Netflix propõe apenas 17 dias de cinema para filmes da Warner, revela site
Reuters

Netflix propõe apenas 17 dias de cinema para filmes da Warner, revela site

Janela reduzida de exibição acende alerta regulatório nos EUA

Janela reduzida de exibição acende alerta regulatório nos EUA

Netflix propôs uma janela de exibição de apenas 17 dias nos cinemas para os filmes da Warner Bros. após a conclusão da megacompra da Warner Bros. Discovery (WBD), de acordo com informações do Deadline. A proposta, radicalmente menor que o padrão do mercado, é um dos principais pontos de atrito que ameaçam o negócio de cerca de US$ 83 bilhões, que enfrenta escrutínio regulatório e revolta de concorrentes.

A notícia expõe a tensão entre o modelo tradicional da Netflix – focado em streaming – e a integração de um grande estúdio de Hollywood com histórico de longas janelas de cinema.

Mudança de modelo

A sugestão de 17 dias contrasta diretamente com a declaração pública do co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, em dezembro. À época, ele afirmou: “Nossa intenção ao comprar a Warner Bros. será continuar lançando filmes de estúdio da Warner Bros. nos cinemas, seguindo as janelas de exibição tradicionais”. A aquisição, que traria para a Netflix franquias de grande porte, a HBO e o catálogo do HBO Max, força a plataforma a criar um modelo híbrido, inédito para ela, entre streaming e exibições nos cinemas.

Reação dos concorrentes

A revelação alimentou a oposição de outras empresas. A Paramount Skydance, que disputava a compra da WBD, acusou a Warner de favorecer a Netflix e questionou a transparência do processo. A empresa pediu a formação de um comitê independente para avaliar todas as propostas. Em uma carta ao time legal da Warner, a Paramount teria alertado que a negociação com a Netflix tem altas chances de ser barrada pelos órgãos reguladores.

Pressão política

O negócio, que ainda precisa de aprovações governamentais, tornou-se alvo de forte pressão regulatória. Cineastas e produtores solicitaram ao Congresso dos EUA uma análise rigorosa, temendo uma concentração excessiva de mercado. No campo político, o republicano Darrell Issa enviou uma carta às autoridades antitruste, incluindo a chefe da FTC, Andrew Ferguson, e à Procuradora-Geral Adjunta da Divisão Antitruste, Gail Slater, pedindo atenção ao caso.

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