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Lollapalooza 2026 | Oruã não tava preso? E onde fica a Cidade Dormitório?

Conheça as atrações que você talvez não conheça do festival

O Lollapalooza Brasil 2026, marcado para os dias 20 a 22 de março em São Paulo, promete mais uma edição marcada pela mistura de grandes astros internacionais e pela valorização da cena nacional. São 71 atrações confirmadas, sendo 31 delas brasileiras. E, no meio de nomes já consagrados, surgem grupos que talvez ainda não estejam no radar do grande público, mas que representam parte importante da produção musical independente do país.

O festival, conhecido por reunir gêneros diversos e dar palco para descobertas, vai abrigar desde supergrupos recém-formados até bandas veteranas da cena alternativa que batalham há anos em circuitos menores. Cada uma delas traz uma proposta distinta — da psicodelia experimental ao rock progressivo nordestino, passando pelo dream pop brasileiro e pela fusão de ritmos urbanos com influências globais.

A seguir, conheça mais sobre cada uma das atrações que despertaram a curiosidade dos fãs.

Cidade Dormitório

Lollapalooza 2026 | Oruã não tava preso? E onde fica a Cidade Dormitório?
Cidade Dormitório/Divulgação

Entre as bandas independentes confirmadas, a Cidade Dormitório talvez seja uma das que melhor simboliza a luta de quem insiste em manter viva a cena alternativa brasileira. Formada em 2015 na cidade de São Cristóvão, em Sergipe, o nome do grupo vem justamente da condição do município: uma “cidade dormitório”, conceito urbano para localidades que servem de moradia a trabalhadores e estudantes que se deslocam diariamente para centros maiores, como Aracaju.

Com uma sonoridade que transita entre o pós-punk, a psicodelia experimental e o que eles mesmos chamam de “neo grunge psicológico”, a banda se consolidou ao narrar em suas letras a solidão, o concreto das cidades e as complexas relações humanas da vida moderna.

Em dez anos de estrada, o grupo lançou discos como “Fraternidade-Terror” (2019) e “RUÍNA ou O começo me distrai”. Passou por trocas de formação, sobreviveu à pandemia e seguiu apostando no álbum como obra artística completa, em uma contracorrente à lógica da indústria que privilegia singles lançados rapidamente. Hoje, a banda é formada por:  Yves Deluc (vocal e guitarra), Fabio Aricawa (bateria e voz), João Mário (baixo e voz) e lllucas (guitarra e voz).

Para o Lollapalooza, a banda chega em momento de celebração: uma década de carreira construída com solidariedade, conexões e resiliência. Eles próprios descrevem a trajetória não como teimosia, mas como um ato de vínculo e experiência coletiva.

Foto em Grupo

Lollapalooza 2026 | Oruã não tava preso? E onde fica a Cidade Dormitório?
Foto em Grupo/Divulgação

Se existe um nome nacional que virou assunto desde o anúncio do line-up, esse nome é o Foto em Grupo. O projeto apareceu em posição de destaque no cartaz do Lollapalooza, acima até de artistas veteranos como Negra Li, Mundo Livre S/A e Agnes Nunes. O curioso é que, até então, ninguém tinha ouvido falar do grupo.

Sem músicas lançadas nas plataformas digitais e com redes sociais discretas, o mistério em torno do projeto só aumentou. Segundo informações da Rolling Stone Brasil, tudo indica que o Foto em Grupo é uma espécie de supergrupo que reúne quatro artistas de destaque da música brasileira atual: Pedro Calais e Otavio “Zani” Cardoso, respectivamente vocalista e guitarrista do Lagum, Ana Caetano, do duo Anavitória, e João Ferreira, vocalista e guitarrista do Daparte.

Na bio oficial do Instagram, a banda se apresenta com a frase: “A gente já fazia som junto, só não lançava em grupo.” Não há ainda registro oficial de singles ou álbuns, mas os fãs já começaram a especular sobre a sonoridade. Como há artistas vindos tanto do pop quanto do indie rock, a expectativa é de uma fusão entre estilos radiofônicos e uma pegada mais alternativa.

Oruã

Lollapalooza 2026 | Oruã não tava preso? E onde fica a Cidade Dormitório?
Oruã/Divulgação

Oruã é uma banda carioca que muitas vezes é confundida pelo nome quase idêntico ao do rapper Oruam, que se apresentou no festival em 2024. Apesar da semelhança de pronúncia e escrita, são artistas totalmente distintos: enquanto o rapper atua no trap e hip hop, a Oruã é uma banda de rock psicodélico com fortes influências de afrobeat e indie experimental.

