Jogadores do Roblox, plataforma de games popular entre crianças e adolescentes, têm incentivado interações de conotação sexual disfarçadas de brincadeiras. Alerta surge em momento delicado para a empresa de jogos, que recebe inúmeras denúncias sobre a segurança e exploração de crianças no Roblox.
No TikTok, pais e jogadores alertam a comunidade sobre o novo comportamento de simulação de comportamento sexual em troca do famoso Robux, moeda virtual do jogo.
A psicóloga e mentora, Léa Raquel, publicou um vídeo no qual explica sobre o novo fenômeno. “É o uso do corpo do avatar para simular interações ‒ que vão desde um serviço até insinuação sexual, muitas vezes usando vocabulário que nem deveria fazer parte do universo infantil”, explica.
Impactos para infância
A psicóloga também avalia que esse tipo de aprendizado comportamental no jogo é prejudicial na infância, isso porque o cérebro infantil não distingue entre o que é virtual e real. “Tudo que se normaliza no jogo, se naturaliza na vida real”, reforça.
Para Telma Vinha, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, em entrevista à Folha de São Paulo, revela que vivenciar tais situações na infância pode comprometer a construção de vínculos futuros e dificultar a percepção do que é cuidado, confiança, respeito e privacidade.
Crise do Roblox
Diante de inúmeros questionamentos sobre a segurança de crianças e adolescentes nos jogos, o Roblox enfrenta uma crise sem precedentes.
Recentemente, o banimento do youtuber Schlep da plataforma por investigar e atrair predadores sexuais em emboscadas chamou atenção da comunidade e uma petição online foi criada. Com mais de 230 mil assinaturas, apoiadores demandam por mais medidas de segurança na plataforma e a renúncia do CEO David Baszuck.
Em nota divulgada em 13 de agosto, Matt Kaufman, diretor de segurança do Roblox, explica que o comportamento de “vigilantes” gera ambiente inseguro para os usuários.
Para o diretor, o Roblox recebe uma média diária de 6,1 bilhões de mensagens no bate-papo. Mesmo que em sua maioria segura e civilizada, ainda há uma parcela de pessoas mal-intencionadas no chat. “É por isso que continuamos investindo significativamente em segurança para ajudar a proteger os usuários desses malfeitores”, ressalta.
O texto ainda reforça a colaboração da plataforma com o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), organização privada sem fins lucrativas dos EUA, com o envio de mais de 2.400 relatórios sobre violação de diretrizes da plataforma e ações potencialmente criminosas.
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