Me lembro da primeira vez em que descobri que a franquia Pokémon não nasceu do anime, e sim dos jogos. Aquilo despertou uma curiosidade imediata. Eu precisava entender como tudo começou. Foi assim que, em 2008, tive meu primeiro contato com a série, justamente com Pokémon FireRed. Anos depois, finalmente tive a oportunidade de revisitá-lo de forma oficial, encarando a experiência exatamente como ela é.
Lançados originalmente para o Game Boy Advance em 2004, Pokémon FireRed e LeafGreen retornam agora ao Nintendo Switch como parte das comemorações de 30 anos da franquia. Hoje, essa passa a ser a forma mais acessível de explorar Kanto e capturar seus Pokémon, sem depender de hardware antigo ou do mercado de usados.
Bom para iniciantes e veteranos
Para quem está chegando agora, o sistema pode causar certo estranhamento. Diferente dos títulos mais recentes, onde toda a equipe recebe experiência automaticamente, aqui apenas o Pokémon que entra em batalha evolui. Isso torna o treinamento mais lento e exige mais atenção na hora de montar o time, já que manter todos equilibrados demanda tempo e paciência.

E quando digo que essa é uma experiência direta, é porque o jogo realmente não oferece nenhum tipo de recurso moderno. Não há save state, não há opção de acelerar batalhas, nem qualquer recurso comum em emuladores. Tudo acontece no ritmo original. Inclusive, o famoso reset rápido continua presente, bastando pressionar B, A, Y e X ao mesmo tempo quando necessário.
Outro detalhe que evidencia a idade do jogo é o sistema antigo de divisão entre ataques físicos e especiais. Aqui, o tipo do golpe define sua categoria, o que cria algumas situações curiosas na montagem de equipe. Não chega a atrapalhar, porém exige um pouco mais de entendimento para tirar o melhor proveito de certos Pokémon.
No visual, tive uma surpresa positiva ao jogar no modo TV. Normalmente, jogos portáteis sofrem quando são levados para telas maiores, com imagens esticadas ou perda de qualidade evidente. Aqui, isso não acontece. A imagem permanece bem ajustada, respeitando o formato original e sem aquela sensação de adaptação forçada. Ainda assim, existem aquelas bordas laterais, destacadas nas imagens aqui no review, para manter o aspecto clássico, algo que pode incomodar no começo, mas que rapidamente deixa de chamar atenção.

No modo portátil, a experiência segue estável. Mesmo sem suporte nativo a widescreen, o jogo ocupa bem a tela e mantém uma boa definição. Não há perda perceptível de qualidade, o que ajuda bastante na imersão durante a jornada.
Algumas coisas que fazem falta
Ainda assim, existem dois pontos que fazem falta nesse relançamento. Um deles pode ser resolvido no futuro, enquanto o outro já impacta diretamente a nossa realidade.
O primeiro é a ausência de integração com o Pokémon LeafGreen. Diferente do que acontecia no Game Boy Advance, não é possível transferir criaturas entre versões para completar a Pokédex. A expectativa é que essa funcionalidade seja adicionada futuramente através do Pokémon Home.
O segundo ponto envolve a falta de localização. O jogo não recebeu tradução para português e, além disso, cada versão é vendida separadamente por idioma, seguindo o mesmo modelo de 2004. Para a nossa região, a única opção disponível é em inglês, o que pode afastar parte do público.
Vale a pena?
Pokémon FireRed pode não ter chegado da forma que muitos fãs esperavam, porém entrega exatamente aquilo que marcou a época: a experiência clássica, sem adaptações ou concessões. Ao mesmo tempo, elimina a necessidade de investir em consoles antigos ou recorrer a alternativas paralelas para jogar.
No fim das contas, continua sendo uma ótima porta de entrada para quem quer revisitar, ou conhecer a primeira região de todas. E, pensando no futuro, quando a integração com o Pokémon HOME finalmente acontecer, ele também deve ganhar ainda mais relevância para quem busca completar sua coleção ao longo das gerações
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