Review | Planet of Lana 2: uma ópera espacial delicada e sombria
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Review | Planet of Lana 2: uma ópera espacial delicada e sombria

Sequência amplia escopo, aprofunda mecânicas

Sequência amplia escopo, aprofunda mecânicas

Desde os primeiros minutos em Planet of Lana 2, uma comparação não saiu da minha cabeça: “Star Wars”. E deixo claro, isso tem muito a ver com o fato de eu ser um grande fã da saga criada por George Lucas. A sensação de estar explorando um mundo alienígena vasto, com ruínas tecnológicas espalhadas pela paisagem e robôs circulando entre formações naturais exuberantes, me remeteu imediatamente àquela “galáxia muito, muito distante”.

Mas essa influência não diminui a identidade do jogo. Pelo contrário. A sequência desenvolvida pela Wishfully usa essa inspiração como pano de fundo estético para construir algo próprio, sensível e visualmente arrebatador.

Créditos: captura por Daniel Bueno

Uma trilha sonora que eleva cada momento

Um dos grandes responsáveis por essa atmosfera é Takeshi Furukawa, compositor que retorna na sequência. O trabalho orquestral é simplesmente magnífico. Cordas intensas, metais expansivos e melodias emotivas ajudam a transformar momentos simples de exploração em cenas quase cinematográficas.

Há uma grandiosidade constante, mas nunca exagerada. A música sabe quando crescer e quando silenciar, respeitando o ritmo contemplativo da jornada. Em diversos momentos, a trilha não apenas acompanha a aventura, ela a conduz.

Créditos: Divulgação

Uma protagonista mais madura e um mundo mais amplo

Ambientado dois anos após o primeiro jogo, Planet of Lana 2 apresenta uma protagonista mais experiente e confiante. Lana está mais ágil, com novos movimentos que ampliam as possibilidades de exploração: ela desliza por estruturas baixas, mergulha em áreas submersas e se movimenta com mais fluidez pelos cenários verticais.

O planeta Novo também está maior. As áreas são mais amplas e exigem observação cuidadosa. Os quebra-cabeças não estão apenas diante do jogador, muitas vezes estão acima, nas bordas da tela, escondidos em detalhes do cenário. Isso incentiva exploração e recompensa atenção.

O jogo mantém sua estrutura em 2.5D, misturando plataforma, furtividade e resolução de enigmas. Não há foco em combate direto. A tensão nasce do silêncio, da espera, da necessidade de observar padrões e encontrar o momento certo para agir.

Créditos: Divulgação

Furtividade paciente e desafios bem construídos

A maior parte dos desafios envolve evitar confrontos. Guardas patrulham áreas industriais, criaturas vigiam passagens estreitas e máquinas gigantes bloqueiam o caminho. O progresso depende de paciência e leitura do ambiente.

Pode não agradar quem busca ação frenética, mas há algo extremamente satisfatório na precisão desses momentos. Esperar o instante certo, atravessar uma área sem ser visto e resolver um enigma complexo traz uma sensação genuína de conquista.

Há também uma forte sensação tátil nas interações. Puxar alavancas, movimentar máquinas pesadas e ativar mecanismos transmite peso e impacto. O som metálico das engrenagens ecoando em cavernas ou instalações abandonadas reforça a escala do mundo e faz Lana, e o jogador, se sentirem pequenos diante daquela tecnologia colossal.

Créditos: Divulgação

Mui brilha ainda mais na sequência

Se Lana evoluiu, sua companheira Mui também ganhou destaque. A pequena criatura esférica e felpuda não é apenas um elemento narrativo fofo, ela é essencial para a progressão.

As novas habilidades ampliam a variedade dos quebra-cabeças. Mui pode controlar criaturas do ambiente, manipular elementos naturais e criar soluções inesperadas. Peixes liberam nuvens que bloqueiam a visão de inimigos, substâncias pegajosas formam trilhas inflamáveis e outros seres ajudam a alterar a geografia do cenário.

Os melhores enigmas surgem quando é necessário combinar as habilidades de Lana e Mui, observando cuidadosamente o espaço ao redor e traçando um plano antes de agir. São momentos que exigem raciocínio, mas raramente se tornam frustrantes.

Créditos: Divulgação

Narrativa mais sombria e emocional

Assim como em Star Wars, Planet of Lana 2 entende que espetáculo não funciona sem emoção. A história coloca o vínculo entre Lana e Mui no centro da experiência.

Pequenos gestos, murmúrios em linguagem alienígena e cenas silenciosas fortalecem a conexão entre as personagens. Ao mesmo tempo, a narrativa não hesita em explorar temas mais densos. O mundo é belo, mas há melancolia nas ruínas, tensão nas estruturas industriais e mistério nas profundezas do planeta.

O equilíbrio entre delicadeza e escuridão é um dos maiores acertos da sequência.

Créditos: Divulgação

Há repetição? Em alguns momentos, sim

Nem tudo é perfeito. Em certos trechos, algumas mecânicas se repetem mais do que deveriam. Determinados padrões de furtividade e manipulação ambiental retornam com frequência, o que pode gerar uma leve sensação de repetição.

Ainda assim, o ritmo geral da campanha é bem conduzido. Os enigmas são justos, a progressão mantém o interesse e a curiosidade sobre os mistérios do planeta sustenta a experiência até o fim.

Créditos: Divulgação

Conclusão

Planet of Lana 2 é uma sequência mais ambiciosa, mais madura e mais segura de si. Amplia o escopo do original sem perder a essência contemplativa que conquistou jogadores em 2023.

A comparação com Star Wars pode parecer exagerada à primeira vista, mas ela nasce muito da forma como o jogo evoca essa sensação de aventura épica em um mundo alienígena fascinante, com restos de máquinas e robôs. Ainda assim, Planet of Lana 2 não vive de referências. Ele constrói sua própria identidade, com arte belíssima, trilha sonora impactante e quebra-cabeças inteligentes.

Não é um jogo de ação explosiva. É uma experiência paciente, sensível e cuidadosamente construída. E, dentro dessa proposta, entrega exatamente o que promete, talvez até um pouco mais.

Jogado no PS5. Planet of Lana 2 também está disponível para Nintendo Switch, PS4, Xbox Series e PC

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