Review | Resident Evil Requiem: O Contraste perfeito entre ação e survival horror
Arte de Capa: Conecta Geek

Review | Resident Evil Requiem trabalha o contraste perfeito entre ação e survival horror

'Onde os mortos encontram o seu requiem'

'Onde os mortos encontram o seu requiem'

A franquia Resident Evil, da gigante Capcom, consolidou-se ao longo das décadas como o pilar fundamental do gênero survival horror. Resident Evil Requiem, o novo capítulo da saga, não apenas homenageia as raízes do terror biológico, mas também tenta pavimentar um caminho audacioso para o futuro da marca.

A trama de Requiem mergulha em uma atmosfera densa, onde uma doença misteriosa assombra os poucos sobreviventes do trágico incidente em Raccoon City. A narrativa se destaca ao revisitar eventos clássicos sob uma nova perspectiva, trazendo revelações que iluminam lacunas na continuidade da franquia. Tudo indica que uma figura sombria orquestra esses eventos, criando uma tramoia complexa que mantém o jogador constantemente intrigado sobre os verdadeiros culpados.

Trailer oficial de lançamento de Resident Evil Requiem.

O Horror pessoal de Grace e o retorno de Leon

Começamos a exploração no Hotel Wrenwood, local onde a protagonista Grace testemunhou o assassinato traumático de sua mãe, a jornalista Alyssa Ashcroft. Essa carga emocional confere à Grace uma vulnerabilidade palpável, refletida em seu jeito desengonçado ao lidar com armas biológicas pela primeira vez. O desenvolvimento dessa personagem é orgânico, fazendo com que o jogador sinta na pele a angústia de uma novata em um pesadelo real.

Um flashback crucial revela que Alyssa escondeu pistas vitais atrás de um quadro do hotel oito anos antes, incluindo um caderno e um disquete. Nesse momento, o primeiro encontro com um zumbi é magistralmente construído, utilizando um design de som impecável e iluminação precária para reintroduzir a ameaça clássica. A cena sangrenta serve como um lembrete brutal de que os mortos-vivos voltaram a ser figuras constantes e aterrorizantes na jornada.

Enquanto Grace luta pela vida, Leon S. Kennedy ressurge com a imponência de um veterano, exibindo o olhar sério moldado pelos horrores do passado. Entretanto, sua personalidade permanece cativante, quebrando a rigidez com piadas pontuais que mostram que seu senso de humor sobreviveu às tragédias. Leon compartilha o objetivo de Grace, investigando as mortes misteriosas dos sobreviventes enquanto lida com uma infecção pessoal que ameaça sua própria vida.

Vilões, conflitos e a dualidade do gameplay

O antagonista Victor Gideon, aprendiz do lendário Oswell E. Spencer, apresenta-se como uma figura curiosa, embora careça de uma presença intimidadora constante. Ele revela que Grace é a chave para o enigmático “Elpis”, que se torna o motor central da narrativa conforme os destinos dos protagonistas se cruzam. A trama ainda introduz Emily, uma criança cega cuja relação com Grace evoca a clássica dinâmica entre Claire e Sherry.

Ao assumir o controle de Leon, as memórias do aclamado remake de Resident Evil 4 afloram instantaneamente, entregando uma ação fluida e visceral. Seguimos para o Centro de Cuidados de Rhodes Hill, um dos melhores cenários de Requiem, é aqui que vemos suas duas faces distintas. De um lado, temos o survival horror puro com Grace; do outro, a experiência de combate aprimorada de Leon, que parece uma evolução natural do que vimos anteriormente.

Ao retornarmos à icônica Raccoon City, conforme divulgado anteriormente pela Capcom, o objetivo de Leon é resgatar Grace em um ambiente carregado de nostalgia. É possível ver como a exploração orgânica brilha na primeira metade da jornada, onde o level design integra perfeitamente a busca por recursos à narrativa de sobrevivência de Leon.

Contudo, nem tudo são flores, essa exploração maravilhosa é interrompida pela introdução súbita de uma loja de armas baseada em pontos, operando de forma similar ao sistema de pesetas de Resident Evil 4. Embora facilite o progresso, essa escolha de design me soa artificial em uma cidade devastada, gerando um contraste negativo com a exploração dos cenários anteriores.

