Existe uma frase que ouvi certa vez, a qual se encaixa muito bem aqui: não é sobre saber mil golpes diferentes, mas sim repetir um até dominá-lo de verdade. E, ao produzir esta review de Nioh 3, fica difícil não pensar nisso o tempo todo.
A Team Ninja passou anos mexendo na mesma base, testando ideias e refinando o que já funcionava, até chegar a algo mais sólido.
Cheguei a platinar o primeiro Nioh, mas, por algum motivo, acabei não jogando o segundo. Então, entrei em Nioh 3 já com uma boa base da série, mas também com certa curiosidade para ver como tudo evoluiu.
Dá para perceber que jogos como “Wo Long: Fallen Dynasty”, “Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin” e “Rise of the Ronin” serviram como uma espécie de laboratório. Muitas ideias retornam aqui mais refinadas, com melhor encaixe dentro da jogabilidade.
E, sim, Nioh 3 é um jogaço: uma experiência maravilhosa que me deixou vidrado por mais de 40 horas. Mas, sem mais enrolação, vamos para esta review — e saiba tudo o que achei do título.
Esta review de Nioh 3 foi feita na versão de PlayStation 5 do game, com um código cedido pela Koei Tecmo.

Somos Takechiyo Tokugawa
A história segue a já conhecida mistura de eventos históricos com o folclore japonês, algo que virou identidade da série. Aqui, acompanhamos Takechiyo Tokugawa, um habilidoso guerreiro prestes a se tornar xogum da dinastia Tokugawa. No entanto, algo dá errado, e ele precisa usar seu conhecimento em artes marciais para enfrentar a ameaça.
Pois é, como já dá para perceber, o enredo não é lá essas coisas — embora isso não seja um grande problema, pelo menos para mim. Além disso, o título oferece liberdade total na personalização do personagem. Ainda assim, não é a narrativa que sustenta o jogo, e sim o que ele entrega quando você assume o controle.

Jogabilidade é viciante do início ao fim
O combate continua sendo o grande destaque, mas agora traz uma mudança que realmente faz diferença: a alternância entre os estilos samurai e ninja. É possível trocar entre eles a qualquer momento, o que muda completamente a forma de abordar as lutas. Não é apenas uma diferença de velocidade — é praticamente outro jeito de jogar.
O estilo samurai mantém uma abordagem mais técnica, com foco em defesa, controle de ki e uso das três posturas. A adição do parry encaixou muito bem, principalmente por recompensar quem acerta o tempo certo. Quando você pega o ritmo, ele se torna uma ferramenta extremamente poderosa no combate.
Já o estilo ninja é mais direto e agressivo. Ele funciona melhor em movimento, com esquivas rápidas, ataques ágeis e uso constante de ninjutsu — aqui, você praticamente se transforma em um mago.
O jogo deixa claro que esses recursos devem ser usados sem medo, o que torna o combate mais dinâmico e menos engessado.

Mas eu preciso fazer uma ressalva nesta review de Nioh 3, eu creio que deixaram o ninja muito overpower, ou seja, ele é muito forte e, por muitas vezes, eu pouco utilizada o samurai.
As técnicas ninjutsu, aliadas a velocidade do personagem e outros atributos, se tornam muito poderosas. Os inimigos quase não te acham na arena de batalha.

Trocou a arma, trocou a gameplay
O sistema de armas amplia ainda mais essa variedade. Cada uma delas altera significativamente a forma de jogar, com habilidades próprias e diferentes combinações.
Ao todo, são 14 tipos de armas, divididas entre os dois estilos, todas com espaço para personalização. Isso garante uma profundidade enorme, especialmente para quem gosta de testar builds e explorar novas possibilidades.
Se há um ponto a destacar, é que o estilo ninja acaba sendo um pouco mais simples, já que não conta com o sistema de posturas. Ainda assim, ele compensa com velocidade e versatilidade. No fim das contas, o jogo funciona melhor quando você alterna entre os dois estilos.
Mapas maiores e mais abertos
A estrutura dos mapas mudou bastante, saindo daquele formato mais fechado para áreas maiores e mais abertas. Não chega a ser um mundo aberto tradicional, mas dá muito mais liberdade do que antes. E isso funciona bem dentro da proposta do jogo.

O design continua cuidadoso, com atalhos, caminhos alternativos e áreas escondidas. Só que agora com mais espaço para explorar e mais opções de abordagem. Dá para seguir direto, mas explorar acaba sendo a melhor escolha na maioria das vezes.
Existem muitos tipos de coletáveis que ajudam na evolução do personagem, assim como base inimigas para dominar, baús de tesouro com itens raros, mestres para derrotar em embates mano-a-mano e muitas outras atividades. Acredite em mim, fazer 100% de uma área pode demandar um certo tempo de exploração, mas é muito gostoso fazer isso.









