From the Ashes mostra como “Avatar: Frontiers of Pandora” poderia ter sido desde o início. Lançada como uma expansão gigante, ela não se limita a adicionar missões extras: amplia a narrativa, melhora a gameplay e, finalmente, explora Pandora como nunca.
Mesmo sem ser um grande entusiasta dos filmes de Avatar, sempre tive uma relação positiva com o jogo base. Parte disso vem da própria estrutura da Ubisoft, que aposta em mundos abertos cheios de atividades, algo que me atrai muito. É uma fórmula conhecida, criticada por muitos, mas que ainda funciona quando bem aplicada. Aqui, ela aparece mais refinada.
From the Ashes se passa cerca de um ano após os eventos principais do jogo de 2023 e dialoga diretamente com Avatar: Fogo e Cinzas. O conteúdo funciona quase como uma continuação direta, conectando o game ao universo cinematográfico de forma mais orgânica.
Não é um DLC stand alone, portanto é preciso ter o jogo base, mas a expansão se sustenta sozinha, sem exigir que o jogador tenha finalizado a campanha original.
Sem mais delongas, fica comigo nesta review de From the Ashes e saiba se vale a pena revisitar Pandora.
Esta review de From the Ashes foi feita na versão de PlayStation 5 com um código cedido pela Ubisoft.

Um novo protagonista muda tudo
A maior decisão criativa da expansão é colocar So’lek no centro da experiência. Diferente do Na’vi personalizável do jogo base, ele é um personagem com passado definido. Veterano da Batalha das Montanhas Voadoras, So’lek já carregava peso narrativo, mas agora assume de vez o protagonismo.

A história começa com ataques devastadores à Floresta Kinglor e às terras do clã Aranahe. Incêndios, mortes de animais e a eliminação de Na’vi indicam uma nova ameaça. A investigação leva ao clã Mangkwan, liderado por Varang, além de reforçar a influência indireta da RDA e a sombra constante de Miles Quaritch.
A trama não aposta em grandes surpresas, mas funciona por ser mais íntima. O foco está em perdas e algumas decisões difíceis. O desfecho sugere algo maior no futuro, ainda que o jogo não explore totalmente esse potencial. Quem sabe em uma sequência!
Uma Pandora diferente, mas coerente
Diferente do visual vibrante do jogo base, From the Ashes apresenta uma Floresta Kinglor marcada por queimadas. O cenário segue bonito, mas mais contido, com tons acinzentados e áreas devastadas pelo fogo. No início, o impacto visual pode causar estranhamento, especialmente para quem vem direto da campanha original.

Com o avanço da história, porém, o mundo reage. Algumas regiões começam a se regenerar, reforçando o peso narrativo das ações do jogador. Pandora continua impressionante, mas agora carrega cicatrizes visíveis, o que ajuda a dar mais contexto ao conflito apresentado.

So’lek torna o gameplay ágil e divertido
A jogabilidade evoluiu de forma perceptível. So’lek é mais agressivo, se move melhor e depende menos de gadgets. Os confrontos são mais diretos, com menos interrupções artificiais e menos atividades criadas apenas para estender o tempo de jogo.
A furtividade finalmente funciona como deveria. O sistema permite planejar abordagens, marcar inimigos e executar eliminações silenciosas sem punições exageradas. Isso torna o fluxo mais natural e menos engessado.

Recursos como câmera lenta para tiros precisos, modo fúria e a progressão por Plaquetas, as quais sãi usadas para desbloquear e aprimorar habilidades, não reinventam nada, mas ajudam a deixar o conjunto mais consistente.

Chefes e variedade (ainda limitada)
Uma das críticas ao jogo base era a ausência de confrontos marcantes, algo parcialmente corrigido aqui. From the Ashes traz lutas mais estruturadas, incluindo criaturas gigantes e líderes Mangkwan, que exigem atenção ao posicionamento e leitura de padrões.

Enfrentar Na’vi hostis também adiciona uma variação bem-vinda. Ainda assim, inimigos comuns continuam pouco distintos entre si. Após algumas horas, fica claro que os padrões se repetem, o que reduz o impacto dos combates no longo prazo. Novas ameaças mecânicas ajudam, mas não resolvem completamente o problema.
Terceira pessoa: bem-vinda, mas imperfeita
A chegada do modo em terceira pessoa é um dos grandes destaques da expansão e do jogo base. Explorar Pandora sob esse ângulo valoriza o visual e facilita a leitura da ação. No entanto, nem tudo se encaixa perfeitamente.
Em escaladas, corridas e mudanças rápidas de direção, a movimentação pode soar estranha. Fica evidente que o jogo foi pensado originalmente para a primeira pessoa e que a terceira foi adicionada depois, atendendo a pedidos da comunidade.

Ainda assim, o modo é funcional e melhora vários aspectos da experiência. Apenas não se integra totalmente ao DNA original do jogo, com algumas animações e transições quebrando a fluidez em momentos específicos.
Melhorias gerais e aspectos técnicos
From the Ashes também se beneficia das melhorias acumuladas desde o lançamento original: interface mais clara, inventário melhor organizado, Novo Jogo+ e desempenho mais estável.
O Ikran recebeu ajustes importantes. Agora pode ser invocado quase instantaneamente, atacar inimigos e tornar a exploração aérea mais dinâmica e agradável.

No PS5 base, a experiência foi mista. No modo desempenho, o jogo manteve boa taxa de quadros, com raras quedas perceptíveis. Por outro lado, pop-ins foram frequentes, com elementos surgindo de forma abrupta no cenário.
Encontrei poucos bugs, a maioria visual. Em um caso específico, o jogo travou completamente, exigindo reinício. Nada recorrente, mas presente.
A dublagem de alguns personagens deixa a desejar, com interpretações artificiais que quebram a imersão. A sincronização labial também é fraca, com falas terminando antes do movimento da boca, algo difícil de ignorar.
Considerações finais
Finalizo esta review de From the Ashes dizendo que ele representa o melhor momento de Avatar: Frontiers of Pandora até agora. Um protagonista mais interessante, narrativa mais focada, combate mais fluido e a chegada da terceira pessoa elevam o nível da experiência.
Para quem gostou do jogo base, a expansão é praticamente obrigatória. Ela refina ideias, corrige excessos e mostra que o potencial de Pandora sempre esteve ali.
Quem nunca se conectou com o original talvez não mude totalmente de opinião, mas From the Ashes deixa claro que, com ajustes certos, o universo de Avatar funciona muito melhor nos games do que parecia à primeira vista.
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