Lançado na última quinta-feira (26), o episódio 8 da terceira temporada de Jujutsu Kaisen (55 no toal) até ameaça, mas não acelera o ritmo com a tensão crescente do Jogo do Abate para apresentar uma peça fundamental do arco: Hiromi Higuruma.
A Colônia de Tóquio Nº2 não entrega explosões ou grandes coreografias e sim algo mais silencioso e potencialmente mais devastador: um confronto ideológico. E, por fim, prepara o terreno para um dos embates mais aguardados do arco: o julgamento de Itadori.
Seguimos tensos e na espera por boas batalhas
O episódio funciona quase como um prólogo para o que está por vir. A movimentação é contida, o clima é pesado e a atmosfera é marcada por incerteza. Mantendo o teor técnico que divide a opinião de fãs durante a temporada, a direção aposta na sensação constante de que algo está sendo construído, não em termos de explosão física, mas de conflito moral. Diálogos mais densos, enquadramentos fechados e uma trilha que reforça o desconforto, além de cores que reforçam tudo isso são destaque.
Para quem, assim como eu, esperava ação imediata, pode parecer inicialmente apenas um episódio de transição. Mas é exatamente esse respiro que torna o impacto do “julgamento” que está por vir mais promissor.

Higuruma e o retorno do senso de justiça
A breve, porém profunda, introdução de Hiromi Higuruma é o ponto alto do episódio. Ex-advogado, consumido pela frustração com um sistema falho, ele carrega algo que a série havia perdido desde a despedida de Kento Nanami: o senso de justiça como motor da luta.
Nanami acreditava na responsabilidade individual dentro de um mundo caótico. Ele estava cansado, mas não corrompido. Lutava mesmo sabendo que o sistema era imperfeito. Higuruma é diferente.
Ele também acreditava na justiça, mas foi traído por ela. A decepção o levou à ruptura. Não é alguém que luta apesar do sistema. É alguém que decidiu confrontá-lo, mesmo que isso signifique distorcer sua própria moralidade. Essa diferença é crucial.
Higuruma não é um vilão clássico. Ele é produto de um mundo que falhou. Sua presença traz de volta à narrativa uma discussão que sempre esteve ali, mas que havia sido soterrada pela brutalidade de Shibuya: até que ponto vale continuar acreditando?

Itadori diante do “tribunal” de Higuruma: o hospedeiro de Sukuna é inocente?
Se Higuruma representa a justiça corrompida pela frustração, Itadori representa a culpa. Desde os eventos de Shibuya, Yuji carrega o peso das mortes causadas por Sukuna. Seu conflito interno nunca foi totalmente resolvido, apenas empurrado para frente pela necessidade de continuar lutando e, principalmente, de ajudar Fushiguro.
O julgamento que se aproxima não é apenas jurídico dentro das regras da Técnica Amaldiçoada de Higuruma e seu promissor Domínio. É simbólico: Itadori provavelmente será confrontado não apenas por um adversário, mas por sua própria responsabilidade.
E aqui está um ponto interessante: Higuruma pode funcionar como catalisador para a reconstrução moral de Yuji. Se Itadori conseguir convencer Higuruma de suas intenções, talvez recupere algo que parecia perdido: a crença de que lutar ainda faz sentido.
O embate que se aproxima não será apenas físico. Será ideológico, resta saber se a direção saberá trazer uma boa coreografia – se necessária – e apresentar esta dualidade de forma dinâmica e épica.

Jujutsu segue menos explosivo, mas acerta na tensão
Parte da minha recepção ao episódio gira em torno da expectativa por ação. E, de fato, ele é mais um dos já habituais capítulos contidos desta temporada. Mas acredito de verdade que a escolha é consciente. O arco do Jogo do Abate não se sustenta apenas por combates; ele depende da construção de personagens que personificam diferentes respostas ao caos instaurado por Kenjaku – para então trazer ainda mais peso para batalhas épicas e possíveis “traumas animescos” que estão por vir.
Higuruma surge como um desses reflexos. A animação mantém consistência, embora sem grandes momentos de espetáculo, se fortalecendo nos detalhes e trazendo técnicas que não são novas, mas que provavelmente passarão a ser referência a partir de agora em outros animes. A direção prioriza tensão e construção dramática. É um episódio que aposta no diálogo e na preparação.
Entendo que nem todo capítulo precisa ser uma batalha memorável. Alguns precisam preparar o campo para que ela seja significativa – Jujutsu só precisa tomar cuidado pra não se tornar maçante e desinteressante antes da ação finalmente chegar.

Jujutsu Kaisen retorna com seu episódio 56, o nono da terceira temporada, na próxima quinta-feira (5). Não deixe de acompanhar esta aventura junto de nossas impressões dessa fase do anime durante as próximas semanas!
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