Na última quinta-feira (26), o anime de Jujutsu Kaisen deu fim à terceira temporada no episódio 12, “A Colônia de Sendai” – o número 59 no total. Após episódios bem avaliados, mas que dividiram parte dos fãs da obra original, a animação ofusca qualquer possibilidade das críticas sobressaírem com o episódio de anime mais bem avaliado do ano pelo IMDb – incríveis 9,9 de 10.
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E esse último dado quase me incentiva a afirmar algo que senti logo após assistir ao último episódio, porém, prefiro manter cautela: ainda assim, sem dúvidas, este foi um dos melhores episódios de anime que já assisti – queria cravar o melhor, mas melhor evitar qualquer arrependimento futuro.
28 minutos de puro entretenimento
Acho que já ficou claro, mas só pra esclarecer: por mais que eu possa apontar alguns “contras”, vou adotar um tom de escrita diferente do habitual por aqui e me permitir “rasgar ceda” para o episódio, ok? Foram 28 minutos que passaram mais rápido do que os pouco mais de 20 habituais. Talvez, inclusive, isso explique o porque deste ser o último da temporada, mesmo tão “cedo” – com certeza deu muito trabalho pra animar, além de subir o nível de exigência pra continuidade da obra, que precisará de tempo para ser lapidada.
Quer mais entretenimento que um embate de vida ou morte entre um dos feiticeiros mais fortes da atualidade e dois feiticeiros de elite reencarnados – além de um “baratão” amaldiçoado nojento? E por mais que a obra não tenha tido – ao menos por enquanto – coragem em ir até o final com isso, tivemos ao menos um “gostinho” do quão absurdo pode ser ver em tela as expansões de domínio de três feiticeiros de elite ativadas ao mesmo tempo – maldita barata. Será que sobraria algo de Sendai? Eu duvido muito.
Anteriormente foi dito pelo próprio diretor do anime que o episódio 8 da terceira temporada seria responsável por iniciar uma “nova era” em Jujutsu. No entanto, para mim, o último episódio é o verdadeiro divisor de águas em todas as esferas possíveis.

Menos “liquidez”, mais peso em batalhas
Algo que me incomodou no episódio anterior e tem sido, inclusive, um ponto de debate entre parte da comunidade de Jujutsu, foi o excesso de movimentos “liquidificados” na animação das lutas para passar uma sensação maior de velocidade.
Neste episódio isso permanece em algumas cenas, mas é muito bem mesclado com algo que já havia me deixado embasbacado no embate entre Yuta e Itadori no início da temporada: golpes em que podemos sentir o peso de cada soco, corte ou até mesmo feitiço. Por mais veloz que Yuta e seus adversários possam ser, a animação se permite “desacelerar” em golpes chaves para passar uma maior impressão de força e poder – isso não é inovador, mas funciona demais em tela e ajuda a manter a suspensão da descrença ao meu ver.

E este “peso” não se encontra apenas nos golpes. Por mais frenética que possa ser a luta entre três feiticeiros de níveis absurdos pela sobrevivência, o anime consegue pesar positivamente a mão nos momentos de apreciação durante a luta – ok, o “blá, blá, blá” fica de lado aqui e algumas informações importantes ficam até mesmo jogadas, mas quando o anime se propões respirar entre os feitiços e socos, temos muito a absorver nos detalhes.

Uma verdadeira aula de animação com o professor Gosso
Acho que é chover no molhado elogiar a animação, mas é preciso dar um destaque ainda maior para o feito de Shota Goshozono, o diretor de animação, e todo o estúdio MAPPA neste episódio.
Sabemos por meio de acontecimentos passados da indústria o quão estressante pode ser dedicar horas e horas para animar um episódio de anime com alta expectativa e demanda como Jujutsu Kaisen. No entanto, independente de qualquer exigência de bastidores, fica claro o quanto foi colocada paixão no processo de animação de toda a terceira temporada, mas principalmente neste episódio, e o resultado não poderia ser outro se não uma verdadeira obra de arte.

Yuta divide o protagonismo com Itadori
Vimos anteriormente, em Jujutsu Kaisen 0, o potencial de protagonismo de Yuta Okkotsu até mesmo em sua versão inicial, onde víamos mais medo e descontrole emocional de um adolescente que havia despertado um poder amaldiçoado nunca antes visto. O tempo passou e o aluno prodígio de Satoru Gojo mudou muito, mas manteve, mesmo em meio a tanto peso no olhar, o carisma necessário para carregar um episódio final inteiro nas costas.
Não que fosse preciso, visto que Itadori é um dos melhores e mais profundos protagonistas criados nos últimos anos, mas isso só mostra o potencial de Yuta. Com o selamento de Satoru Gojo e seu verdadeiro sumiço em tela nestes últimos doze episódios, uma “lacuna” precisava ser abastecida, mesmo que silenciosamente, a do Deus ex machina – e se tudo der errado, quem irá salvar o dia?
Itadori, claro, tem o protagonismo ao seu favor, mas também precisa demonstrar fraquezas e é aí que o “novo” Yuta entra, sendo não só apontado pela narrativa como um feiticeiro capaz de igualar e quem sabe até mesmo superar o nível de poder de Satoru Gojo, como também provando seu poder de forma natural e extremamente satisfatória de se assistir.

E agora, como ficamos?
Se doze episódios já eram pouco, após o que vimos no fim da terceira temporada o gosto de “quero mais” fica ainda maior e levemente amargo. Devo confessar que chega a ser até um pouco decepcionante saber que só devemos ter a sequência dos eventos do Jogo do Abate na quarta temporada em 2027 (segundo previsões), além de achar perigoso, visto o nível de expectativa que a própria qualidade do anime atingiu – isso pode ser um tiro no pé, principalmente em meio a notícias sobre mudanças de liderança nos bastidores.
No entanto, se o objetivo é prender a audiência e manter o público ativo em tudo o que se refere ao universo de Jujutsu Kaisen, a terceira temporada fez isso com maestria. Nos resta agora aguardar e torcer para que momentos como os presenciados no episódio 59 sejam ainda mais frequentes no retorno do anime.
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