Review | Tales of Xillia Remastered traz de volta título curioso e sólido da série
Capa: Conecta Geek

Review | Tales of Xillia Remastered traz de volta o clássico sólido da franquia

Lançado originalmente em setembro de 2011 exclusivamente para PlayStation 3 e em 31 de outubro de 2025 para as plataformas atuais, desenvolvido pela Bandai Namco, Tales of Xillia Remastered retorna em uma remasterização curiosa, trazendo melhorias na qualidade de vida do jogo, mas sem mudar muita coisa no jogo, mantendo assim grande parte da integridade do lançamento original.

Essa remasterização faz parte de um projeto da Bandai Namco, que visa disponibilizar títulos mais antigos para as plataformas atuais, deixando-os mais acessíveis e colocando qualidades de vida para que a experiência seja um tanto mais sólida.

Jornada simples, mas muito sólida

Aqui acompanhamos a jornada de dois protagonistas, Jude Mathis e Millia Maxwell, sendo Jude um estudante de medicina e Millia sendo uma espécie de “senhor dos espíritos” onde ela comanda os quatro grandes espíritos: Efreet, Udine, Syph e Gnome – esses por sua vez são invocações já famosas na franquia Tales, aqui eles tem uma importância um tanto grande, e são diretamente ligados ao mundo do jogo chamado de Rieze Maxia, onde são os espíritos elementais desse mundo, e são também ligados diretamente a Millia.

Fonte: TechRadar

Tales of Xillia nos dá a chance de escolher entre Jude e Millia, e apesar da escolha, a rota deles não diferem tanto umas das outras, porém cada uma delas tem cenas e alguns cenários exclusivos, o que dá um valor a mais na hora de fazer um New Game + no jogo.

A rota de Jude tem uma certa importância maior na construção e contexto do mundo, já a rota da Millia nos proporciona um discernimento maior em algumas cenas que podem estar fora de contexto, de qualquer forma o enredo tem uma linearidade com poucas diferenças.

Na trama, Millia está em uma jornada para destruir a arma conhecida como Lança de Kresnik – uma arma devoradora de mana criada pela organização Exodus para fins que já vimos em várias histórias desse tipo. Millia como a protetora dos espíritos se vê encarregada de destruir essa arma, e é nessa jornada que nossos protagonistas se deparam, Millia inclusive começa a sua jornada já com bastante garra e força, ela no começo do jogo acompanha dos espíritos que mencionei acima, e ela basicamente trucida qualquer inimigo com muita facilidade, mas após alguns acontecimentos, ela perde esse auxilio ficando bastante fraca, e Jude se vê na obrigação de ajuda-la.

Esse começo de Xillia remete bastante o começo de Castlevania: Simphony of the Night, em que a mesma situação ocorre com o personagem Alucard.

Millia e Jude compõem um time bem diferenciado de protagonistas, sendo ela a primeira protagonista feminina da franquia (apesar de protagonizar ao lado de Jude) e ele sendo um estudante de medicina que é focado em artes marciais melee, é um tanto engraçado de imaginar um estudante de medicina saindo por aí dando porrada em monstros, então ponto para a criatividade dos responsáveis pelo jogo.

Entre outros membros da party temos o mercenário Alvin – que é de longe um dos personagens mais carismáticos do jogo, Leia Rolando (sim) – que é uma aprendiz de enfermeira, e amiga de infância de Jude, Elize Lutos – a mais jovem do grupo e que apesar de sua idade, é uma mestra eu invocar espíritos, e Rowen J. Ilbert – Um mordomo de uma família de classe alta, esse por sua vez é o membro mais velho do time, e que tem um dos melhores designs do jogo.

A série Tales tem uma particularidade muito boa onde aleatoriamente pelo jogo, acontece um sub-evento onde ao apertarmos o botão para checar, somos agraciados com algumas interações aleatória dos personagens, onde eles discutem coisas mais fúteis ou sobre as situações que eles se encontram, apenas com diálogos e pequenas portraits animadas com a expressão de cada personagem, e apesar da sua natureza simples, temos aqui uma das melhores sacadas de que já vi em videogames, onde vemos os personagens sendo mais humanizados e interagindo entre eles, dando um desenvolvimento maior para a relações deles.

