John Carpenter's Toxic Commando review
Arte de capa: Conecta Geek

Review | John Carpenter’s Toxic Commando: zumbis, lama e cooperação

FPS cooperativo aposta em hordas de mortos-vivos, veículos e ação exagerada, mas sofre com repetição e pouca profundidade narrativa

FPS cooperativo aposta em hordas de mortos-vivos, veículos e ação exagerada, mas sofre com repetição e pouca profundidade narrativa

A presença de John Carpenter em um videogame sempre chama atenção. Conhecido por clássicos do terror como Escape from New York e Prince of Darkness, o diretor também cultiva há anos uma relação próxima com a música eletrônica e com os videogames. Essa paixão acabou se transformando em algo mais concreto quando ele se envolveu diretamente na criação de John Carpenter’s Toxic Commando, desenvolvido pela Saber Interactive.

O cineasta colaborou com ideias para a história, ajudou a orientar a direção criativa e ainda compôs parte da trilha sonora. Embora sua participação seja perceptível principalmente na atmosfera e na música, a essência do jogo está mesmo na ação cooperativa e na proposta de enfrentar hordas gigantescas de zumbis.

No fim das contas, Toxic Commando se apresenta como um shooter cooperativo focado em diversão imediata, com batalhas caóticas, veículos armados e muita destruição. Porém, apesar dos momentos empolgantes, o jogo também mostra limitações claras quando se trata de variedade e profundidade.

Na prática, Toxic Commando funciona como um FPS cooperativo para até quatro jogadores. A proposta lembra diretamente clássicos do gênero como Left 4 Dead, misturando também elementos vistos em World War Z, outro projeto desenvolvido pela própria Saber Interactive.

As partidas seguem uma estrutura relativamente simples: a equipe atravessa grandes áreas infestadas por zumbis, completa objetivos e precisa sobreviver a ataques massivos de inimigos. Esses momentos geralmente envolvem ativar algum dispositivo ou proteger uma posição enquanto hordas gigantescas avançam de todos os lados.

A grande diferença aqui está na presença de veículos. Diferentemente de outros jogos do gênero, onde a movimentação acontece quase sempre a pé, Toxic Commando permite dirigir carros e caminhões armados. Esses veículos servem tanto para atravessar o mapa mais rapidamente quanto para atropelar inimigos ou utilizar armas pesadas montadas neles.

Essa adição traz variedade à experiência e ajuda a evitar que o jogo se torne repetitivo cedo demais.

Captura por Daniel Bueno

Mapas amplos, escuros e cobertos por lama tóxica

As nove missões do jogo apresentam mapas relativamente grandes, que incentivam a exploração. Espalhados pelo cenário estão diversos recursos úteis: munição, armas especiais, kits médicos, combustível para veículos e peças necessárias para ativar defesas ou abrir compartimentos de suprimentos.

Em vários momentos também é possível entrar em edifícios e explorar estruturas abandonadas, o que adiciona pequenas variações ao ritmo das partidas. O que une todos esses ambientes é uma atmosfera constantemente sombria. A iluminação baixa e os cenários decadentes lembram bastante experiências vistas em Dying Light, especialmente durante suas seções noturnas.

Outro elemento marcante é a presença constante de lama e gosma tóxica espalhadas pelo chão. Além de dificultar a movimentação, essas áreas podem ser fatais se o jogador permanecer nelas por muito tempo. Em algumas missões, inclusive, a única forma segura de atravessar certos trechos é utilizando veículos específicos.

Esse detalhe influencia diretamente o ritmo da jogatina: tudo em Toxic Commando parece pesado e deliberadamente lento, criando uma sensação diferente de outros shooters do gênero.

Combate intenso, mas raramente assustador

Mesmo com uma atmosfera sombria, Toxic Commando não é exatamente um jogo de terror. A experiência se aproxima muito mais de um shooter de ação exagerado, focado na diversão cooperativa.

As batalhas contra hordas são intensas e frequentemente caóticas. Entre zumbis comuns, criaturas mutantes e ataques inesperados, a sensação de pressão é constante, principalmente quando a munição começa a acabar.

