Review | Kena: Brigde of Spirits no Nintendo Switch 2 – Uma experiencia sólida e básica

Quando joguei Kena: Bridge of Spirits no lançamento, lá em 2021, lembro que o que mais me chamou atenção foi a direção de arte. O jogo remete bastante às animações da Pixar, principalmente pelo cuidado com os personagens e pela forma como o mundo é construído. Agora, no Nintendo Switch 2, tive a oportunidade de revisitar essa experiência já pensando na sequência, “Kena: Scars of Kosmora”.

Uma jornada que cresce com o tempo

A história acompanha Kena, uma guia espiritual que está em busca de um santuário sagrado na montanha. Durante o caminho, ela encontra uma vila abandonada, completamente tomada por uma corrupção que impede os espíritos de seguirem em frente.

É nesse ponto que a jornada realmente começa. Ao ajudar essas almas presas, Kena acaba se envolvendo diretamente com histórias marcadas por perda e arrependimento. Um dos arcos mais presentes envolve duas crianças que procuram pelo irmão mais velho, e conforme essa narrativa se desenvolve, o jogo ganha um peso emocional que não é tão óbvio no início.

Como que está o jogo?

O desempenho aqui é um ponto que pode dividir opiniões. As diferenças entre o modo dock e o modo portátil são bem visíveis quando colocamos lado a lado. No dock, os cenários apresentam mais detalhes, com maior densidade de elementos. como por exemplo o mato, aparece mais preenchido e dá mais vida ao ambiente. Já no portátil, essa redução é perceptível logo de cara, com menos elementos no cenário e um visual mais simplificado.

Em relação à performance, o jogo mira nos 30 quadros por segundo de forma consistente. Funciona bem na maior parte do tempo, mas em combates mais intensos isso pode incomodar, principalmente para quem já está acostumado com jogos rodando a 60 quadros. Nessas situações, a sensação de resposta nos comandos não é tão imediata, o que exige um tempo de adaptação.

Alguns problemas técnicos também aparecem. Em certos momentos, texturas ficam com qualidade bem abaixo do esperado, e isso chama atenção principalmente no cabelo da Kena, que parece estar em uma resolução inferior ao restante do jogo. Também encontrei casos pontuais de iluminação causando um efeito de “pipocar” na imagem dos cenários, embora isso não tenha sido constante ao longo da jogatina. No modo portátil, percebi ainda que algumas texturas demoram um pouco mais para carregar.

(Reprodução: Paulo Vitor

Outro ponto que acaba ficando de fora é o uso dos recursos do Nintendo Switch 2. Não há suporte para toque na tela, nem mesmo nos menus ou no mapa. O modo mouse também não aparece aqui. A proposta claramente foi manter uma experiência mais direta, sem adaptações específicas para os recursos do console.

Por outro lado, quem está chegando agora encontra a versão mais completa do jogo. Todas as atualizações lançadas ao longo dos anos estão presentes, o que melhora bastante a experiência geral. Um dos exemplos mais práticos é a adição de um mapa mais funcional, que ajuda na navegação e na busca por colecionáveis.

Outro ponto positivo, é que o jogo manteve as legendas em português das outras versões, assim fica extremamente fácil para acompanharmos a história.

Vale a pena?

Kena: Bridge of Spirits no Nintendo Switch 2 entrega uma experiência competente, mesmo com algumas limitações técnicas. É uma versão que lembra bastante o que foi visto no Kena: Bridge of Spirits, com a vantagem da portabilidade.

Para quem nunca jogou, ou já faz um bom tempo desde a primeira vez, essa versão funciona bem como porta de entrada ou até como uma revisita antes da sequência. Não é a forma mais refinada de jogar, mas cumpre o papel, principalmente se a ideia for ter essa aventura disponível em qualquer lugar.

Agradecimento a Ember Lab por nos fornecer uma cópia para review.

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