Manairons é aquele jogo divertido que seria perfeito para jogar em um final de semana — ou até mesmo para virar seu comfort game — se não fossem os bugs. Desenvolvido pela JanduSoft, estúdio espanhol, Manairons é um indie de plataforma 3D inspirado no folclore catalão. O jogo foi lançado no dia 19 de fevereiro para PS5, PC, Xbox Series S|X e Nintendo Switch.
História simples, mas carismática
Manairons é ambientado nos Pirineus, onde lendas ancestrais se misturam com fábricas fumegantes, magia travessa e criaturas peculiares. Você controla Nai, um manairó que desperta após séculos aprisionado no “canut”, um artefato mágico tão antigo quanto suspeito.
Libertado por uma bruxa, Nai recebe a missão de recuperar o canut e impedir o caos que ele está causando.
O vilão é Llorenç, um latifundiário sem carisma, mas com muitas máquinas. Ele usou o poder dos manairons para industrializar a pacata vila de Vilamont. As lojas estão fechadas, os moradores se escondem em casa e seus companheiros trabalham sem parar.
A história é simples, mas muito divertida. É sempre interessante acompanhar contos regionais que fogem do mainstream — acaba sendo uma forma de contato com outra cultura.

Jogabilidade: feijão com arroz bem temperado
A jogabilidade faz o básico bem feito. O jogo não traz grandes inovações, mas recicla ideias conhecidas do gênero e adiciona pequenas pitadas criativas em suas mecânicas.
Os comandos são simples: pular, escalar e explorar. Logo no início da campanha, o personagem encontra uma flauta mágica, que permite atacar inimigos e se defender.
O diferencial está na mecânica musical: é possível tocar sequências específicas na flauta para resolver puzzles. Cada melodia tem uma função diferente — mover pedras pesadas, alcançar locais mais altos e desbloquear caminhos, por exemplo.
O jogo é dividido em zonas (fases) acessadas a partir da cidade principal. Cada área culmina em uma boss fight. As batalhas não são muito desafiadoras, mas são satisfatórias.
Dentro das fases há também “fogueiras estilo Souls” — aqui representadas por sofás — onde você descansa, recupera HP e restaura recursos. Em contrapartida, os inimigos derrotados voltam à vida.
A progressão segue a estrutura clássica: explorar, resolver puzzles, atravessar plataformas, derrotar inimigos e enfrentar o chefe. Poderia ser repetitivo, mas o level design varia bastante e mantém a experiência fresca.

Visual e som
Os gráficos são simples, lembrando a geração PS3. Ainda assim, o jogo possui uma direção de arte charmosa e estilosa. Visualmente, Manairons tem personalidade.
A trilha sonora e o design de som cumprem seu papel, complementando a ambientação, embora sem grandes destaques memoráveis.

Onde o jogo peca
Agora, vamos aos problemas.
O jogo não possui localização em PT-BR. Entendo que para um estúdio indie isso envolve custos, mas hoje muitos jogos independentes — inclusive desenvolvidos por equipes pequenas — oferecem ao menos legendas em português. Essa ausência pode afastar parte do público brasileiro.
O principal problema, porém, são os bugs. Há falhas de progressão, erros de texto, problemas em cutscenes, bugs ao coletar moedas, falhas no combate aéreo e até situações em que o personagem atravessa paredes ou é empurrado por quinas de plataformas.
Quando comecei a jogar, havia inclusive problemas visuais e falhas nas bordas das plataformas. Felizmente, uma atualização no day one corrigiu parte desses erros.
Ainda assim, fica a sensação de que faltou mais tempo de polimento. Com um pouco mais de cuidado técnico, o resultado poderia ter sido muito melhor.

Vale a pena?
Apesar dos problemas técnicos e da ausência de PT-BR, eu me diverti com Manairons. A história é carismática, a ambientação é criativa e a jogabilidade é cativante.
A campanha dura entre 5 e 8 horas, dependendo do seu perfil. O jogo também possui bom fator de rejogabilidade graças à coleta de itens e missões secundárias.
Custando cerca de R$60 na Steam, considero que a experiência entrega um custo-benefício justo — desde que você esteja ciente dos problemas técnicos.
Manairons tem boas ideias, charme e personalidade. Só precisava de mais acabamento para realmente brilhar.
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