Lançado em 13 de março, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é mais um spin off da série de sucesso estrondoso da Capcom, Monster Hunter, mas diferente dos principais onde o fundamento principal é… caçar monstros, Stories trás uma proposta diferente, sendo ele muito parecido com Pokémon em sua essência, onde ao invés de caçar, nós viramos amigos dos nossos monstros, e ele adiciona uma gama de melhorias interessantes nessa fórmula.
Não sou muito adepto a série Stories de Monster Hunter, eu reconhecia a série de longe, mas não me envolvi muito com ela por pura besteira da minha parte, já que elogiam bastante como um spin-off um tanto despretensioso, então não conheço bem os jogos anteriores, sendo esse o primeiro que joguei, mas achei ele um tanto fácil de acompanhar e se adaptar, o jogo aparentemente não tem tanta conexão direta com jogos anteriores, então o enredo e todo o resto é bastante fácil de um iniciante acompanhar e começar por ele.
Uma história bem desenvolvida, com um pano de fundo simples e clichê

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection tem um enredo bastante padrão que esperamos de um JRPG, o pano de fundo dele é que no reino de Azuria, na infância do herdeiro do reino – que é o nosso personagem que tem sexo e aparência definidos pelo jogador, é presenciado o nascimento de dois Rathalos de um mesmo ovo, o que é um mal agouro terrível para Azuria e o mundo em si.
Anos depois, o herdeiro de Azuria cresce e se torna o líder dos Patrulheiros – responsáveis pela proteção e exploração do meio ambiente do reino, Azuria então entra em conflito com o reino vizinho de Vermeil, que está ameaçado pela crise ambiental causada pelo fenômeno conhecido como Crostalização – que está cristalizando o ecossistema dos reinos e ainda está causando efeito nos monstros ao redor, deixando-os encouraçados com esse cristal.
Somos então surpreendidos com uma reunião com os líderes do reino de Vermeil para discutir a situação, e a princesa de Vermeil – Eleanor, se entrega como refém a Azuria para aliviar a tensão, e ajudar o herdeiro a investigar os ocorridos a respeito da Crostalização.

Não há muitas surpresas aqui, como todo bom Monster Hunter, o maior problema no jogo é algo ambiental, seja um monstro perturbando o equilíbrio, ou seja, algum acontecimento curioso ameaçando isso, mas Stories 3 consegue ser bastante diferenciado em outras áreas, apesar do pano de fundo um tanto clichê da série.
Seu casting de personagens é muito bem elaborado, com os patrulheiros todos sendo personagens bastante carismáticos e cativantes, cada um tem um pano de fundo interessante que faz o jogador se intrigar e ficar genuinamente interessado em acompanha-los a ponto de querer fazer todas as suas quests opcionais, e isso é algo que me surpreendeu bastante, já que Stories é bem parecido com Pokémon, e geralmente eu não me interesso pelos personagens de apoio desses jogos, já que geralmente o foco fica nos monstros mesmo.

A tensão política no enredo do jogo também traz um diferencial grande nessa fórmula, controlamos o herdeiro de um reino inteiro, não só isso como Eleanor também é uma herdeira do reino rival, e é muito bom entender mais tanto sobre Azuria quanto Vermeil, que tem uma longa história de conflitos passados e rixas que são bem integradas no jogo em geral.
E já que eu estou falando dos personagens, é difícil não elogiar também o Character design de cada um deles, todos eles tem personalidades distintas, e pouco a pouco o jogador vai conhecendo mais e mais sobre o passado deles e quem eles são, e tudo isso reflete não só na aparência deles, como também no estilo de luta deles, que por sinal, é bastante integrado ao que conhecemos da série principal de Monster Hunter, mas ainda é utilizado de forma única e criativa por cada um deles, que acaba fazendo Stories ser visto como algo que merece mais reconhecimento além de apenas um spin off pequeno de Monster Hunter.
Um JRPG com uma ótima exploração de mapas, mas um combate decepcionante

