Legacy of Kain: Defiance Remastered review
Arte de capa: Conecta Geek

Review | Legacy of Kain: Defiance Remastered é competente, mas tem suas falhas

Legacy of Kain: Defiance Remastered é um daqueles casos curiosos: um jogo originalmente lançado em 2003 que marcou época, mas também dividiu parte da comunidade. Agora, 23 anos depois, ele retorna em uma versão remasterizada.

E eu vou ser bem direto: minhas expectativas eram baixas. Na minha visão, muitos jogos da era PlayStation 2 precisam mais de remake do que de remaster. Mas, mesmo com esse pé atrás, preciso admitir — o jogo conseguiu me surpreender.

História

Aqui não tem discussão: esse é o grande destaque. Em um mundo à beira do colapso, acompanhamos o desfecho da jornada de dois dos anti-heróis mais icônicos dos games: Kain, o ambicioso vampiro, e Raziel, seu antigo general transformado em um espectro devorador de almas.

Enquanto Kain manipula o tempo para entender conspirações envolvendo os Hylden e os Vampiros Ancestrais, Raziel luta contra o controle do Deus Ancião e busca respostas sobre sua própria existência.

Essa remasterização chega logo após Soul Reaver 1 & 2, funcionando como o capítulo final de uma das narrativas mais ambiciosas dos games.

E funciona. O encerramento é impactante, bem construído e entrega aquele tipo de conclusão que fica na cabeça depois que os créditos sobem.

Uma bela remasterização

Visualmente, o trabalho é muito competente. Os gráficos receberam melhorias perceptíveis: cores mais vivas, resolução atualizada e cenários revitalizados. A nova câmera ajuda bastante na experiência, tornando a exploração mais confortável.

Além disso, a trilha sonora continua excelente e a dublagem em português eleva ainda mais a imersão. É o tipo de remaster que respeita o original, mas melhora o suficiente para torná-lo mais agradável hoje.

Há coisas que deveriam ficar no passado

Agora vem o problema — e ele é grande. Sabe aquela sensação de nostalgia que engana a gente? De lembrar algo como melhor do que realmente era? É exatamente isso aqui.

A gameplay de Defiance envelheceu mal. Muito mal.

O combate é simples demais, a progressão de habilidades é rasa e o loop de gameplay rapidamente se torna repetitivo. Basicamente, você vai do ponto A ao ponto B, enfrenta os mesmos inimigos e resolve puzzles.

E isso cansa. O jogo tem 13 capítulos, mas por volta do sexto já começa a dar sinais claros de desgaste. Inimigos repetitivos, cenários pouco variados… tudo contribui para essa sensação de repetição constante.

Agora, sendo justo: os puzzles são muito bons e continuam sendo um dos pontos mais interessantes da experiência, junto com algumas boss fights bem construídas.

Mas não salva o todo. E pra piorar, ainda existem diversos bugs — alguns pequenos, outros que realmente incomodam.

Prós

  • História excelente e envolvente

  • Remasterização visual bem feita

  • Puzzles criativos

Contras

  • Gameplay extremamente datada

  • Inimigos repetitivos

  • Cenários pouco variados

  • Presença de bugs

Veredito

Legacy of Kain: Defiance Remastered é um jogo que vive de dois extremos. De um lado, uma narrativa fantástica e um encerramento memorável. Do outro, uma gameplay que claramente ficou presa no passado.

Minha experiência foi positiva no geral — mas com ressalvas importantes.

Se você já jogou o original, essa versão vale a pena, principalmente pelo preço acessível. Agora, se esse é seu primeiro contato com a franquia… eu pensaria duas vezes.

Pode ser uma experiência frustrante, principalmente se você está acostumado com jogos modernos.

Veja outras reviews:

apaixonado por games, cultura pop e boas histórias. Focado em análises críticas e reflexões sobre cultura pop/nerd em geral, busco ir além da superfície, explorando o impacto do entretenimento na cultura.