Vários jogos tem algo parecido, podemos ver interações um tanto aleatórias de Joel e Ellie sobre o mundo em The Last of Us por exemplo, mas a forma simples que a franquia Tales utiliza desse sistema, faz ele ter mais margem de uso e desenvolvimento dos personagens, e como eu disse, apesar da natureza simples, o dinamismo com poucas movimentações dos quadros dos personagens, e a dublagem do jogo faz tudo isso ganhar um sabor a mais.

Tales of Xillia | Bandai Namco

O mundo de Tales of Xillia é bem rico e um tanto original em vários lugares, mas não consigo deixar de ver o quanto esse jogo aparentemente se inspirou em Final Fantasy X, não só em partes do enredo principal como até em algumas mecânicas, mas é apenas uma impressão minha.

Um clássico que ainda é dinâmico e divertido

Tales of Xillia tem uma direção de arte muito bonita, com designs de personagens de Mutsumi Inomata (que ela descanse em paz) e Kosuke Fushijima que entrega um visual muito puxado para o que esperamos de animes e da série Tales of em geral.

Apesar dos gráficos um tanto datados de PS3, ele ainda continua muito bonito em várias partes, algumas técnicas gráficas infelizmente não foram replicadas aqui e imagino que foi por conta da mudança de engine (o remaster é feito da Unity engine), algumas texturas também não estão muito bonitas, pois geralmente utilizam de IA para remasterizar algumas delas, mas em geral, o visual continua muito fiel, o que pode agradar bastante aos fãs.

O jogo roda a 60 FPSs constantes no PlayStation 5 tanto na parte de exploração quanto no combate, em comparação ao original, ele rodava a 30 frames nos campos e apenas nas batalhas ele utilizava dos 60 frames.

Ouvi falar que a versão do Nintendo Switch não roda com uma boa consistência nos framerates, mas infelizmente não tive a oportunidade de testar.

Abordando agora a exploração, ponto que em Tales of Xillia é um tanto simples demais. É um padrão que já foi visto diversas vezes em vários jogos do gênero, temos uma divisão de mapas para cada área, e fora das cidades dos jogos, temos campos onde são repletos de diferentes inimigos e itens espalhados para dar uma sensação de grandeza na exploração.

Como esse é um jogo de PS3, os mapas aqui ainda têm uma divisão de área bem pequena de um para o outro, mas se você não está acostumado com essa estrutura, é apenas questão de costume, nada que estrague a experiência em geral.

O grande diferencial de Tales (a série como um todo) é em seu combate, que nos traz um dinamismo bem diferente do que estamos acostumados em JRPGs. Por exemplo, a série não é um típico JRPG de turno, já que dentro das batalhas Tales vira um RPG de ação.

Em Xillia, os monstros aparecem fisicamente pelo mapa, e ao engajarmos com eles, entramos em um modo de batalha que aqui é chamado de “Dual Raid Linear Motion Battle System”, onde utilizamos quatro personagens em batalha, e dentro dela utilizamos de golpes normais a ataques mágicos/técnicas especiais, um sistema conhecido como link, e também podemos utilizar menus para definir estratégia ou uso de itens. Como um bom JRPG de ação, Xillia também utiliza de shortcuts para que o dinamismo da batalha não se perca enquanto usamos os menus, definindo a utilização de magias rápidas pelo uso desses atalhos.

Uma diferença da série Tales nos combates também, é que eles bebem bastante da água que concebeu os jogos de luta, apesar de não termos comandos complexos como é de costume do gênero, Tales utiliza de direcionais + botões de ataques para realizarmos diferentes combinações e combos de ataques, se usarmos o botão de ataque + o analógico para cima, nosso personagem irá jogar o inimigo para o ar e utilizar um combo aéreo, se utilizarmos o ataque para baixo, iremos focar nas partes mais baixas dos inimigos, o que pode ser útil já que eles podem ocasionalmente defender nossos ataques, e precisamos quebrar a defesa dos mesmos.

