Review | Neon Abyss 2 é psicodélico e divertido

O primeiro Neon Abyss (2020) não foi só mais um roguelite com estética neon: ele virou um pequeno fenômeno justamente por juntar três coisas que, até então, raramente funcionavam bem juntas — plataforma 2D, bullet-hell caótico e progressão procedural. O que fez o jogo se destacar não foi só a variedade absurda de armas e itens, mas a fluidez dos controles. Cada pulo, cada dash, cada esquiva tinha peso. Era preciso, era viciante.

E claro, havia a cereja do bolo: o nonsense. Armas que atiravam gatinhos, lasers coloridos que ocupavam metade da tela, explosões que beiravam a caricatura. Esse excesso proposital transformava cada run em um delírio criativo, e é isso que colou na memória do público.

Agora, Neon Abyss 2 chega com a missão ingrata de manter esse espírito, mas sem cair na armadilha de parecer só uma expansão. A questão é: até que ponto a sequência traz evolução real e até que ponto se apoia na base já sólida?

Mais camadas, menos repetição

Se o primeiro jogo já era uma overdose de tiros e loot, a sequência dá um passo além. A fórmula roguelite aqui entrega mais  do que variedade: entrega refinamento, mais diversão, mais tudo. Há novas habilidades de movimento como dash aprimorado, teleporte, manipulação de tempo, além de sistemas de sinergia mais complexos tudo combinado com armas mais malucas ainda em cenários psicodélicos e cheio de inimigos e itens para lootear ou até mesmo te enganar.

Mas o importante não é só a quantidade de itens, mas como eles se encadeiam em combinações únicas, a grande questão é  a responsividade mantida dos controles, porque em um bullet-hell qualquer milissegundo perdido já quebra a experiência, o que ao mesmo tempo que é frustrante, deixa aquela sensação de revanche que estimula até mesmo quem não goste do gênero a querer tentar mais uma vez, seja por erro bobo ou pelo boss conseguir te matar ao mesmo tempo que você o derrota, resultando na vitória dele.

Neon que respira

O primeiro título já tinha um pixel art vibrante, cheio de lasers, explosões e cores saturadas. Só que, no fundo, o cenário era mais pano de fundo do que elemento vivo. Em Neon Abyss 2,temos a evolução: iluminação dinâmica, partículas densas, animações mais refinadas em inimigos e bosses tudo isso sem afetar a performance do jogo.

O diferencial está em transformar o ambiente em parte da ação — chuvas ácidas que afetam a jogabilidade, letreiros piscando que distorcem a visibilidade, ou elementos de cenário que respondem ao caos, entregando ao jogador em cada run um espetáculo visual, a sequência não é só mais bonita mas também mais imersiva.

O motor do caos

A soundtrack do primeiro jogo funcionava como combustível — eletrônica pesada, batidas aceleradas que combinavam com o ritmo frenético. O problema: repetição. Para quem passou dezenas de horas, a trilha acabava virando paisagem sonora.

O segundo jogo vai além. Trilha adaptativa, que responde ao momento, é uma constância necessária aqui, imagine a música acelerando conforme sua barra de vida cai, ou se distorcendo quando você ativa um item específico. Esse tipo de dinâmica não só dá impacto, mas integra som e jogabilidade em uma camada emocional que prende o jogador, deixando sempre muito único e diferente a cada situação a qual o jogador passa.

Caos com propósito

Neon Abyss 2 não precisa reinventar a roda, a base já é sólida, divertida e viciante. O desafio é outro: transformar a fórmula em algo mais profundo sem perder a alma caótica que definiu o primeiro. O jogo entrega uma gameplay mais estratégica, gráficos com personalidade e uma trilha sonora que realmente conversa com a ação, estamos diante de uma sequência que não só honra o legado, mas o eleva.

Para quem curte roguelites frenéticos, a expectativa é simples: morrer muito, rir mais ainda e sempre querer “só mais uma run”.

Leia também