Capa do jogo focando no personagem principal
Créditos: Divulgação

Review | Super Bomberman Collection: acerta na nostalgia, mas com celebração tímida

Os clássicos do SNES e NES em uma coletânea nostálgica e divertida, mas limitada

Os clássicos do SNES e NES em uma coletânea nostálgica e divertida, mas limitada

Revisitar clássicos nunca é uma tarefa simples, especialmente quando falamos de uma franquia tão emblemática quanto Bomberman. Lançada em 5 de fevereiro de 2026, a Super Bomberman Collection marca o retorno de alguns dos títulos mais queridos da série, reunindo cinco jogos da era Super Nintendo e dois clássicos do NES em um único pacote. A iniciativa da Konami é válida, mas, ao mesmo tempo, deixa a sensação de que essa homenagem poderia ter ido muito além.

Criada nos anos 1980, Bomberman se consolidou como uma das franquias mais carismáticas dos videogames, misturando ação estratégica, partidas caóticas e um multiplayer marcante. A coletânea acerta ao preservar a essência desses jogos, mas tropeça ao entregar um conjunto de recursos bastante conservador para os padrões atuais.

A fórmula clássica que continua funcionando

A base da jogabilidade segue intacta, e isso é uma boa notícia. Em todos os jogos presentes na coleção, controlamos o icônico Bomberman em labirintos repletos de inimigos e blocos destrutíveis. O objetivo permanece simples: eliminar todas as ameaças do mapa utilizando bombas posicionadas de forma estratégica, liberando o caminho até o portal de saída.

Os power-ups continuam sendo parte essencial da experiência. Eles modificam o alcance das explosões, permitem empurrar ou chutar bombas, atravessar blocos e até perfurar obstáculos mais resistentes. Esse sistema garante uma boa camada de profundidade estratégica, já que cada movimento precisa ser pensado com cuidado, uma bomba mal posicionada costuma ser tão letal quanto os próprios inimigos.

Inimigos variados e desafios crescentes

Ao longo dos títulos da era Super Nintendo, a variedade de inimigos cresce consideravelmente. Há criaturas que atravessam paredes, outras que se transformam temporariamente em bombas, além de chefes com padrões de ataque específicos que exigem observação e paciência do jogador.

A partir de Super Bomberman 3, entram em cena as famosas montarias, que não apenas protegem o personagem de um golpe fatal, como também concedem habilidades únicas. Entre elas estão saltos mais altos, chutes em bombas e até ataques baseados em ondas sonoras, trazendo uma camada extra de diversão e personalidade aos combates.

Progressão que evolui jogo a jogo

A estrutura das fases também passa por mudanças interessantes ao longo da coletânea. O primeiro Super Bomberman segue o formato clássico, com o portal escondido sob blocos destrutíveis. Em Super Bomberman 2, interruptores espalhados pelo mapa passam a ser obrigatórios para avançar.

Já em Super Bomberman 3, as fases podem ser rejogadas livremente, enquanto Super Bomberman 4 e 5 optam por portões que surgem automaticamente após o cumprimento dos objetivos. O quinto jogo, inclusive, oferece caminhos alternativos, dando ao jogador mais liberdade na progressão.

Os dois títulos extras do NES, Bomberman e Bomberman 2, funcionam quase como um registro histórico. O primeiro aposta em fases longas e labirínticas, enquanto o segundo já aponta para a estrutura mais direta que definiria o futuro da franquia.

Novidades bem-vindas, mas básicas

Entre os conteúdos inéditos, o destaque fica para o modo Boss Rush, disponível nos jogos da era Super Nintendo. Nele, o jogador enfrenta todos os chefes em sequência, tentando concluir o desafio no menor tempo possível. Há três níveis de dificuldade, Fácil, Normal e Pesadelo, que alteram atributos e exigem domínio total das mecânicas.