No entanto, o fator surpresa diminui depois de algumas horas de jogo. Depois de enfrentar diversas hordas, a estrutura das missões começa a parecer previsível, o que reduz um pouco o impacto dessas sequências.

Ainda assim, a ação continua satisfatória graças ao arsenal variado e à boa resposta das armas durante o combate.

Classes cooperativas incentivam o trabalho em equipe

Assim como em muitos shooters cooperativos, o jogo conta com um sistema de classes. São quatro funções principais dentro da equipe:

  • Tanque
  • Médico
  • Operador
  • Assalto

Cada classe possui habilidades específicas que incentivam a cooperação entre os jogadores.

O Tanque atua como linha de frente, capaz de absorver dano e proteger a equipe com uma barreira energética que bloqueia ataques inimigos. Já o Médico se concentra em curar aliados e manter o time vivo durante confrontos mais longos.

O Operador é uma classe mais técnica, utilizando drones para explorar áreas do mapa, atacar inimigos e até auxiliar na cura emergencial de companheiros. Por fim, a classe de Assalto foca no dano puro, sendo ideal para eliminar hordas rapidamente.

O interessante é que o jogo separa a escolha da classe da aparência do personagem, permitindo que o jogador utilize qualquer avatar cosmético independentemente da função escolhida.

Progressão e arsenal incentivam a rejogabilidade

O sistema de progressão segue um modelo bastante tradicional. Cada classe pode evoluir até o nível 40, desbloqueando novas habilidades ao longo do caminho.

Armas também possuem seu próprio sistema de experiência, o que incentiva os jogadores a experimentar diferentes equipamentos durante as partidas.

Além disso, o jogo inclui dezenas de armas, todas com comportamento distinto e possibilidade de personalização através de modificações. O único problema é que esses upgrades costumam exigir uma quantidade considerável de recursos, o que obriga o jogador a repetir missões diversas vezes.

Essa estrutura ajuda a aumentar a longevidade do jogo, mas também acaba evidenciando a repetição das missões após algumas horas.

Melhor com amigos do que sozinho

Embora seja possível jogar sozinho acompanhado por companheiros controlados pela inteligência artificial, fica claro que Toxic Commando foi projetado principalmente para partidas cooperativas online.

Com amigos, o jogo funciona muito melhor. A comunicação facilita o uso das habilidades das classes, o posicionamento durante as hordas e a coordenação de objetivos. Jogando sozinho, no entanto, a experiência perde parte do charme. Mesmo com a IA funcionando de forma competente, a repetição das missões começa a aparecer mais rapidamente.

Depois de seis ou sete horas, é possível sentir um certo desgaste ao revisitar os mesmos mapas apenas para evoluir personagens e desbloquear novas habilidades.

A presença de John Carpenter poderia ser maior

Apesar do envolvimento direto de John Carpenter, sua presença não impacta tanto quanto poderia.

A trilha sonora com sintetizadores funciona bem e combina com o clima do jogo, mas muitas faixas acabam lembrando bastante os álbuns da série Lost Themes, sem trazer algo realmente marcante.

O roteiro também é bastante simples e raramente se torna memorável, o que pode decepcionar quem esperava algo mais elaborado vindo de um diretor tão influente no gênero do terror.

Conclusão

John Carpenter’s Toxic Commando não tenta reinventar o gênero dos shooters cooperativos, e talvez esse seja justamente seu maior trunfo.

O jogo aposta em ação direta, hordas gigantes de zumbis e partidas rápidas que funcionam especialmente bem quando jogadas com amigos. A adição de veículos e o cenário coberto por lama e substâncias tóxicas dão identidade própria à experiência.

Por outro lado, a repetição das missões, a quantidade limitada de mapas e o impacto modesto da participação de John Carpenter impedem o jogo de alcançar algo maior.

Ainda assim, para quem procura um shooter cooperativo descompromissado para enfrentar centenas de zumbis ao lado de amigos, Toxic Commando entrega exatamente o que promete.

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