Além disso, explorar é benéfico. Quanto mais você investiga o mapa, mais forte fica, o que ajuda bastante nos desafios. Isso deixa a progressão mais natural e recompensa quem se envolve mais com o jogo.
Nioh tem a Fenda Eterna

Além disso, o jogo conta com uma espécie de “hub”, bem no estilo da torre de “Destiny”, onde ficam concentrados os principais NPCs e sistemas. É lá que você resolve boa parte da sua progressão fora das missões, incluindo a transmutação, que permite manter a aparência da armadura que você gosta mesmo trocando de equipamento o tempo todo, algo que faz muita diferença aqui, já que o loot é constante e seu personagem pode acabar ficando visualmente bagunçado.

Nesse mesmo espaço, chamado de Fenda Eterna, também fica o ferreiro, responsável por melhorar armas, embora isso exija recursos específicos e acabe não sendo tão prático quanto parece.
Outro ponto interessante são os Clãs, que você pode escolher se alinhar e evoluir dentro deles ao derrotar inimigos que representam outros jogadores, aquelas espadas vermelhas espalhadas pelo mapa.

Isso rende honra, libera recompensas e até alguns bônus de gameplay, adicionando mais uma camada ao sistema. Eu achei uma adição interessante, mesmo não tendo focado tanto nisso durante a minha jogatina.
Para que tantos itens??
O loot continua sendo aquele ponto complicado. Você recebe itens o tempo todo e isso ocorre de forma exagerada, portanto, nem se preocupe com isso. A progressão quebra muito o seu ritmo com isso, afinal, você se adapta a uma arma, com 5 minutos você acha uma melhor, escolhe ela, com mais alguns minutos, você acha outra melhor e assim por diante.
O inventário enche rápido, e organizar tudo vira algo meio cansativo. Mesmo com algumas facilidades, ainda exige atenção e tempo. Não chega a estragar a experiência, mas também não ajuda.
Por outro lado, o sistema de builds continua interessante. Dá para montar combinações bem diferentes e adaptar o personagem ao seu estilo. Isso dá um propósito maior para os itens, mesmo com o excesso.
Gráficos e desempenho




Visualmente, Nioh 3 me surpreendeu de forma positiva. Eu realmente senti uma boa evolução gráfica em relação a outros jogos da própria Team Ninja, principalmente no design de personagens e inimigos. Não é um salto absurdo dentro da geração, mas é perceptível.
No PS5, o modo desempenho continua sendo a melhor escolha. O jogo roda de forma estável na maior parte do tempo, com algumas quedas pontuais que não chegam a incomodar.
Uma trilha sonora que funciona
A trilha sonora, novamente com Akihiro Manabe, funciona muito bem dentro do conjunto. Ela cresce nos momentos certos, principalmente nas lutas contra chefes, e ajuda a manter o ritmo do jogo.
Os efeitos sonoros também fazem diferença, especialmente no combate. Golpes e defesas tem um som peculiar, e garante aquela sensação de “acertei”.
É o Nioh mais fácil ou menos difícil, depende do ponto de vista
Aqui entra um ponto que pode surpreender muita gente. Mesmo sendo um jogo exigente, eu achei Nioh 3 o mais fácil da série que joguei e um dos soulslike mais tranquilos que já encarei. Na maioria das vezes, não levei mais do que três tentativas para derrotar chefes.
E isso sem fazer nenhum tipo de farm, só jogando de forma natural e explorando o mapa. Dá pra sentir que o jogo ainda pune erros, mas também oferece mais ferramentas para lidar com os desafios. No fim, a experiência fica mais acessível sem perder completamente a identidade.
Quando eu achei que estava perto do fim…….
Nioh 3 é um jogo longo, talvez até mais do que deveria. Eu levei cerca de 50 horas para terminar a campanha, explorando bastante e fazendo missões secundárias. Mesmo assim, não cheguei perto de completar 100% das áreas.
E esse é um ponto que me incomodou um pouco. Em vários momentos, o jogo parece se estender mais do que o necessário. É um problema que eu já tinha sentido em Rise of the Ronin, e aqui acontece de novo. Não falta conteúdo, mas às vezes sobra.
Considerações finais
Finalizo esta review de Nioh 3 cravando que ele é o resultado de anos refinando a mesma ideia. A Team Ninja pegou tudo que já funcionava e ajustou com mais cuidado, sem tentar reinventar demais. O combate continua sendo o ponto alto, agora com ainda mais opções e liberdade.
As mudanças na exploração funcionam bem, e o jogo oferece muito conteúdo para quem gosta de se aprofundar. Por outro lado, o excesso de loot e a duração exagerada acabam pesando em alguns momentos.
No fim, ainda assim, é o melhor Nioh até agora. Um jogo que recompensa prática, adaptação e que mostra claramente a evolução do estúdio ao longo dos anos e que venham as DLC’s e o 4.
Nioh 3 está disponível para PlayStation 5 e PC e possui localização para o português do Brasil.
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