Review | Thief VR: Legacy of Shadow marca o retorno de uma franquia clássica em Realidade Virtual

O retorno da franquia em realidade virtual dá uma nova visão a ela

O retorno da franquia em realidade virtual dá uma nova visão a ela

A realidade virtual vem se mostrando um caminho interessante para resgatar franquias que passaram anos sem receber novos jogos. No ano passado, por exemplo, Metro ganhou um título completo pensado para VR, provando que esse formato pode ir além de simples experiências curtas. Agora, é a vez de uma série ainda mais antiga dar as caras novamente.

Com seu primeiro jogo lançado em 1998 e o último título em 2014, Thief retorna por meio da realidade virtual, tentando preservar a essência furtiva que sempre definiu a franquia. A proposta é clara desde o início: colocar o jogador novamente na pele de um ladrão, onde observar, planejar e agir no momento certo continua sendo mais relevante do que partir para o confronto direto.

Em Thief VR: Legacy of Shadow, controlamos Magpie, uma ladra iniciante que vive à sombra de nomes mais experientes e acaba se envolvendo em uma conspiração liderada pelo Barão Northcrest. A narrativa serve como pano de fundo para justificar as infiltrações, sem grandes reviravoltas, funcionando mais como um elo entre as missões do que como um elemento central da experiência.

Você na pele de uma ladra

A estrutura do jogo se mantém bastante direta. Em cada capítulo, recebemos a tarefa de roubar determinados itens espalhados pelos cenários, repetindo essa lógica ao longo de quase toda a campanha, com pouca variação de objetivos, salvo no capítulo final. Essa repetição pode incomodar alguns jogadores, mas também ajuda a reforçar a identidade da franquia, que sempre girou em torno do ato de invadir, roubar e sair sem ser percebido.

Os cenários são pensados para incentivar a exploração. Cada área oferece diferentes oportunidades, seja para eliminar inimigos de forma silenciosa, contorná-los sem ser notado ou simplesmente vasculhar o ambiente em busca de tesouros. Há múltiplos caminhos possíveis em cada fase, com pontos estratégicos para evitar a visão dos guardas ou posições mais favoráveis para ataques furtivos, o que dá uma boa sensação de liberdade ao jogador.

Boa parte dessa exploração passa pelo sistema de fechaduras. Algumas portas podem ser abertas com chaves encontradas pelo mapa ou carregadas pelos próprios guardas, enquanto outras exigem o uso de gazuas. Nesses momentos, a interação com as mãos simula a sensação de estar realmente forçando a fechadura, acompanhando os movimentos indicados até conseguir destravá-la. Além de esconder itens valiosos, essas portas muitas vezes levam a atalhos úteis para revisitar áreas já exploradas.

O combate é bastante simples e gira em torno de duas armas. Desde o início, temos acesso a um porrete, usado principalmente para nocautear inimigos. Quando um guarda é alertado, é preciso posicionar a arma corretamente para bloquear os golpes recebidos. Após algumas defesas bem-sucedidas, surge a abertura para acertar a cabeça do inimigo e fazê-lo desmaiar. Não é um sistema profundo, mas cumpre seu papel dentro da proposta furtiva.

Mais adiante, o jogo libera o arco e flecha, que amplia as possibilidades de abordagem. Além das flechas comuns, há munições especiais que impactam diretamente a exploração dos cenários. Flechas de corda permitem criar novos caminhos ao serem disparadas em pontos específicos, enquanto flechas de água servem para apagar fogueiras e lareiras, escurecendo o ambiente e dificultando a detecção pelos guardas.

Campanha curta? Depende

Durante a campanha, objetivos secundários surgem de forma pontual, geralmente ligados à coleta de itens bem escondidos. Ao final de cada missão, o desempenho do jogador é avaliado, rendendo pontos de habilidade que podem ser usados para melhorar atributos como vida ou redução de ruído ao se movimentar próximo dos inimigos.

Um dos recursos mais curiosos do jogo é o uso de uma espécie de joia, ativada ao pressionar o gatilho próximo ao headset. Ao utilizá-la, o jogador passa a enxergar pistas espalhadas pelo cenário, indicando passagens ocultas, locais para se rastejar ou até dicas sobre como abrir determinadas fechaduras. Esse guia constante vem de Garrett, o protagonista do primeiro Thief, lançado em 1998, que atua como uma presença quase permanente durante a jornada.

A duração da campanha pode parecer curta para alguns. Nas minhas jogadas, focando em não matar nenhum guarda, levei cerca de seis horas para concluir o jogo. Quem busca completar todos os objetivos ou explorar cada canto dos mapas pode facilmente estender esse tempo, já que algumas situações exigem bastante paciência e planejamento.

Vale a pena?

Thief VR: Legacy of Shadow se mostra uma experiência consistente dentro daquilo que se propõe. Ele cumpre bem seu papel como jogo de furtividade e consegue trazer de volta uma franquia que estava adormecida há quase doze anos. Para quem acompanhou os títulos anteriores, essa pode ser uma boa oportunidade de revisitar o universo da série, principalmente para aqueles que começaram lá atrás, em 1998, e agora reencontram o antigo protagonista ajudando de uma nova forma.

Agradecimento a PLAION por nos fornecer uma cópia para review.

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