Nossos personagens também conseguem utilizar um comando de defesa, magia funciona também da mesma forma que os ataques normais, e um dos maiores diferenciais de Xillia aqui é o comando de link, onde dois dos nossos personagens podem ficar “linkados” e nesse estado, enquanto controlamos um dos personagens, o outro irá te ajudar diretamente, utilizando comandos parecidos, e usando outros em diferentes ocasiões, como não deixar que inimigos te ataquem por trás, ou te curar quando for necessário, permitindo assim uma luta mais coordenada.

Com o link ativo, também cresce a nossa margem de combos, onde podemos emendar com diferentes movimentos do membro da party linkado conosco, cada um tem sua particularidade com o link, o que cresce a margem de estratégias que o jogador pode criar em torno disso, além de termos acesso ao ataque especial chamado de Linked Artes, que só que ocorre quando enchemos uma barra e quando abrimos uma brecha na defesa do inimigo para a utilização desse ataque especial, claro que o jogo coloca condições especificas para não abusarmos do ataque e para que o jogo não vire um passeio no parque.

Uma das novidades do remastered fora das batalhas é o “Grade Shop” estar disponível desde o início da experiência do jogo, onde nos jogos normais da série, para ter acesso a esse shop, é necessário finalizar o jogo pelo menos uma vez (e no Xillia faz sentido até, pois ao terminar o jogo, você pode escolher outra rota para rejogar o jogo com algumas diferenças leves).

Com o Grade Shop disponível desde o começo, o jogador pode ter acesso a algumas coisas que deixam o jogo um pouco fácil demais, como por exemplo: aumentar o limite da capacidade dos itens, ganhar o dobro de experiência por combate, ou até mesmo diminuir o custo do uso das Artes.

Eu inclusive recomendo aos novos jogadores, não utilizarem das apelações que temos acesso rápido aqui, já que esse tipo de coisa faz o jogo virar um passeio no parque.

No remastered temos acesso a vários cosméticos e upgrades que eram vendidos como DLCs, com todos esses bônus disponíveis, temos acesso a um número absurdo de Gald e outras coisas que facilitam e muito a experiência, já que com esse dinheiro podemos evoluir as lojas para que elas nos proporcionem equipamentos que deveríamos pegar só tardiamente no jogo, e assim, qualquer monstro pode levar pelo menos um hit ou dois para serem derrotados.

É uma boa pedida para quem já conhece e jogou Xillia lá no passado, mas sem dúvidas deixa a experiencia um tanto fácil até demais, mas é ótimo que o jogo tenha essas opções. Se você está interessado só na narrativa do game, você é livre para utilizar esses recursos.

Já que meio que atropelei alguns sistemas falando disso aqui; as lojas do jogo tem um sistema de “upgrade” onde precisamos desembolsar ou nosso dinheiro, ou alguns materiais para que elas nos proporcionem itens ou equipamentos novos, é um sistema um tanto interessante de progressão, que pode proporcionar desafios únicos para os jogadores, se eles não tem interesse em conseguir equipamentos ou itens melhores, eles podem seguir sem dar esse upgrade, caso contrário, nós evoluímos com o que temos, mas também precisamos desembolsar dos nossos Galds para comprar os itens novos, eu achei uma boa mudança no sistema padrão de lojas que temos em diversos jogos.

Tales of Xillia também tem um sistema de grid chamado de Lilium Orb, onde com as pontuações que vamos adquirindo durante as lutas, podemos utilizar para ganhar upgrades nos nossos personagens, sejam eles upgrades de status, ataques, ou habilidades especiais.

Esse sistema funciona de forma bem parecido com o sistema de Sphere Grid de Final Fantasy X, mas também tem suas próprias particularidades, e eu pessoalmente adoro como ele funciona mais ou menos como a teia de uma aranha, e quando mais vamos dando upgrades, mas ela vai se formando.

