Screamer review
Imagem / Conecta Geek

Review | Screamer: O anime em forma de jogo

O ano de 2026 até aqui tem sido um misto de emoções no mundo dos games. Com um equilíbrio entre jogos que atingiram o hype esperado e outros que decepcionaram a grande parcela dos jogadores.

Nesse cenário de incertezas dos futuros lançamentos, surge Screamer, um jogo arcade, reboot do original lançado em 1995, e um dos jogos que eu particularmente estava ansioso. Porém, infelizmente passou longe de atingir minhas expectativas e nesse texto explico por quê.

Para contextualizar, em seu trailer da história, Screamer vendeu uma mistura de corridas intensas com uma narrativa centralizada em um personagem específico. Entretanto, na minha experiência com o jogo em mãos, a narrativa se mostrou confusa e as corridas foram em sua maioria sem diversão alguma.

Screamer não foge dos clichês narrativos

O principal modo em Screamer é denominado Torneio, este que é dividido em capítulos e é basicamente a história. Com um total de quatro capítulos, cada um deles se divide em episódios, não tendo um número fixo, possuindo também episódios extras, idêntico aos “fillers” dos animes.

A narrativa gira em torno de um grande torneio, como o próprio nome diz, organizado por um misterioso mascarado conhecido por Mr. A. O torneio reúne as melhores equipes de Screamers (corredores) do mundo, para disputar um prêmio de 100 bilhões, pagos diretamente pelo homem misterioso.

Não temos um personagem fixo, na verdade, controlamos pelo menos uns 10 personagens diferentes, às vezes enfrentando outro que acabamos de jogar. Na prática parece funcional, mas confesso que gostaria que fossem capítulos distintos focados nos personagens.

Cada personagem tem suas próprias motivações para estar no torneio, que vão sendo reveladas à medida que avançamos através da história. No quarto ou quinto personagem, você provavelmente nem se lembra das motivações do primeiro, o que te faz não se sentir apegado a ninguém, pelo menos senti assim.

O título adota o sistema presente em jogos do gênero visual novel, onde você pode deixar os diálogos automáticos ou caso você prefira, tem que ficar apertando para avançar. Diferente das novels tradicionais, não há escolhas, apenas a transição para as corridas ou loads para um novo episódio.

Para além do Torneio, Screamer também conta com outros modos de jogo, como Arcade, onde você tem corrida normal, time attack, corrida em equipe e pontos de controle. Cada modo é liberado à medida que você joga algum dele no Torneio. Podemos também jogar em tela dividida, com até quatro jogadores.

Há também multiplayer, mas esse não pude testar, pois os servidores não estavam ativos antes do lançamento oficial. Mas lá existe o modo rankeado, privado e partidas normais, com sessões de até 10 jogadores.

Gráficos são dignos de um anime, mas carecem de correções

Desde seu anúncio Screamer mostrou visuais belíssimos, transmitindo literalmente a sensação de estar assistindo um anime, até porque, foi desenvolvido em parceria com a Polygon Pictures, estúdio já consolidado nos animes. Com os traços dos personagens nas cinemáticas e os efeitos visuais são equiparáveis a grandes títulos lançados no mercado japonês das animações.

Infelizmente o detalhe que pecou muito foram as sincronizações labiais. Cada personagem fala um idioma diferente, indo de francês, italiano, japonês ou inglês, mas todos eles não têm sincronia alguma com os lábios, deixando aquele aspecto de que o som está atrasado ou adiantado.

Nas corridas os visuais não ficam para trás, são carros com design futuristas, seguindo uma temática cyberpunk. Locais coloridos e cheios de tecnologia nos próprios carros, detalhes que casam muito bem com a narrativa apresentada.

Porém, um dos problemas que me causou incômodo foi o excesso de cores e luzes enquanto você está correndo. Em muitos momentos é impossível enxergar curvas ou para onde a pista vai, porque é tudo muito brilhante ao redor, chegou ser irritante cometer erros por não saber aonde ir.

E falando em cometer erros, Screamer é extremamente punitivo, mesmo que você opte por jogar na dificuldade mais fácil, chamada de “Focado na História”. Na maior parte das corridas não se trata de corridas normais de ponto A ao B, ou circuitos, mas sim cumprir objetivos, sejam eles realizar KO, utilizar turbo X vezes ou finalizar a corrida à frente de um oponente, caso você não os cumpra, é fim de jogo.

Sobre os objetivos, ao chegar lá pelo capítulo três ou quatro, a repetitividade chega a causar desespero. Perdi às contas de quantas vezes foram exatamente o mesmo objetivo, mas em uma pista ou personagem diferente. Você pode até se interessar pela história, mas não cumprir as corridas significa que não vai avançar.

Outro detalhe que senti falta de profundidade foi sua trilha sonora, com faixas eletrônicas repetitivas. Houve um momento que tive que silenciar às músicas, porque estavam irritantes. Além de uma possível customização dos carros, que só é possível alterar cores e adesivos, que também são liberadas à medida que avançamos no Torneio.

Jogabilidade confusa e nada amigável

Partindo para a jogabilidade, ela é confusa e complexa a depender do objetivo solicitado na corrida. Por exemplo, há corridas onde você precisa vencer, executar x KO’s, usar turbo x vezes e ainda se defender dos oponentes. O problema é que uma ação leva a outra.

Para soltar turbo/nitro é necessário acertar o timing correto das marchas ou executar o drift perfeito. Ativar o nitro vai carregar a barra de strike, habilidade para executar oponentes ou usar o escudo, para se defender. Se você bater nas paredes o carregamento da barra de nitro para ou reinicia, te deixando em desvantagem.

Nas opções de jogo até há opções de acessibilidade, como aceleração ou drift automáticos, mas sinceramente, só me atrapalharam ao testar. Fora isso, a outra opção é reduzir a velocidade do jogo, podendo deixar até em câmera lenta, mas se torna impossível jogar assim.

A dirigibilidade dos carros eu não esperava que fosse um Need for Speed, mas também não esperava que fosse tão ruim. Os carros de Screamer mais parecem um tanque de guerra de tão pesado, para fazer uma curva se torna obrigatório usar drift, controlado no analógico direito do controle, do contrário vai ser uma corrida em paredes.

A inteligência artificial dos oponentes também beira a perfeição. Raramente os vi cometendo erros ou batendo em uma curva, muito pelo contrário, se você não fizer uma boa largada, onde é preciso acertar o timing da marcha, ou ficar batendo propositalmente nos outros carros, dificilmente vai ganhar alguma corrida.

Screamer é uma novel com carros

Desde seu anúncio eu admito que criei uma expectativa de que Screamer fosse algo próximo do que “Need for Speed: Unbound” foi, com corridas realmente e traços animados. Porém, o jogo entrega uma novel com carros, onde nem as corridas são o principalmente foco, mas sim a narrativa em torno dos personagens e suas motivações para participar do Torneio em busca do prêmio bilionário.

O jogo até apresenta uma animação espetacular, digna do estúdio Polygon Pictures e uma história inicialmente intrigante, mas a mistura de personagens, com corridas que se resumem a cumprir pequenos objetivos, deixa o jogo decepcionante e cansativo.

Outras reviews:

Amante de Games desde criança e viciado em caçar platinas. Profissional de TI nas horas vagas. Você me encontra no X: @gennerdouglas