Review | My Hero Academia: All’s Justice: Revisite o grande final em forma de videogame

Virou uma tradição minha, pelo menos uma vez por ano, jogar algum título baseado em anime. Acho interessante justamente para observar como esses jogos evoluem de uma edição para outra. O escolhido da vez foi My Hero Academia: All’s Justice, que concentra seu foco narrativo na temporada final do anime, lançada no fim de 2025.

Ganbare!

O gameplay pode causar certa estranheza no início. Mesmo sendo relativamente simples, existe uma curva de adaptação, principalmente por conta da grande quantidade de assistências disponíveis. Cada personagem utiliza seus golpes de forma tradicional, sempre respeitando as particularidades de seus poderes. Os chamados Quirk Moves podem ser ativados de duas maneiras: apertando apenas um botão ou segurando a direção no analógico junto do botão. No total, cada lutador conta com quatro desses movimentos, o que já garante uma boa variedade durante as lutas.

No canto inferior esquerdo da tela, temos duas barras que vão sendo preenchidas conforme o combate avança: Rising e Plus Ultra. A barra Rising funciona como uma energia acumulada que, ao ser ativada quando está cheia, concede um aumento temporário de força ao personagem, além de alterar seus Quirk Moves durante esse período. Já o Plus Ultra, uma referência direta ao famoso “Plus Ultra” da obra, corresponde ao golpe especial. É possível armazenar até três usos na barra, e cada personagem possui sua própria versão. Alguns desses golpes atingem apenas inimigos à frente, enquanto outros cobrem uma área maior do cenário.

O grande destaque do gameplay está no combate em equipe. É possível montar times com até três lutadores, alternando entre eles de forma rápida por meio dos gatilhos. Essa mecânica amplia bastante as possibilidades durante as lutas, permitindo, por exemplo, trocar de personagem no meio de um combo para encaixar um golpe mais forte. Quando a barra de Plus Ultra está completamente carregada, também dá para usar até três golpes especiais em sequência, algo que pode definir uma luta caso o adversário esteja com apenas um personagem restante.

Reviva a batalha final

O modo história é direto e sem grandes desvios, acompanhando os acontecimentos da última temporada do anime. A minha recomendação aqui é : quem ainda não assistiu deve fazê-lo antes de jogar, já que o modo entrega praticamente todos os momentos chave e não se preocupa em evitar spoilers.

Reprodução; Paulo Vitor

A narrativa é apresentada de duas formas distintas. Em alguns trechos, temos slides com imagens estáticas acompanhadas da dublagem original dos personagens. Em outros momentos, mais interessantes, certas cenas são recriadas em 3D. Para quem acompanhou o anime, essas sequências acabam sendo um agrado extra, funcionando como uma releitura tridimensional.

A seleção das missões segue uma estrutura que lembra uma árvore, em que novos caminhos vão se abrindo conforme o progresso. Não há grandes surpresas aqui, já que todo o conteúdo da temporada está presente e não é possível pular lutas. Para chegar ao final, é necessário concluir todas elas.

Levei cerca de seis horas para finalizar o modo história, assistindo a todas as cutscenes. Considero um tempo satisfatório para um jogo de luta com esse tipo de proposta narrativa.

Diversos modos de jogo

Para quem busca algo além do modo história tradicional, o Team Up Missions funciona como uma campanha alternativa. Ele apresenta uma trama original criada exclusivamente para o jogo, o que pode agradar alguns jogadores, mas também soar cansativo para outros, já que as histórias não têm tanta profundidade. A principal diferença está na estrutura: aqui exploramos um mundo semiaberto, andando pela cidade em busca das missões principais.

Além disso, existem missões secundárias envolvendo personagens conhecidos da franquia ou figuras aleatórias. Elas aparecem espalhadas pelo mapa, identificadas por ícones azuis no caso dos personagens genéricos e vermelhos para os mais conhecidos. Ao completar algumas dessas missões, certos personagens podem acompanhar o jogador até o fim do capítulo, ajudando inclusive nas tarefas secundárias, embora esse recurso só possa ser usado uma vez.

Reprodução; Paulo Vitor

Outro modo disponível é o Archive Battles, que permite reviver batalhas marcantes de temporadas anteriores do anime. Esses confrontos são desbloqueados conforme avançamos no Team Up Missions. A forma de contar a história segue o mesmo padrão do modo história principal, alternando entre imagens estáticas e cenas em 3D.

Também temos oHero’s Diary, que fica no modo Character Memory. Aqui, jogamos com cada um dos alunos da turma 1-A da U.A., sendo que cada personagem possui três missões próprias. Elas variam entre batalhas e objetivos mais simples, como procurar itens pelo cenário. São missões mais curtas quando comparadas às do Team Up Missions, e é nesse modo que desbloqueamos vários personagens jogáveis.

Reprodução; Paulo Vitor

Como não poderia faltar em um jogo de luta, o modo versus está presente sob o nome de Free Battle. Esse é, sem dúvida, onde muitos jogadores vão passar boa parte do tempo. O elenco é bastante extenso, com mais de 60 personagens, incluindo alunos da U.A., heróis consagrados e uma boa quantidade de vilões. As arenas também apresentam uma variedade interessante, todas inspiradas em cenários vistos no anime.

O jogo permite uma boa personalização das lutas. Dá para ajustar a dificuldade para quem prefere jogar sozinho, alterar o tempo das partidas e até configurar o quanto a barra de energia começa cheia, deixando os confrontos mais rápidos ou mais estratégicos.

Alguns problemas e ausência importante

Nem tudo, porém, funciona perfeitamente. O jogo apresenta alguns problemas de desempenho em situações específicas, principalmente quando há muita destruição de cenário acontecendo ao mesmo tempo. Também notei quedas de desempenho ao navegar pelo mapa do Team Up Missions, sobretudo após retornar do modo de repouso do console.

Para nós, brasileiros, existe ainda uma limitação chata. O jogo não conta com legendas em português, o que faz falta, principalmente para entender melhor as histórias dos modos extras. As opções de dublagem ficam restritas ao inglês e ao japonês. Optei pela segunda alternativa, que acabou entregando uma experiência mais fiel ao anime.

Vale a pena?

No geral, My Hero Academia: All’s Justice me surpreendeu positivamente. O jogo entrega uma experiência consistente para quem quer revisitar a obra por meio de um modo história bem representativo, além de oferecer um modo contra robusto, com muitos personagens para jogar com amigos, seja localmente ou online.

Mesmo que alguns modos extras soem como um conteúdo mais repetitivo, eles funcionam como uma distração válida quando bate o cansaço dos modos tradicionais, além de agradarem quem busca aquele fanservice típico para fãs da franquia.

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