Adaptar o universo brutal de Invincible para um jogo de luta parecia uma ideia quase óbvia. Combates violentos, personagens carismáticos e poderes exagerados são praticamente um convite para o gênero. Invincible VS entende isso, e, em vários momentos, acerta em cheio.
O problema é que, enquanto o combate funciona e diverte, o restante do pacote parece incompleto, como se ainda faltasse conteúdo para justificar todo o potencial da proposta.

Gameplay simples, mas com espaço para dominar
O coração de Invincible VS está no combate, e aqui o jogo faz um bom trabalho.
A base é simples e acessível, permitindo que qualquer jogador entenda rapidamente os comandos. Ao mesmo tempo, existe profundidade suficiente para quem quer se aprofundar em combos e estratégias. Além disso, o jogo possui um tutorial completo para mostrar todos os comandos e combos, já que no inicio o sistema pode ser meio confuso.

Os personagens são divididos em categorias que influenciam diretamente o estilo de jogo. Mark Grayson funciona como um lutador equilibrado, ideal para iniciantes, enquanto Atom Eve foca em ataques à distância. Já lutadores como Lucan são voltados para agarrões e combate mais direto.
Essa variedade ajuda a manter as lutas interessantes, principalmente quando o jogador começa a experimentar diferentes composições de equipe, já que todas as lutas são em trios. A dinâmica funciona de forma simples e intuitiva. O confronto começa em 1×1 com cada personagem tendo dois suportes que podem ser acionados para ajudar com L1 e L2 (Playstation), ou substituindo o lutador inicial caso segure os mesmos botões.
Essa mecânica é fundamental na luta, pois pode ser usada para aumentar muito os combos ou como uma forma de defesa, já que o suporte pode aparecer para quebrar o combo do adversário.
Outro acerto é o sistema de progressão. Cada personagem pode subir de nível, desbloqueando níveis de maestria que liberam recompensas cosméticas. Não é algo revolucionário, mas funciona como incentivo para continuar jogando.

Brutalidade e fidelidade ao universo
Se tem algo que Invincible VS acerta é na apresentação.
As animações são bem feitas e conseguem capturar a violência exagerada da obra original. Os cenários destrutíveis também ajudam a dar mais impacto às lutas, reforçando a sensação de poder dos personagens.

Um detalhe interessante são as interações únicas entre os lutadores. Dependendo de quem você escolhe enfrentar, diálogos exclusivos aparecem antes das batalhas e nos momentos de troca de personagens, adicionando personalidade ao confronto.
Os golpes especiais também trazem um toque de brutalidade, principalmente quando finalizam o oponente com desmembramentos que lembram fatalities. É um conceito que combina perfeitamente com o universo de Invincible, embora fique a sensação de que poderia ter sido mais explorado com mais opções de golpes e variedade nas animações de especiais e finalizações.

O game também possui um menu de extras bem interessante. Nele, podemos encontrar todas as cenas do modo história, músicas e diversos outros desbloqueáveis que vamos adquirindo à medida que avançamos de nível com os personagens, como artes conceituais e capas. Essa é uma adição muito bem vinda, ainda mais para os fãs dos quadrinhos e da animação.

História curta e pouco relevante
O modo história até começa com uma premissa interessante. Ele possui cenas bem feitas entre as lutas e uma ótima dublagem, já que a maioria dos personagens possui o mesmo dublador que na animação. Além disso, como se trata de Invincible, não poderia faltar o Mark apanhando bastante logo no inicio.

Porém, rapidamente esse modo mostra suas limitações. Na prática, ele funciona mais como uma desculpa para colocar personagens para lutar do que como uma narrativa realmente envolvente. A estrutura serve basicamente para apresentar diferentes combinações de equipes e permitir que o jogador experimente o elenco.
O maior problema é a duração. Em cerca de 1h30, tudo termina, rápido demais para causar qualquer impacto mais profundo. Existe potencial para expansão via DLCs, mas, no estado atual, o modo história é superficial.

Falta conteúdo para sustentar o jogo
Esse é, talvez, o maior problema de Invincible VS. O elenco de personagens é limitado, o que reduz a variedade de estratégias e pode cansar mais rápido do que deveria. Para um jogo de luta, isso pesa bastante.
O modo arcade também decepciona. Não há chefe final, apenas uma sequência de lutas comuns. Ao terminar, o jogador recebe apenas imagens estáticas com falas para contextualizar o desfecho de cada personagem, algo bem abaixo do esperado.
Os golpes especiais, apesar de visualmente interessantes, também deixam a desejar em termos de impacto e variedade.

Modo online
Se a ideia é investir no multiplayer, a situação complica ainda mais. Encontrar partidas online pode ser difícil, e quando elas acontecem, o desempenho nem sempre é ideal. No primeiro dia testando esse modo, não consegui achar nenhuma partida. No dia seguinte consegui em uns 8 minutos, mas estava toda travada.
Problemas de lag prejudicam a experiência e tornam algumas lutas frustrantes. Para um jogo que depende tanto da competitividade e da comunidade, isso é um ponto crítico.

Conclusão
Invincible VS acerta no mais importante para um jogo de luta: o combate é divertido, acessível e possui espaço para evolução. A fidelidade ao universo, as animações bem feitas e a brutalidade característica da franquia ajudam a criar uma experiência envolvente nos primeiros momentos.
No entanto, o jogo sofre com a falta de conteúdo. O elenco limitado, o modo história extremamente curto, o arcade simplificado e os problemas no online impedem que ele se sustente por muito tempo.
Existe uma base sólida aqui, especialmente no gameplay, mas ela ainda precisa de muito mais conteúdo e refinamento para atingir todo o potencial.
No estado atual, Invincible VS é divertido por algumas horas, principalmente para fãs da série. Mas fica a sensação clara de que este é apenas o começo de algo que ainda precisa evoluir bastante.




















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