A coletânea também traz recursos modernos de qualidade de vida, como salvamento rápido e a possibilidade de retroceder o tempo, permitindo corrigir erros pontuais. Essa funcionalidade é especialmente útil, já que apenas Super Bomberman 5 possui um sistema de salvamento nativo; os demais utilizam o antigo sistema de senhas.

Além das novidades, é impossível não destacar que o modo Batalha continua sendo o grande brilho da franquia. É nele que Bomberman realmente mostra sua força, entregando partidas caóticas, imprevisíveis e extremamente divertidas. O modo coloca até quatro jogadores em arenas fechadas, onde o objetivo é simples: ser o último sobrevivente.

Na prática, porém, isso se transforma em um festival de explosões, armadilhas improvisadas, traições de última hora e viradas inesperadas, tudo impulsionado pelo uso inteligente dos power-ups espalhados pelo mapa. Cada partida é diferente da anterior, e mesmo derrotas costumam render boas risadas. 

Apresentação caprichada… até certo ponto

Visualmente, a coleção oferece opções como filtro CRT, Pixel Perfect, Widescreen e molduras personalizadas com artes de cada jogo. O resultado é funcional, mas não impressiona. Um ponto negativo importante é a proporção da tela, que não se adapta tão bem aos padrões modernos, fazendo com que os jogos pareçam “apertados” em alguns momentos.

Por outro lado, há acertos na parte de preservação histórica. A coletânea permite visualizar caixas e cartuchos originais, incluindo versões japonesa, norte-americana e europeia. Também estão disponíveis manuais digitais, que mantêm o design original, remetendo a revistas e encartes da época, um prato cheio para fãs mais nostálgicos.

No entanto, esse mesmo cuidado estético gera um problema: os manuais não possuem tradução. A maioria está apenas em inglês, enquanto os de Super Bomberman 4 e 5 permanecem exclusivamente em japonês, o que limita bastante o acesso ao conteúdo para parte do público.

Conteúdo extra e trilha sonora

Outro destaque positivo é a Galeria, que reúne artes conceituais e ilustrações de cada jogo, além do Bomb-Radio, um menu dedicado às trilhas sonoras. Nele, é possível ouvir todas as músicas da série, favoritar faixas e criar playlists personalizadas; um extra simples, mas bem-vindo.

Multiplayer

A maior questão de Super Bomberman Collection está no modo multijogador. Por padrão, ele é apenas local, isso não chega as ser um problema, principalmente para mim, um amante do coop local. Porém em pleno 2026, a ausência de um multiplayer online nativo soa como uma oportunidade desperdiçada. O caótico modo Batalha sempre foi um dos pilares da franquia, e vê-lo limitado dessa forma é frustrante.

Até existem alternativas, como o GameShare no Switch 2 ou soluções externas no PC, mas nada disso substitui um suporte online oficial e bem implementado. Soma-se a isso o remapeamento de controles extremamente limitado, e temos uma coleção que parece não ter sido pensada para diferentes perfis de jogadores.

Super Bomberman Collection vale a pena?

Super Bomberman Collection entrega exatamente o que promete: uma seleção sólida de jogos clássicos que continuam tão divertidos hoje, quanto eram décadas atrás. Por vários momentos voltei aos meus 8 anos de idade jogando Super Bomberman 5 no playstation 2, através da colêtania de mais de 1000 jogos de consoles retrô. Ainda, a jogabilidade envelheceu bem, os desafios seguem criativos e o pacote oferece momentos genuínos de diversão, especialmente para quem deseja reviver a franquia.

Porém, como coletânea, o projeto é tímido. A ausência de multiplayer online, as opções limitadas de configuração, a falta de traduções nos materiais extras e uma apresentação visual pouco adaptada aos tempos atuais deixam claro que a Konami poderia, e deveria, ter ido além. No fim das contas, trata-se de uma boa celebração nostálgica, mas longe de ser a homenagem definitiva que Bomberman merece.

Super Bomberman Collection está disponível para PS5, Xbox series, Nintendo Switch 1 e 2 e PC.

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