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Review | Code Vein 2 prova que uma sequência pode ser pior que seu antecessor

A análise não contém spoilers, mas você não iria se importar se tivesse

A análise não contém spoilers, mas você não iria se importar se tivesse

Eu sou fã declarado de Soulslike. Jogo praticamente tudo que aparece, seja da FromSoftware ou de qualquer outro estúdio que tente seguir essa linha. Quando anunciaram Code Vein 2, tratei como obrigação pessoal.

Depois de Elden Ring, sempre fico curioso para ver quem vai tentar dar o próximo passo em escala. O problema é que, desta vez, foi difícil encontrar motivos para me empolgar e mais difícil ainda encontrar pontos realmente positivos.

Desenvolvido pela Bandai Namco Studios e publicado pela Bandai Namco Entertainment, Code Vein 2 chegou em 29 de janeiro de 2026 para PC, PS5 e Xbox Series X|S com a proposta de ampliar tudo que o primeiro fez. Mundo aberto, viagem no tempo, mais conteúdo. Na prática, porém, essa expansão explodiu o que funcionava.

Voltar ao Code Vein hoje é quase revelador. O primeiro tinha identidade visual forte e um ritmo mais concentrado. A sequência tenta ser maior, mas não necessariamente melhor. Ficou curioso? Fica comigo nesta review de Code Vein 2 e saiba tudo o que achei do game. Ressalto que o jogo possui legendas e textos em PT-BR.

Essa review de Code Vein 2 foi feita na versão de PlayStation 5, com um código cedido pela Bandai Namco.

A história principal não empolga

A estrutura narrativa envolve viagem no tempo, revenants e um apocalipse iminente. No papel, parece interessante. Na prática, não me envolveu.

Em vários momentos eu joguei por jogar. Não porque queria descobrir o próximo passo da trama, mas porque já estava ali. A história principal não me motivou. Não senti curiosidade real sobre o desfecho ou sobre o objetivo maior da protagonista. Curiosamente, o que me segurou foram as histórias secundárias.

Quests secundárias são o ponto forte

As missões secundárias são, para mim, o melhor aspecto narrativo do jogo. Os NPCs têm histórias interessantes. Assim, ao fazer favores e cumprir pedidos, você descobre pequenos arcos pessoais que funcionam melhor do que a trama central. Algumas dessas histórias são bem construídas e conseguem criar conexão.

Existe um contraste claro: enquanto a narrativa principal é desinteressante, os personagens secundários conseguem gerar envolvimento. Se o foco tivesse sido mais concentrado nisso, talvez o resultado fosse diferente.

Code Vein 2 é muito pobre visualmente

Visualmente, Code Vein 2 é fraco. E não é só uma questão estética, o visual chega a atrapalhar o gameplay.

Portanto, o jogo é feio de uma forma que compromete a leitura do cenário. Em vários momentos eu não sabia se uma pedra era parte do cenário ou um elemento escalável. Não dá para distinguir com clareza onde é possível subir ou interagir. Isso não é escolha artística; é falta de acabamento.

O mapa também não ajuda. Eu não gosto de jogos que mastigam tudo com setas gigantes apontando o caminho, mas aqui o problema é outro: ele é simplesmente ruim de visualizar. Confuso e visualmente pobre. Em um mundo aberto, isso pesa bastante.

É difícil entender como um título lançado para PS5 em 2026 apresenta um resultado tão abaixo do esperado. Porém, existem momentos pontuais que funcionam, como uma paisagem com chuva, um trovão ao fundo, algum enquadramento específico. As roupas da protagonista também são bem modeladas. Mas são exceções. No conjunto, o jogo é visualmente medíocre. Segue algumas capturas do modo foto do game:

Uma escala maior que não se sustenta

A ideia de alternar entre dois períodos separados por cem anos parecia promissora. Como gosto de narrativas com viagem no tempo, entrei animado. Só que a execução não acompanha o conceito.

Os cenários mudam pouco. Em vários momentos, eu precisava abrir o menu para confirmar em qual período estava. Inimigos ocupam os mesmos espaços. Estruturas são praticamente idênticas. A sensação não é de dois tempos coexistindo, mas de uma repetição disfarçada.

O mundo aberto também não ajuda. A tentativa de ampliar a exploração acaba enchendo o mapa de deslocamentos longos e pouco interessantes. Existe conteúdo de sobra, mas boa parte dele parece estar ali apenas para justificar o tamanho do mapa.

Dungeons sem identidade

Aqui está um dos pontos que mais me incomodaram. As masmorras são visualmente pobres e repetitivas. Estações de tratamento, subestações, áreas industriais genéricas. Falta personalidade. Falta criatividade e capricho. Me parece um jogo feito nas pressas.

Em alguns momentos, eu me perdia não porque o design era inteligente, mas porque os ambientes eram parecidos demais. Quando revisitei as primeiras áreas do Code Vein original, ficou claro como a sequência perdeu força na direção de arte.

Desempenho sofrível no PS5

No PlayStation 5 base, onde joguei, o desempenho é instável. Afinal, as quedas de FPS são constantes. Em áreas abertas, ao sair de cavernas ou durante combates mais carregados, o frame rate despenca. Mesmo após algumas atualizações, o problema continuou presente.

Em um Soulslike, isso é grave, pois, esse tipo de jogo exige precisão. Quando o desempenho oscila no meio de um confronto mais exigente, a experiência perde consistência.

