Review | Terra Memoria: uma costância nostálgica com gráficos 2.5d deslumbrantes

Terra Memoria é um RPG estilo 2.5D que se passa no mundo fantástico de Terra, onde humanos e criaturas antropomórficas viviam em harmonia até que uma grave escassez de cristais mágicos gerou caos. Então, aparecem robôs ancestrais chamados Carcaças que despertam e atacam as cidades.

Você controla um grupo de seis heróis: o mago rinoceronte Moshang, a invocadora raposa Syl, a shapeshifter Meta, o inventor Edson, a ferreira Opala e o bardo Alto. Juntos, eles investigam o sumiço dos cristais, exploram locais antigos e enfrentam inimigos enquanto cada protagonista busca resolver um drama pessoal.

Assim, o objetivo principal do protagonista é restaurar os cristais, salvar as cidades e proteger Terra da destruição. o jogo foi desenvolvido pelo estúdio indie La Moutarde e publicado pela Dear Villagers.

As animações são suaves e fluidas, os efeitos visuais são de cair o queixo e a paleta de cores tem um charme nostálgico que vai fazer você se sentir como se estivesse revivendo os velhos tempos. A trilha sonora é como se fosse uma orquestra sinfônica tocando ao vivo. Os temas alternam entre momentos tranquilos e emocionais conforme a situação.

Só um pequeno detalhe que talvez possa ser melhorado: às vezes a trilha sonora parece um pouco repetitiva, especialmente em seções importantes do enredo, como na transição entre a cidade de Constância e as minas de cristais. Mas mesmo assim, é um detalhe mínimo em um jogo que, no geral, é muito bom.

Inovador, porém nem tanto.

O combate por turnos aqui é realmente inovador, mas nem tanto! Imagine uma linha do tempo que mostra exatamente quando cada personagem vai agir, com base na sua velocidade. Cada golpe que você dá ou recebe move seu personagem para frente ou para trás nessa linha, o que muda completamente o ritmo da batalha.

É como jogar xadrez, você precisa pensar alguns passos à frente e planejar suas jogadas com cuidado, mas aqui tem um toque de imprevisibilidade que deixa tudo mais interessante. Os personagens ativos recebem apoio aleatório de aliados, que podem virar o jogo de cabeça para baixo de uma hora para outra. Esses aliados podem mudar ataques, elementos ou efeitos de maneiras totalmente inesperadas, tornando cada batalha uma experiência única e cheia de estratégia. É essa incerteza que torna o jogo super divertido e desafiador.

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O sistema de combate parece um pouco limitado. Você sempre luta com os mesmos três heróis, enquanto os outros ficam lá nos bastidores, sem muita utilidade. Isso acaba reduzindo o número de personagens que você pode realmente usar em campo.

E tem outro problema: alguns jogadores acham que o combate é fácil demais, especialmente quando você usa a cozinha para curar o HP. Isso faz com que os desafios percam um pouco a graça. É como se o jogo estivesse pedindo por um pouco mais de desafio e variedade.

Bild são legais, mas será que são necessarios?

Outra coisa interessante é o sistema de construção da cidade, que permite reconstruir e decorar as áreas. Isso adiciona um toque de personalidade à exploração e torna o mundo mais vivo. No entanto, essa parte do jogo acaba sendo simplória demais. Não é que não seja divertida, mas ela não tem muito impacto nas mecânicas principais do jogo. É como se fosse um extra legal, mas não essencial.

O jogo tem um charme todo seu e proporciona uma jornada bem aconchegante, mas a duração de 10 a 20 horas pode ser um pouco curta para os fãs de RPG clássico. Mesmo com as missões secundárias e a construção da cidade, o jogo parece terminar um pouco rápido demais. Os últimos capítulos, especialmente, dão a impressão de que foram feitos às pressas e simplificados, o que é um pouco decepcionante.

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Também, há relatos de bugs e travamentos, especialmente na versão de Switch, em missões específicas e áreas como fontes termais que impediam o progresso, embora esses problemas estejam corrigidos na versão de PC com atualizações posteriores.

Prós e Contras

Prós

  • Visual inusitado com pixel art e cenários pseudo-3D que lembram RPGs clássicos.
  • Combate por turnos estratégico com sistema de timeline e suporte aleatório.
  • Trilha sonora evocativa e clima acolhedor.
  • Elementos de construção de cidade, culinária e crafting que enriquecem a experiência.
  • Histórias dos personagens incluem dramas pessoais e motivações individuais bem integradas à narrativa principal.

Contras

  • Dificuldade geralmente baixa e repetitiva, reduzindo o desafio.
  • Sistema de suporte limita a variedade de personagens ativos em combate.
  • Missões secundárias e town building têm impacto superficial.
  • Narrativa simples e reviravolta previsível no terceiro ato.
  • Bugs e travamentos relatados na versão Switch, especialmente em certas quests, embora corrigidos em versões posteriores.

Em suma, Terra Memoria comprova que a La Moutarde conseguiu criar um RPG indie com charme nostálgico e mecânicas criativas. Mesmo que o combate não exija grande habilidade e alguns sistemas fiquem aquém do esperado, a combinação de visual acolhedor, trilha sonora bem elaborada e personagens carismáticos torna o jogo uma experiência memorável. Para quem busca um RPG cozy com exploração, crafting e clima leve, este título é altamente recomendável.

Terra Memoria está disponível para Playstation 5, Xbox Series S|X e PC.

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