe terá a melhor pontuação no momento da extração.
A ideia até funciona bem no papel porque transforma o próprio processo de mineração em uma disputa divertida. Mas o problema está na disponibilidade das partidas. Durante a experiência, encontrar salas abertas para jogar esse modo se mostrou uma tarefa bastante difícil, o que prejudica justamente um dos modos que poderia aumentar a variedade e a vida útil do jogo.
A Soda Game Studio também planeja adicionar mais modos com o passar do tempo, sendo eles: Mata-Mata TNT, Esquadrão Morteiro e Only Fans. Se esses modos chegarem acompanhados de uma comunidade online maior, eles podem ajudar a ampliar bastante a experiência do jogo.
Cavar, coletar, capturar alienígenas e melhorar
O modo História é aonde a experiência principal do jogo se encontra. A exploração leva o jogador para as áreas subterrâneas em busca de recursos, enquanto o dinheiro e os materiais obtidos servem para melhorar as ferramentas e desenvolver a base.
A progressão também está diretamente ligada ao objetivo desse modo, que é pagar as dívidas enquanto a estrutura da base cresce.
A administração da base, porém, é onde você encontra algumas das ideias mais absurdas do jogo. Os alienígenas não estão ali apenas como visitantes indesejados no seu mundo. Eles viram parte da sua cadeia de produção. É possível colocá-los em esteiras para gerar energia ou até utilizar uma máquina que extrai matéria-prima deles para produzir chá, que depois pode ser vendido na área comercial.

O jogo leva essa lógica de exploração ao extremo e transforma tudo em piada. Há um alienígena exposto que pode receber choques a qualquer momento nessa mesma área comercial, como se fosse um ponto turístico de entretenimento, enquanto outros podem ficar presos em jaulas e ser obrigados a dançar para gerar dinheiro. A situação fica ainda mais absurda e engraçada justamente porque essas ações aparecem integradas à administração normal da base.
Esse humor funciona porque DIG Raiders parece nunca se levar a sério. A situação mais absurda sempre será a próxima. A exploração dos alienígenas é tão exagerada que parece uma paródia da própria lógica de transformar qualquer recurso disponível em dinheiro. O jogador literalmente constrói sua operação em cima da exploração de criaturas alienígenas, e o jogo transforma cada nova possibilidade em mais uma piada.

É um contraste interessante com o restante da experiência. Enquanto a exploração subterrânea segue um ciclo relativamente tradicional de coletar recursos, voltar para a base e investir em melhorias, a administração transforma esse processo em uma sucessão de situações cada vez mais absurdas.
Sete personagens e uma coleção de skins
O jogo conta com sete personagens disponíveis no lançamento, cada um com suas próprias skins, e todos eles são humanos vestidos de animais, visto que os dispositivos alienígenas atiram em qualquer coisa que se pareça com um humano.
As skins são obtidas por meio de um sistema interno de gacha. A diferença é que, em vez de depender diretamente de dinheiro real, o jogador consegue moedas ao explorar o próprio jogo e pode utilizá-las para buscar novos visuais.
Isso cria uma relação interessante entre exploração e personalização, visto que jogar mais significa conseguir mais moedas, que por sua vez permitem ampliar a coleção de skins, que são bem engraçadas.
Ainda assim, a variedade de personagens e cosméticos não resolve o principal problema de DIG Raiders: a necessidade de oferecer motivos suficientes para continuar jogando em um gênero no qual a concorrência cresce rapidamente a cada mês que passa.
O problema está no mercado
O maior obstáculo de DIG Raiders não está necessariamente na execução dele, mas no momento em que ele chega ao mercado.
Os jogos de extração ganharam bastante espaço nos últimos anos, principalmente com o suceesso de jogos como ARC Raiders e Escape from Tarkov, e isso fez com que diferentes projetos passassem a disputar a atenção do mesmo público. Em meio a experiências com comunidades estabelecidas e propostas mais robustas, DIG Raiders precisa encontrar uma maneira mais clara de se destacar.
O jogo possui algumas ideias próprias, principalmente na combinação entre mineração, gerenciamento da base e o humor absurdo envolvendo os alienígenas. Porém, essas características ainda não são suficientes para fazer com que ele se torne imediatamente indispensável dentro do gênero. O baixo número de jogadores simultâneos comprova isso.
O preço base de R$ 29,99 até ajuda nesse cenário. Por esse valor, a proposta se torna mais fácil de recomendar para quem tem curiosidade pelo estilo ou procura uma experiência menor para jogar por algumas horas. Mas o problema aparece quando a comparação deixa de ser apenas financeira e passa para a quantidade de conteúdo e a força da comunidade.
Uma boa base para crescer, mas falta conteúdo
DIG Raiders: Caçadores de Buracos é uma experiência divertida a curto prazo, que reúne bem o ciclo de explorar, coletar recursos e investir em melhorias. O gerenciamento da base acrescenta uma camada interessante à fórmula, enquanto o humor absurdo envolvendo os alienígenas dá personalidade ao projeto.

O modo História é, atualmente, o conteúdo mais consistente. Os demais modos multiplayer sofrem com a dificuldade de encontrar jogadores e formar partidas.
Ainda assim, o maior desafio está em transformar essa boa base em uma identidade forte o bastante para competir em um gênero cada vez mais concorrido. DIG Raiders tem ideias interessantes e um preço acessível. No entanto, ainda precisa de mais conteúdo e de uma comunidade maior para mostrar todo o seu potencial.
Por R$ 29,99, é uma opção interessante para quem gosta de jogos de extração e procura uma abordagem mais leve e descontraída para jogar com seus amigos. Para se tornar um dos grandes nomes do gênero, porém, a Soda Game Studio ainda vai ter que cavar um pouco mais fundo.
Análise realizada na Steam com chave enviada pelo estúdio.
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