Crítica | Pânico 7: Repetição de truques e enredos deixa a franquia cada vez mais cansativa
Paramount Pictures/Divulgação

Crítica | Pânico 7: Repetição de truques e enredos deixa a franquia cada vez mais cansativa

Mais uma vez, o Ghostface retorna em Pânico 7 para aterrorizar ao máximo possível a vida de Sidney Prescott (Neve Campbell) – ou como prefere ser chamada, Sidney Evans. Após trinta anos do início de tudo, a final girl agora está casada e tentando ter uma vida normal, com um emprego comum em uma cidade pacata. No entanto, o passado volta para persegui-la, e ela ainda precisa se preocupar com a filha, Tatum (Isabel May), que está na mira do assassino.

No início do longa, nos deparamos com um casal que contrata a experiência de visitar a famosa Casa Macher em Woodsboro, lar de Stu Macher (Matthew Lillard) em “Pânico”, de 1996. Repleta de marcações, objetos e indicadores das mortes no local, a casa é um ambiente de referências aos filmes precedentes a cada passo. A partir disso e conforme o esperado, o casal é assassinado brutalmente, e logo descobrimos que o Ghostface está de volta – não só em Woodsboro, mas também em Pine Grove, onde Sidney agora vive com a família.

Mesmo após buscar a segurança de uma vida normal, Sidney se vê vítima de ataques novamente. Assim, ela terá que enfrentar o passado para tentar garantir o futuro da filha, e lidar com os problemas que sua superproteção traz para o relacionamento entre elas.

Após facadas, socos, chutes e cenas e mais cenas de tentativas de fuga, é fato uma percepção: a franquia se torna repetitiva ao utilizar truques antigos e enredos já vistos anteriormente. Como de costume, contra sua própria vontade Sidney já está envolvida, e não consegue escapar.

Parece que tudo se repete, mudando apenas a identidade do assassino de filme para filme. Presos em um ciclo de matança, Sidney, seu marido Mark (Joel McHale) e sua filha Tatum acabam sem nenhum lugar para ir e, pior, sem ninguém para confiar.

O retorno de Stu Macher: O uso de IA na caracterização do Ghostface

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Imagem: Paramount Pictures/Divulgação

A princípio, já havia sido revelado que Stu Macher, retornaria à franquia dentro de uma abordagem com Inteligência Artificial (IA). Um dos ghostfaces originais e mais marcantes, Stu, aparece em ligações de vídeo cheias de ameaças e joguinhos sádicos com Sidney.

O uso de IA pelo assassino é também um artifício de manipulação, já que a tecnologia utilizada é tão impecável que gera dúvidas quanto à sua morte. Logo, não dá para saber se o personagem voltou mesmo dos mortos ou não, e assim Sidney se junta a Gale (Courteney Cox)em uma investigação em busca da verdade.

Assim como Macher, outros ghostface antigos são mostrados através da nova tecnologia que o assassino utiliza pelo Face Time. Dentre eles, Laurie Metcalf (“Pânico 2”) e Roman Bridger (“Pânico 3”). Até mesmo uma simulação do rosto de Dewey Riley aparece.

Juntamente com esse artifício, bonecos com sensores de movimento e câmeras em tempo real se inserem em cena, trazendo para o filme uma forte presença do digital na composição de elementos narrativos.

Imagem: Paramount Pictures/Divulgação

A maioria da trama é ambientada em Pine Grove, com mudanças de cenários satisfatórias e amplas dentre cafeteria, estúdio de jornal, taverna, teatro da escola e vizinhança da família protagonista. Inclusive, a introdução de Tatum Evans, sem sombra de dúvidas, vem para marcar uma nova tentativa de reinício da franquia – como já havia acontecido em “Pânico 5”.

A personagem de início mostra-se muito timidamente, mas com uma presença carregada de emoção no seio familiar. Logo fica claro que a garota quer se provar merecedora e corajosa para a mãe, que opta por deixá-la de fora de todos os detalhes dessa parte traumatizante da sua vida.

Por fim, vai se construindo um clímax entre mãe e filha, e precisam criar uma conexão verdadeira para sobreviver, passando por momentos de vulnerabilidade e fragilidade juntas.

Saldo positivo, a sequência aborda temáticas importantes como relação familiar, uso de IA, autoconhecimento e conexões reais e verdadeiras. Personagens anteriores como Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad (Mason Gooding) trazem o alívio cômico de sempre e uma boa presença de espírito, assim como Gale, que continua versando entre o lado calculista e o lado sentimental.

Todavia, o longa se desenrola sem grande destaque narrativo, com repetições claras de acontecimentos padrão, motivações rasas e resoluções mirabolantes. Possivelmente com o próximo lançamento da trilogia seja possível conferir um pouco mais de construção nesses aspectos.

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