Tales of Xillia Remastered | Bandai Namco

Vale ressaltar também que o combate do jogo tinha inicialmente um bug onde os comandos direcionais estavam sensíveis, o que fazia você fazer alguns movimentos por acidente. Apesar de ser algo pequeno em si, podia fazer muita gente estranhar. Isso foi devidamente corrigido em um patch lançado.

Dublagem em inglês cômica, mas ótimas escolhas sonoras

Tales of Xillia tem mais uma vez uma trilha sonora composto pelo lendário Motoi Sakuraba, que é responsável por praticamente toda a parte sonora de quase a série Tales of inteira (se não for ela inteira). Xillia tem uma trilha sonora que envolve bastante, Sakuraba faz músicas bastante atmosféricas em várias partes do jogo, e também várias músicas eletrizantes utilizando seu teclado que é uma de suas marcas na música, e bastante rock eletrônico.

No mais, a trilha sonora tem bastante força, apesar de não ser o maior marco da série ou da carreira do Motoi, ela certamente sabe o que faz, apostando em músicas mais orquestrais em um mundo mais fantástico e mágico.

Os efeitos sonoros do jogo também são bastante bons, eles têm uma certa nostalgia da época em que ele foi lançado, utilizando vários efeitos sonoros que já eram marca da série desde a sexta geração de consoles, mas outros bastante únicos do próprio Xillia, os ataques também tem um bom efeito sonoro e entregam bastante o impacto desses golpes.

E temos a dublagem em inglês do jogo, que é extremamente risonha para mim, vários personagens soam bastante esquisitos, e até aparentam ter uma idade que eles não têm, mas ainda assim ela cresce com você durante a jogatina, e eu pouco a pouco me acostumei com ela.

Mas caso você não aguente a dublagem em inglês (e sejamos sinceros, muita dublagem de jogo japonês e principalmente JRPGs e Animes devem bastante nesse quesito) você pode trocar para a dublagem original em japonês, que sem dúvidas causa menos estranhamento que a norte americana.

Considerações finais

Tales of Xillia Remastered é uma boa remasterização, apesar de poder ser considerado um tanto “datado” já que ele traz claramente costumes da sétima geração de consoles, ele ainda se mantém um jogo extremamente sólido e um JRPG bastante divertido, com várias particularidades que o torna um tanto especial nessa franquia enorme.

O jogo tem sua parcela de novidades que faz ele ser uma adição interessante da franquia, como eu já citei, a possibilidade de escolher entre dois protagonistas no inicio do jogo é bem interessante, e nos dá mais margem para replays, e apesar de um tanto covarde, temos aqui a primeira protagonista feminina da série, que não é lá grande coisa, mas é um up.

Tales of Xillia Remastered | Bandai Namco

Xillia tem um sistema de combate sólido, e apesar de ter algumas animações um tanto “truncadas” devido ao tempo em que o jogo foi lançado, ele ainda entrega bastante beleza e um combate bem fluído, fica claro que o combate de Tales sempre é a maior prioridade no desenvolvimento dos mesmos.

Você pode começar a série por ele? Certamente! Tales of é uma das franquias que se beneficia de ter vários jogos diferentes uns dos outros. Todo jogo novo é uma nova jornada, e quando você tem uma continuação, você tem uma numeração direta no subtítulo do jogo, como aconteceu com Tales of Destiny, e no próprio Xillia, e com isso, não temos uma confusão como ocorre até bastante com a série Final Fantasy.

Agora resta saber se a Bandai Namco também irá remasterizar a sua continuação em breve, o que já é estranho não ter ocorrido, já que o segundo jogo reutiliza bastante de vários assets do primeiro jogo. Até lá, ficamos no aguardo.

Um agradecimento a Bandai Namco por disponibilizarem o jogo para analise!

Tales of Xillia Remastered está disponível para PlayStation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch e PC.

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Escritor Freelancer.Tenho como paixão primária em videogames e principalmente no gênero JRPGs, mas também sou fascinado por filmes e animações.