Ainda assim, mesmo com a conveniência questionável da loja, a experiência consegue convergir para um clímax envolvente que sustenta o interesse do jogador até os momentos decisivos.

Perspectivas de câmera e a imersão no terror

No campo das mecânicas, Requiem inova ao oferecer a alternância entre a 1ª e 3ª pessoa a qualquer momento no menu. Por padrão, Grace utiliza a visão em 1ª pessoa para acentuar a claustrofobia, enquanto Leon mantém a 3ª pessoa para favorecer o combate dinâmico. Experimentar ambas as perspectivas é altamente recomendável, pois altera significativamente a percepção de velocidade e as reações dos personagens diante do perigo iminente.

As expressões faciais, especialmente as de Grace, estão detalhadas a um nível impressionante, transmitindo um sentimento genuíno de pavor ao confrontar as abominações. Jogar com ela não é apenas um survival horror com sustos fáceis; é uma experiência de tensão constante e desconforto absoluto. A Capcom acertou ao construir um terror artesanal que depende mais da atmosfera e da escassez de recursos do que de truques baratos de roteiro.

Grace incorpora o legado da série por meio de mecânicas com as quais já estamos acostumados, como os puzzles e o backtracking. Por outro lado, Leon representa a recompensa ao jogador, funcionando como um “John Wick” experiente que utiliza movimentos de execução e um machado brutal. Essa dança entre o desespero de uma novata e a precisão de um veterano cria um ritmo de jogo viciante e muito bem executado.

Excelência técnica e atmosfera sonora

No Xbox Series X, os gráficos de Resident Evil Requiem são exemplares, a capcom criou cenários ricos em detalhes e uma iluminação que dita o tom sombrio da obra. O desempenho é sólido, mantendo uma taxa de quadros estável mesmo nos momentos de maior intensidade visual e ação na tela. A direção de arte consegue capturar a decadência dos ambientes, tornando a exploração imersiva e visualmente recompensadora.

A sonoridade do game merece um destaque especial, sendo um dos pilares que sustentam o terror psicológico durante a campanha. Barulhos de correntes arrastadas e trovões repentinos colaboram para um estado de alerta permanente, elevando a imersão a patamares elevados. Além disso, a trilha sonora utiliza de forma inteligente, com composições inéditas mescladas a temas clássicos de Resident Evil 2.

Falando em campanha, minha jogatina durou cerca de 13 horas, o fator replay é garantido pelo modo Insano, que altera a disposição de itens, lógica dos puzzles e a posição dos inimigos, algo que me agradou muito. Para aqueles que gostam do modo Mercenários, ele por enquanto não está disponível, algo que sinceramente não me incomodou, gostei tanto da campanha que mal posso esperar para voltar e buscar as conquistas que faltam para os 1000G.

Um novo patamar para a franquia, Resident Evil Requiem vale a pena?

Resident Evil Requiem é um título excelente que consegue equilibrar com maestria a ação frenética e o survival horror mais puro. Ele evita o erro de ser abrangente demais, focando em entregar duas experiências distintas que se complementam de forma brilhante ao longo da narrativa. A Capcom demonstrou maturidade ao dosar os elementos de jogabilidade, garantindo que nenhum dos estilos ofuscasse a importância do outro dentro da trama.

Apesar de algumas pontas soltas no roteiro e vilões que poderiam ser mais marcantes, o conjunto da obra é extremamente sólido e satisfatório. O jogo não revoluciona a cronologia da série de forma drástica, mas mantém o padrão de alta qualidade que os fãs esperam de um título numerado. Requiem certamente garante seu lugar no hall da fama da franquia, sendo obrigatório para qualquer entusiasta do gênero que busca uma experiência autêntica.

Lançado semana passada, o título já está disponível para as plataformas PlayStation 5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch 2 e PC.

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Gamer apaixonado | Viciado em boas histórias | Explorador de mundos. Entre batalhas épicas, reviravoltas de tirar o fôlego e mundos fascinantes, estou sempre em busca da próxima grande aventura.