Não tive bugs graves que quebrassem o progresso, mas encontrei problemas técnicos. Minha companheira ficou presa na parede em um momento, e precisei usar a própria mecânica do jogo para resolver a situação.

A câmera é outro problema sério. Ela se perde com facilidade, especialmente em espaços fechados. Em algumas lutas, eu ficava mais tentando entender o que estava acontecendo na tela do que reagindo ao inimigo.

Eu já não te matei três vezes antes??

Sou acostumado com reaproveitamento em Soulslike, Elden Ring fez muito isso, mas aqui passa do limite. Inimigos reaparecem o tempo todo. Chefes também.

Nada quebra mais a expectativa do que atravessar a névoa esperando algo novo e encontrar um adversário que você já enfrentou várias vezes, só que com mais vida. Em um gênero que vive da tensão de descobrir o próximo chefe, isso acaba com qualquer experiência.

Portanto, após algumas dezenas de horas, a sensação é de que o jogo começa a girar em torno de si mesmo e que faltou empenho nesse quesito.

O combate ainda funciona

Se tem algo que segura a experiência, é o combate. A base continua sólida. Esquivas bem calculadas, punições severas para erros e confrontos que exigem atenção.

O sistema de companheiro foi ajustado de forma inteligente. Ele não morre de vez, mas pode ficar temporariamente fora de combate ao te reviver. Isso cria situações de risco interessantes. Várias vezes eu avancei contra um chefe sabendo que, se caísse de novo antes da volta dele, era fim de jogo.

Os ataques especiais também são divertidos de testar. Algumas habilidades realmente mudam a dinâmica das lutas e incentivam um estilo mais agressivo. A mecânica de drenar sangue para alimentar essas técnicas cria um ritmo próprio: você precisa se expor para manter seu poder ofensivo.

O problema aparece na progressão. Encontrei quatro magias que funcionaram bem para mim e usei praticamente até o fim. Peguei novas habilidades ao longo da campanha, mas nenhuma superava de forma clara as que eu já tinha.

O mesmo aconteceu com armas. A que escolhi no começo me acompanhou até o final. Não senti incentivo real para trocar. E isso compromete até a vontade de explorar o título.

Muitas mecânicas e curva de aprendizado confusa

Aqui vale um aviso importante: Code Vein 2 pode ser complicado para quem não tem paciência de ler e entender suas mecânicas.

O jogo tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Códigos de sangue, opções defensivas, tipos de arma, habilidades, golpes de drenagem, preparo de itens, escalonamento, etc. A aba de tutoriais é enorme. São páginas e mais páginas explicando sistemas e variações.

No começo, eu senti isso. É muita informação de uma vez. Muitos detalhes minuciosos que impactam diretamente o combate. Até você entender exatamente como funciona, quando sua esquiva fica mais lenta, como o escalonamento influencia o dano ou qual código de sangue combina melhor com seu estilo, leva tempo.

O problema é que o menu não ajuda. A leitura da interface é confusa. Alguns símbolos de atributos não são claros. Consegui identificar raio e sangramento, mas houve dois ou três ícones que simplesmente não ficaram evidentes para mim. A organização das informações poderia ser muito mais intuitiva.

Isso faz com que o jogo pareça mais complexo do que talvez precisasse ser. Ele exige que você pare, leia e estude os sistemas. Para quem gosta desse lado mais técnico, pode funcionar. Para quem prefere aprender mais pelo controle na mão do que pelo menu, a entrada pode ser difícil.

Não é um Soulslike impossível, mas é um Soulslike mais carregado de sistemas. Até engrenar, demora.

Muito conteúdo, mas…

Joguei cerca de 40 horas e ainda havia missões secundárias pendentes. O problema não é falta de conteúdo. É a qualidade dele.

Há finais alternativos e recompensas narrativas interessantes, mas o caminho até lá passa por confrontos repetidos e tarefas que não acrescentam muito. Em vez de concentrar as melhores ideias, o jogo espalha tudo em um mapa grande demais para o que tem a oferecer.

No fim, fiquei com a impressão de que Code Vein 2 existe mais para ampliar escala do que para aprofundar identidade. Ele tenta se posicionar como um Soulslike de grande porte no pós-Elden Ring, mas faz concessões demais no processo.

Code Vein 2 vale a pena?

Finalizo esta review de Code Vein 2 dizendo que ele é a primeira grande decepção de 2026. Como fã do gênero, eu queria gostar mais. Entrei disposto a defender. Só que, quanto mais avançava, mais percebia que estava insistindo por hábito, não por empolgação.

O combate é competente. Algumas habilidades são criativas. Um personagem que surge mais adiante na campanha é realmente interessante. Mas isso não sustenta uma experiência que se estende além do necessário.

Para quem nunca jogou o primeiro, eu recomendaria começar por ele, porém, para quem já conhece a série e espera uma evolução absurda, é difícil ignorar os problemas. No fim, Code Vein 2 é um Soulslike funcional, mas esquecível. Eu esperaria uma boa promoção ou a chegada do game em serviços de assinaturas!

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Apaixonado por games, filmes, séries, músicas, HQ's e por cachorros. Jogos desafiadores são meus preferidos. Jogo, assisto, ouço, leio e, às vezes, exerço minha profissão de professor.