Em Superman, o novo filme da DC Studios dirigido por James Gunn, há um diálogo curioso entre Lois Lane e Clark Kent. “Nós somos muito diferentes. Eu questiono tudo e todos. Você confia em todo mundo e acha que todos são como vocês… Admiráveis”, diz Lois. A resposta de Clark é ainda mais surpreendente: “Talvez essa seja uma atitude punk rock”.
A fala pode soar estranha à primeira vista – afinal, o que o Superman, ícone da ordem e da esperança, tem a ver com o punk, movimento cultural nascido da rebeldia e do caos? Mas a escolha da trilha sonora do filme dá a pista: “Punkrocker”, música dos Teddybears com participação do lendário Iggy Pop, escolhida para encerrar o longa, ecoa justamente essa ideia. Em um mundo dominado pelo individualismo, pensar no coletivo e se sacrificar pelos outros pode ser o gesto mais subversivo de todos.
O punk que não se reconhece no punk
Iggy Pop, que foi vocalista da lendária The Stooges e um dos nomes mais influentes do rock, sempre teve uma relação conturbada com o rótulo “punk”. Em uma entrevista ao jornalista Peter Gzowski, da CBC, em 1977, ele disparou: “Punk Rock é uma palavra usada por diletantes e manipuladores sem coração”. Para ele, o termo reduziam a música a uma caricatura – algo baseado em “moda, estilo, elitismo, satanismo e tudo que é estragado no Rock and Roll”.
Apesar disso, Iggy é inegavelmente uma lenda do gênero. Suas performances selvagens, sua entrega física e sua recusa em se conformar moldaram o punk antes mesmo de ele existir como movimento. Quando vomitou no palco, por exemplo, ele não estava apenas chocando – estava sendo visceralmente honesto. “Eu estava doente uma noite e, quando eu senti que ia vomitar de qualquer jeito, eu pensei que poderia pelo menos fazer isso com algum estilo”, explicou.
Superman, o punk inesperado
É aí que entra o Superman de James Gunn. Se o punk nasceu como uma rejeição ao status quo, o herói da DC parece seu oposto: um defensor da lei, da justiça e da ordem. Mas há uma leitura mais profunda.
Assim como Iggy Pop rejeitava os rótulos mas vivia o punk em sua essência – através da autenticidade radical –, Superman desafia as expectativas ao manter sua bondade em um mundo cínico. Enquanto Lois Lane questiona tudo, Clark Kent confia. Enquanto o mundo espera heróis sombrios e cheios de conflitos, ele escolhe a esperança. E, em 2025, isso soa quase como um ato de rebeldia.
A música Punkrocker, reforça essa ideia. Em determinado momento da letra há um dialogo interessante entre o Superman e o cantor: “Estou cansando de ser Deus, veja o meu sarcasmo no meu carro, estou dirigindo em direção à minha estrela” – parece ser uma resposta mas, no caso de Superman, isso não significa destruição, e sim construção. Ele não está nem aí para o cinismo, para o “todo mundo é corrupto”. Ele insiste em acreditar.
O punk como atitude, não como estética
Iggy Pop odiava a ideia de que punk era apenas um visual, uma pose. Para ele, era sobre intensidade, sobre colocar tudo na música. “Eu trabalhei muito duro por um tempo muito longo para tentar fazer algo que seja belo”, disse. Superman, da mesma forma, não é um herói por acidente – é uma escolha diária.
O punk sempre foi sobre resistência. E qual personagem resiste mais do que Superman? Um imigrante que poderia dominar o mundo, mas escolhe servi-lo. Um homem que poderia se perder no poder, mas prefere usá-lo para salvar até mesmo quem não merece. Se o punk é sobre desafiar expectativas, então Superman é mais punk do que qualquer anti-herói violento.
Rebeldia com causa
Tanto Iggy Pop quanto Superman desafiam definições fáceis. Um rejeitou o rótulo punk enquanto vivia sua essência; o outro é visto como símbolo do establishment enquanto pratica a maior rebeldia de todas: acreditar.
James Gunn, ao escolher Punkrocker para seu filme, parece dizer que punk não é apenas sobre rasgar camisas e cuspir no público. É sobre ser autêntico, mesmo quando o mundo espera o contrário. E se isso não for punk rock, então nada mais é.
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