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Crítica | Jujutsu Kaisen – Episódios 57 e 58: Megumi cresce de forma épica no Jogo do Abate

Confesso que a correria das últimas semanas me fez tomar uma decisão que, no fim das contas, pareceu até mais justa com o que Jujutsu Kaisen vem construindo neste período em que estive distante: assistir e analisar os episódios 57 e 58 (10 e 11 da terceira temporada) como uma coisa só. E faz sentido. Existe uma continuidade muito clara entre eles, especialmente no embate entre Megumi e Reggie Star, que se desenrola como um único grande momento dividido em duas partes, enquanto novos elementos e personagens são apresentados em segundo plano.

Mais do que isso, esses episódios reforçam algo que já vinha sendo trabalhado desde o início da temporada: o quanto o universo de Jujutsu está se expandindo em possibilidades, conceitos e riscos. Nem tudo funciona perfeitamente, temos de convir, mas quando acerta, acerta em cheio.

Um leque de poderes cada vez mais criativo e ousado

Se existe algo que essa temporada tem feito com consistência, é ampliar o escopo das habilidades dentro desse universo de forma quase ousada demais. E isso fica muito evidente aqui, especialmente com a introdução mais aprofundada de Fumihiko Takaba.

Mesmo sendo um personagem cujo humor não me pega tanto, é impossível não reconhecer o quão genial é a ideia por trás dele. A força de Takaba está diretamente ligada àquilo que ele acredita ser engraçado. Não importa se funciona para o público ou não – se ele acha graça, aquilo se torna realidade. E isso muda completamente a lógica de poder dentro da obra, além de coloca-lo num patamar que seria possível dar trabalho até mesmo a Satoru Gojo.

É um conceito que beira o absurdo, mas que, ao mesmo tempo, faz todo sentido dentro da proposta de Jujutsu Kaisen. É quase como se a série dissesse, sem medo: não existem limites claros aqui, apenas regras que ainda não foram completamente exploradas. E isso, na minha opinião, é fascinante.

Megumi x Reggie Star: estratégia, destruição e intensidade

A primeira parte da luta entre Megumi e Reggie Star é, sem exagero, uma das mais interessantes da temporada até aqui. Existe um cuidado muito grande em construir o embate como algo mais do que simples troca de golpes. Além de, é claro, sermos apresentados à interessantíssima expansão de domínio de um dos nossos protagonistas – mesmo que ainda incompleta.

Os dois personagens se estudam, testam limites, tentam entender o funcionamento das habilidades um do outro enquanto Tóquio vai sendo destruída ao redor deles. E essa destruição não é só estética, ela ajuda a dar peso, escala e urgência para o combate.

A forma como o feitiço do feiticeiro reencarnado vai sendo revelado aos poucos também funciona muito bem. Não é algo jogado de qualquer jeito – afinal de contas, ele não usaria vários bilhetes pelo corpo se não houvesse um motivo plausível pra isso, certo? – Existe um ritmo, uma construção, uma tentativa de fazer o espectador acompanhar aquele raciocínio.

Mas é justamente na segunda parte desse confronto que as coisas ficam… mais complicadas. A escolha de animação com corpos “liquidificados”, que até então vinha funcionando em alguns momentos, aqui me tirou completamente da experiência. Entendo a intenção de transmitir velocidade, impacto, fluidez. Mas, nesse caso específico, parece que passou do ponto.

Os movimentos ficam difíceis de acompanhar, os corpos perdem definição e, em vez de intensificar a luta, acabam criando uma certa confusão visual. É um daqueles casos em que a ideia é boa, mas a execução divide e, para mim, não funcionou tão bem quanto poderia. Porém, faz parte, gosto das ideias comprada pelos animadores nesta temporada e prefiro que arrisquem para nos entregar algumas obras de artes, como em alguns dos últimos episódios, e aceito o “preço” de não curtir muito algumas escolhas.

Jujutsu Kaisen peca por muitas vezes se levar a sério demais

Esse é um ponto que vem me incomodando aos poucos, e nesses episódios ficou ainda mais evidente – principalmente o da última quinta-feira (26).

Jujutsu Kaisen sempre teve um lado quase “científico” na forma como explica seus poderes. Expansões de domínios, técnicas inatas, regras de funcionamento… tudo isso sempre foi muito bem embasado, o que dá uma sensação de profundidade e coerência ao universo. Mas existe uma linha tênue entre enriquecer a narrativa e sobrecarregá-la.

Durante a luta entre Megumi e Reggie, há momentos em que as explicações começam a quebrar o ritmo. Eu me peguei, sinceramente, querendo apenas ver a luta acontecer, sentir o impacto, acompanhar as decisões dos personagens, sem precisar processar uma quantidade tão grande de informação ao mesmo tempo.

E aqui entra um ponto pessoal: em alguns momentos, eu simplesmente optei por não prestar tanta atenção nas explicações. Preferi observar, sentir o combate, deixar a experiência fluir. Porque, se eu tentasse entender cada detalhe técnico naquele ritmo, perderia justamente o que a cena tinha de mais forte.

É curioso, porque aquilo que é uma das maiores qualidades da obra também se torna, em certos momentos, um obstáculo para que possamos aproveita-la de forma mais satisfatória. Acredito que, no mangá, esse seja um ponto menos sensível, visto que por lá é so voltar e ler as explicações, sem perder tanto o ritmos das lutas.

Yuta ressignifica a expressão “farmar aura”

Se tem algo que Jujutsu Kaisen sabe fazer muito bem, é encerrar episódios criando expectativa. E o final do episódio 58 é prova disso.

A forma como a narrativa apresenta os três grandes poderes – ah, tem também uma barata… isso mesmo, uma barata amaldiçoada – atuando na outra barreira de Tóquio é extremamente eficiente. Em poucos instantes, tudo parece equilibrado, como se estivéssemos prestes a acompanhar um jogo estratégico entre forças bem definidas.

E então, Yuta Okkotsu entra em cena. E quebra completamente esse equilíbrio. A presença dele muda tudo. Não só pela força demonstrada a derrotar rapidamente um aparentemente forte e experiente feiticeiro, mas pela aura, pela sensação de que algo grande está prestes a acontecer. É aquele tipo de momento que não precisa de muito tempo de tela – ou grandes explicações – para funcionar basta aparecer, e o impacto já está feito.

Saí desses dois episódios com a sensação de que estamos entrando, de fato, em um novo nível dentro da temporada. Um nível onde as peças já estão posicionadas e agora começam a se mover de verdade.

Jujutsu Kaisen retorna com seu episódio 59, o décimo segundo da terceira temporada, na próxima quinta-feira (26). Não deixe de acompanhar esta aventura junto de nossas impressões dessa fase do anime durante as próximas semanas!

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Colaborador do Conecta Geek desde 2024, nasci no estado do Rio de Janeiro e alinho minhas maiores paixões à minha vocação através da produção de conteúdo. Entre as minhas áreas de maior domínio e experiência profissional estão o o universo geek, o automobilismo e os esportes em geral, principalmente o futebol. Certificado como Jornalista Digital e Social Media pela Academia do Jornalista, contribui no passado como Editor-chefe nos portais R7 Lorena e iG In Magazine e fui Colaborador do portal esportivo Torcedores.