A rede Cinemark programou centenas de sessões de Zuzubalândia – O Filme em horários matutinos para atender às exigências da Cota de Tela, mecanismo criado para garantir espaço ao cinema brasileiro nas salas do país. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, apenas na última quarta-feira (6), a animação teve 114 exibições na capital paulista, muitas delas sem público.
De acordo com o jornal, a estratégia aproveita uma brecha na regulamentação da Ancine. Apesar de ser considerado tecnicamente um média-metragem, o filme entra na contagem das sessões nacionais exigidas das exibidoras. Com cerca de uma hora de duração, a produção permite mais sessões por dia e reduz o impacto na programação de grandes lançamentos estrangeiros.
A maior parte das exibições ocorreu entre 11h e 14h45, período tradicionalmente menos movimentado nos cinemas. Em visitas feitas pela reportagem da Folha, salas exibiam o longa com projetores ligados, mas sem espectadores.
A escolha de Zuzubalândia também estaria ligada ao acordo firmado entre a diretora Mariana Caltabiano e a Cinemark. Pelo contrato, a rede fica com 70% da bilheteria líquida, enquanto 30% são destinados à cineasta.
Ainda segundo o levantamento publicado pela Folha, o longa já acumula mais de 17 mil sessões neste ano, com média de 0,1 espectador por exibição.
Questionada, a Cinemark afirmou que parte das sessões integra o Projeto Escola, modelo que permite a reserva de salas para grupos estudantis mediante pagamento. O jornal, porém, informou não ter encontrado sessões ocupadas por estudantes durante a apuração.
A Ancine acompanha o caso e avalia abrir diálogo com a exibidora, mas não vê, até o momento, infração à legislação. A regra atual determina que 16% das sessões sejam destinadas a produções nacionais, sem estabelecer limites para horários ou repetição de títulos.
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