Reanimal review
Imagem / Conecta Geek

Review | Reanimal é um retrato de dor, sofrimento e desespero

Produzir sequências de jogos nem sempre é uma tarefa fácil, por vezes vemos jogos ganharem uma continuação que praticamente mata uma trilogia ou franquia inteira. E pode se dizer que isso aconteceu com “Little Nightmares 3”, sendo considerado por muitos fãs o pior da trilogia. 

Mas pera, por que Little Nightmares 3 se esse texto não é sobre ele? Na verdade, de certa é sobre ele. Mas muito mais do que dele, sobre os desenvolvedores de Little Nightmares.

Antes de Reanimal ver a luz do dia, a Tarsier Studios possuía uma parceria com a Bandai Namco. Fruto desse relacionamento tivemos Little Nightmares 1 e 2, mas por divergências nas ideias, o estúdio optou por seguir seu próprio caminho, deixando o desenvolvimento do terceiro jogo com a Supermassive.

Eis que surge uma nova parceria, agora com a THQ Nordic e toda a liberdade criativa que a Tarsier buscava. E fruto dessa relação, foi anunciado Reanimal, jogo este que busca aprofundar toda a experiência prévia do estúdio.

Reanimal é muito mais que um simples jogo

É difícil falar sobre Reanimal como um simples jogo a ser jogado, mas sim uma obra a ser sentida. O jogo nos coloca no controle de dois irmãos, que juntos devem superar desafios de um mundo estranhamente bizarro, para encontrar seus amigos e, claro, sobreviver no processo.

No mundo de Reanimal temos diversas criaturas bizarras, uma mais assustadora que a outra. Mas assustador é como elas se conectam a esse lugar, com suas deformidades e aparências que parecem ser tiradas de um daqueles copypasta encontrados na dark web.

A ambientação por vezes cria uma montanha-russa de sentimentos. Seja tensão ou desespero, em momentos apropriados. Mesclando aos momentos de exploração para descobrir novos segredos, onde criam aquele clima de “algo definitivamente vai acontecer aqui”.

A lealdade de irmãos

O título se apoia na jogabilidade cooperativa, seja online ou localmente. A cooperação vai para além dos jogadores, mas também nos personagens. Na solução de quebra-cabeças, alcançar lugares ou trabalhar em conjunto para avançar.

Uma ótima notícia é que para aqueles que desejam jogar online, o jogo possui passe de amigo, que permite duas pessoas jogarem com apenas uma cópia. Para aqueles que não desejam jogar solo, é, sim, possível.

O combate no jogo está presente, mas não é o foco, são em momentos pontuais. Fora isso, as mecânicas de jogabilidade se resumem em andar, pular, correr, agachar para alcançar determinados locais e interagir, similar ao que já vimos em Little Nightmares anteriormente.

Reanimal conta com dublagem em português, que apesar de poucos diálogos, às vozes são boas. Já na parte gráfica não tem muito segredo do que já vimos em Little Nightmares, por exemplo.

Os visuais são bonitos, com muitas áreas escuras e cenários destruídos, tudo para criar uma imersão no terror. A câmera ajuda a aumentar o clima de tensão, alternando com momentos de câmera fixa ou ângulos laterais. Assim como os efeitos sonoros, seja das criaturas ou a vastidão do silêncio reinando.

Mesmo em ambientes abertos usando barco, nosso principal veículo para avançar pelo mundo, o jogo cria momentos tensos. E a trilha sonora, quando entra em cena, consegue contrastar a atmosfera de Reanimal.

Reanimal é tudo aquilo que esperávamos

É correto dizer que a Tarsier Studios evoluiu muito a fórmula desde o primeiro Little Nightmares. E isso se mostra claramente em Reanimal, seja pela sua ambientação mais peculiar.

Reanimal é tudo aquilo que os fãs aguardavam que fosse Little Nightmares 3, mas também mostra a capacidade do estúdio daqui para frente com mais liberdade criativa. O título marca um novo começo, e realça a importância da experiência adquirida ao longo do caminho.

Outras reviews:

Amante de Games desde criança e viciado em caçar platinas. Profissional de TI nas horas vagas. Você me encontra no X: @gennerdouglas