Algo que me agradou bastante em Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection foi os seus mapas e biomas apresentados, todos eles têm uma diversidade grande no visual e tem bastante margem de exploração de cenário, mas sem ficar repetitivo ou tedioso demais. Os mapas possuem um tamanho consideravelmente grande, mas não grande o suficiente para considerar o jogo um “mundo aberto”, mas ainda assim, a margem de exploração deles é ótima e não fica tomando o seu tempo mais do que deveria, mas ainda recompensa os jogadores satisfatoriamente.
É importante também montar nos monstros para que possamos alcançar lugares inacessíveis no mapa com apenas nosso personagem. Podemos planar com monstros voadores, escalar com monstros mais rastejantes e até mesmo explorar águas com monstros marinhos. Tudo isso dá uma sensação incrível na exploração do mapa e deixa esse processo bastante agradável. As animações dos monstros também são lindas de se observar, o que é um ponto extra.
Os biomas têm um certo padrão de exploração também das formas que os objetivos se repetem, que pode tornar o processo um tanto formulaico demais, mas não atrapalha a diversão em momento algum.
Também temos um processo de ir em tocas de monstros, pegar os seus ovos para então chocá-los para nascer um monstro específico, é assim que conseguimos mais e mais monstros diversificados para a nossa party, além de misturar genéticas de outros monstros para criar outros monsties com atributos diferentes, dando assim uma liberdade criativa e bastante divertida para o jogador montar o seu estilo de jogo, mas que requer um tempo considerável para alocar da forma que você deseja.

No combate, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection tenta traduzir o gameplay de ação dinâmica da série principal em um sistema de turnos, onde o jogador e o inimigo possuem sua vez de agir, porém, o jogador apenas controla as ações do herdeiro de Azuria e do seu monstro da sua escolha, os NPCs não são comandados por nós, no melhor estilo de Persona 3 de PS2, mas não tão atrapalhado e frustrante como o mesmo. Aqui é importante observar os monstros para atacar de acordo com as suas fraquezas.
O jogo é muito escorado em um sistema de pedra papel e tesoura (Força > Técnica > Velocidade), onde o jogador precisa observar o comportamento do monstro inimigo para então atacar com o comando certo para não sofrer um dano absurdo do ataque. O que é ok, é um sistema justo com base na observação, mas que fica muito repetitivo e pode esfriar com o tempo, já que quando lutamos com monstros maiores no jogo, na maioria das vezes não podemos encerrar as lutas automaticamente, o que acaba deixando todo o processo muito tedioso.

Monster Hunter Stories 3 também tem uma gama de opções que ele dá para o jogador, já que aqui temos diferentes armas da franquia Monster Hunter divididas em 3 categorias como Cortantes – que são Greatsword e Longsword; armas de Contusão como a Hunting Horn e o Hammer; e Perfurantes sendo o Bow e a Gunlance, e cada uma delas tem diferentes habilidades para o jogador usar, mas todas elas estão atreladas ao sistema de pedra papel e tesoura do jogo, a diferença é que utilizando essas habilidades, o jogador consegue dar buffs, debuffs, entre outros diferentes efeitos nos monstros e na própria party, mas ainda se esconde dentro de um sistema padronizado.
Os personagens dentro do combate também podem montar os monstros e realizar ataques ainda mais poderosos, e com belíssimas animações especiais, e é um dos pontos chaves para as vitórias consecutivas das batalhas.

Existem nuances no combate que dão margem para o experimento e criatividade do jogador, mas a repetição de pegar o método dos inimigos, seus padrões e ir de acordo com isso, tira bastante essa liberdade criativa, e acaba tomando muito o tempo, tornando a luta maçante demais, e fazer isso várias e várias vezes acaba com o ritmo da coisa.
Vale citar também que atacar diferentes partes dos monstros também dá diferentes recompensas para o jogador, não só em batalha mas fora delas, como a série principal também dá. Com partes especificas dos monstros, você consegue criar armas e equipamentos novos, com diferentes sets e uma diferente gama de armas, então assim como no Monster Hunter principal, farmar em Stories também é parte essencial da coisa, mas que não é o foco principal como em Monster Hunter
Um grande avanço na utilização da RE Engine

