Nvidia anuncia DLSS 5 prometendo revolução gráfica com IA, mas repercussão já é negativa
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Nvidia anuncia DLSS 5 prometendo revolução gráfica com IA, mas repercussão já é negativa

A Nvidia apresentou na segunda-feira (16) o DLSS 5, a nova geração de sua tecnologia de renderização por Inteligência Artificial (IA), durante a GPU Technology Conference (GTC) de 2026. O recurso, que chega ao mercado no outono do Hemisfério Norte (primavera no Brasil), foi classificado pelo CEO da empresa, Jensen Huang, como o “momento GPT dos gráficos”, representando a maior evolução do setor desde a introdução do ray tracing em 2018. Grandes estúdios como Capcom, Bethesda, Ubisoft, Tencent e Warner Bros. Games já confirmaram suporte à tecnologia.

Diferente das versões anteriores, focadas em desempenho e upscaling, o DLSS 5 utiliza um modelo de neural rendering em tempo real. O sistema analisa cores e vetores de movimento de cada cena para injetar, via IA, iluminação e materiais fotorrealistas em pixels, simulando efeitos complexos como a dispersão de luz na pele e em tecidos — um nível de detalhe até então restrito a produções de Hollywood. A promessa é que a tecnologia opere em resolução 4K sem comprometer a fluidez dos jogos, mantendo a consistência entre os quadros.

Apesar do ambicioso avanço técnico, a receptividade do público foi negativa. O vídeo de apresentação no canal GeForce acumulou dezenas de milhares de dislikes em poucas horas, com a comunidade acusando a Nvidia de transformar os jogos com um “filtro de IA” (apelidado de “AI slop filter”) que descaracteriza a visão artística dos desenvolvedores.

As críticas mais contundentes vieram das comparações visuais. Em títulos como “Starfield” e “Resident Evil Requiem”, os personagens aparecem com feições alteradas, texturas de pele excessivamente suavizadas e iluminação que, segundo os jogadores, se assemelha a um filtro de aplicativo de edição, como Instagram ou Snapchat, em vez de uma melhoria orgânica.

No caso da protagonista Grace Ashcroft, usuários notaram a adição de maquiagem e mudanças nas expressões faciais, algo visto como uma interferência na identidade visual original. Claro, após essa repercussão toda, não demorou para o assunto virar piada.

A polêmica forçou a empresa e seus parceiros a se manifestarem. Em um comentário no próprio vídeo de anúncio, a Nvidia afirmou que o DLSS 5 “não é um filtro” e que as desenvolvedoras terão controle artístico total sobre os efeitos, podendo ajustar intensidade, cores e até mascarar áreas onde a tecnologia não deve atuar. A Bethesda, por sua vez, endossou a novidade, mas recuou diante da crise: “Esta é uma amostra inicial. Nossas equipes ajustarão o efeito final para cada jogo. Será totalmente opcional para os jogadores”.

A nova tecnologia será compatível com as GPUs da linha RTX 50, embora a Nvidia não tenha detalhado se as gerações anteriores terão suporte. Títulos como “Assassin‘s Creed Shadows”, “Hogwarts Legacy” e “The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered” estão na lista de estreia.

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Resultado de uma experiência alquímica que envolvia gibis, discos e um projetor valvulado. Editor-chefe, crítico, roteirista, nortista e traficante cultural.