Fundada em 2017 pelo guitarrista e produtor Lê Almeida, a banda conta também com Ana Zumpano (bateria), João Casaes (sintetizadores) e Bigú Medine (baixo). O grupo tem quatro álbuns lançados, explorando camadas de efeitos lo-fi e texturas sonoras que dialogam tanto com a psicodelia dos anos 1970 quanto com a cena indie contemporânea.

Uma das músicas mais conhecidas é “Disciplina”, marcada por versos reflexivos sobre relações e futuro. O álbum mais recente, “Passe”, consolidou a projeção internacional do grupo, rendendo turnê pelos Estados Unidos, participação na rádio KEXP e uma sequência de shows pela Europa esse ano.

Papangu

Lollapalooza 2026 | Oruã não tava preso? E onde fica a Cidade Dormitório?
Foto: Vladimir Silverio

Se há uma banda que simboliza a mistura entre tradição cultural e inovação sonora, essa é a Papangu. Vinda da Paraíba, a banda se destaca por unir rock progressivo com elementos de ritmos nordestinos, como o maracatu, e ainda acrescentar doses de metal e experimentação.

O grupo, formado por seis integrantes, tem apenas dois álbuns lançados, mas já alcançou reconhecimento considerável. O mais recente, “Lampião Rei”, foi recebido com elogios da crítica especializada e consolidou a proposta ousada da banda. Em suas apresentações, instrumentos inusitados como flauta, triângulo e até uma galinha de borracha se misturam a riffs pesados, criando um espetáculo que oscila entre o folclórico e o moderno.

O sucesso abriu portas maiores: eles subiram ao palco do Knotfest Brasil 2024, festival de metal que reúne bandas gigantes do gênero, e embarcaram em sua primeira turnê internacional, passando por países da Europa.

Para o público do Lolla, a Papangu representa a quebra de fronteiras sonoras e culturais, levando a força da música nordestina para um espaço de visibilidade global.

Papisa

Papisa
Divulgação

A Papisa é outro nome que deve atrair atenção no Lolla 2026. O projeto é liderado pela artista paulista Rita Oliva, que mistura indie psych rock, dream pop e referências brasileiras em uma sonoridade etérea, mas de forte identidade nacional.

Papisa começou a chamar atenção em 2016, com o lançamento de seu primeiro EP. Pouco tempo depois, passou a circular por palcos importantes do Brasil e também internacionais, incluindo o SXSW, em Austin, no Texas. Sua música “Dores no varal” chegou a ganhar destaque em rádios norte-americanas.

O primeiro álbum, “Fenda”, apresentou uma estética melancólica, explorando temas como ciclos de vida e morte, impermanência e renascimento. Já o segundo disco, “Amor delírio” lançado ano passado, produzido por Tagua Tagua, aprofundou sua proposta ao falar de encontros e desencontros amorosos. Entre atmosferas doces e ácidas, o álbum reforça a dualidade da artista e sua capacidade de traduzir emoções complexas em música.

Terraplana

Terraplana
Terraplana/Divulgação

Com base em Curitiba, a Terraplana vem se consolidando no cenário indie brasileiro no cenário pós-pandêmico. O grupo, formado por Stephani Heuczuk (voz e baixo), Vinícius Lourenço (voz e guitarra), Cassiano Kruchelski (voz e guitarra) e Wendeu Silverio (bateria), tem como marca a sonoridade próxima do shoegaze e do indie alternativo.

Em março eles lançaram o segundo álbum de estúdio, “Natural”, pela Balaclava Records, com distribuição global feita pela Flesh and Bone Records. O trabalho ampliou o alcance internacional do grupo, que já havia tocado em países como Argentina e Estados Unidos.

Antes disso, em 2023, a banda foi uma das atrações do Primavera na Cidade, espécie de aquecimento para o Primavera Sound São Paulo, e ainda abriu o show da banda britânica Slowdive ano passao, referência mundial no shoegaze.

Com guitarras etéreas, vocais delicados e uma estética carregada de camadas sonoras, a Terraplana chega ao Lolla pronta para apresentar ao grande público brasileiro a atmosfera envolvente que vem conquistando ouvintes ao redor do mundo.

Lollapalooza 2026

No Lollapalooza, Papisa deve apresentar um show introspectivo, com camadas sonoras delicadas e arranjos que equilibram sutileza e intensidade.

Os ingressos para os três dias de festival já estão disponíveis pelo site do Ticketmaster, com valores entre R$ 1.077 e R$ 5.254, variando conforme setor e modalidade. As entradas diárias ainda não foram liberadas.

Criado em 1991 por Perry Farrell, do Jane’s Addiction, o Lollapalooza se tornou um dos maiores festivais de música do mundo. No Brasil, a primeira edição aconteceu em 2012, e desde então o evento é realizado anualmente em São Paulo.

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Resultado de uma experiência alquímica que envolvia gibis, discos e um projetor valvulado. Editor-chefe, crítico, roteirista, nortista e traficante cultural.