Uma das coisas que mais me chamou atenção em Twisted Reflections é o uso que a Capcom faz da sua engine proprietária, a RE Engine, que, diferente do fotorrealismo proposto em diversos jogos que passaram pela engine, Monster Hunter Stories 3 nos traz um visual extremamente estilizado, utilizando bem a técnica cel-shade para trazer algo mais puxado para animes e animações coloridas.
Vale citar que Stories 1 e 2 se utilizavam da antiga engine da Capcom, a MT Framework, e apesar de já termos alguns exemplos de jogos mais diversos em estilos com a RE Engine, como Monster Hunter Rise e Ghost N Goblins Ressurection, é a primeira vez que vemos um jogo nessa escala ser tão estilizado na engine, e é algo que funciona muito bem e nos mostra mais da capacidade diversificada da mesma.
Apesar de ter alguns problemas como pop-ups em mapas mais abertos, ele é extremamente consistente tecnicamente, o jogo roda a 60 quadros por segundo e mantém bem o seu frame-rate durante o jogo, os cenários e a draw distance do jogo também são vislumbrantes de se observar, mantendo o jogador bastante engajado com os cenários e as diversas criaturas que vão aparecendo no decorrer do jogo.
Com Monster Hunter Stories 3 também podemos aguardar mais diversidade visual em outros jogos anunciados da própria Capcom, como Okami 2 e Mega Man: Dual Override, que têm um estilo artístico poderoso e bastante diferente do fotorrealismo que outros jogos proporcionam.
Trilha e efeitos sonoros que vão de marcas registradas a ótimas surpresas
Uma coisa que me cativou bastante em Stories 3 é o uso dos efeitos sonoros de Monster Hunter em um JRPG de turno. Podemos ouvir buffs icônicos da série durante a utilização deles, o som de confirmar coisas é padronizado da série, e até mesmo na hora de pegar itens ou ovos dos Monsties, é um prato cheio para os fãs da série.
Os monstros e os ataques também possuem os mesmos efeitos sonoros, mas com pequenas diferenças que dão um impacto diferente, e é muito divertido ver que armas como o próprio Hunting Horn também têm suas canções quando os personagens a utilizam.
Já a dublagem do jogo é muito boa, e nisso é bem difícil duvidar da Capcom, mas infelizmente não temos uma dublagem em PT-BR como tivemos em Wilds, mas o trabalho em inglês e japonês aqui é muito bom, apesar de cair em algumas graças de jogos de anime, com falas repetitivas e irritantes que soam bem apenas em japonês.
A trilha sonora é composta por Yuko Miyata, que, junto a outros colaboradores, traz bastante a essência de Monster Hunter à vida. Yuko já trabalhou na série antes e mostra um conhecimento vasto para casar bem com toda a atmosfera, não só de Twisted Reflections, como também de Monster Hunter em si, trazendo uma identidade única sem sair dos eixos da série.
Considerações finais

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflections é uma grande surpresa da Capcom, trazendo uma série Spin Off praticamente na sua linha de frente em diversos quesitos, e tratando-a como um grande lançamento no ano, não apenas como um preenchimento de lacuna até uma próxima atualização ou expansão de Monster Hunter Wilds. O jogo se segura extremamente bem sozinho, e a sua escala de produção é tão impressionante, que não me surpreenderia o jogo ser indicado a diversos prêmios no ano.
Contudo, com toda a sua excelência em diversos aspectos, Monster Hunter Stories 3 ainda tem um combate bem abaixo do nível que os outros aspectos demonstram. O combate tem o seu valor, possui lindas animações e até uma profundidade interessante, mas que perde a graça muito rápido quando você percebe que ele é formulaico até demais, e repetitivo e tedioso demais quando se faz a mesma coisa várias e várias vezes, e fica bem mais interessante explorar os biomas e progredir na história, que engajar com as lutas com as criaturas fantásticas desse mundo.
A Capcom traz então uma série de RPGs novamente para o seu currículo de diversos jogos que ela possui com Stories 3, tentando preencher essa lacuna dos fãs de JRPGs e mostrando que ela é, sem dúvidas, a melhor Publisher atual que temos em quesito de qualidade, números e diversidade, em uma gama de jogos bastante diferentes e únicos.
Porém, eu acho que ela deveria utilizar todo esse conhecimento e feedback com Stories, não só para melhorar futuros jogos dessa linha de spin offs de Monster Hunters, mas também produzir um novo jogo da franquia Breath of Fire, que é a verdadeira franquia de JRPGs dela, que inclusive teve relançamentos na GOG e na Steam, e o público com certeza abraçaria BoF, já que a Capcom além de estar em sua melhor fase, JRPGs também estão, com um grande fogo aceso por um jogo do gênero ter ganhado o jogo do ano em 2025.
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflections está disponível para PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series e PC via Steam.
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