Crítica | Toc Toc Toc: Ecos do Além é um Terror que não traz muita originalidade, mas consegue capturar o medo de seu personagem infantil

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Um dos recursos comuns em narrativas do gênero Terror é trabalhar com personagens infantis. Trazer os medos de uma criança, mostrar sua fragilidade perante o desconhecido, intensificar um constante sentimento de perigo que geralmente um adulto não consegue notar. Claro que isso pode ser delicado, muitas vezes o resultado traz algo notável, em outras ocasiões, a produção sequer surpreende.

Toc Toc Toc: Ecos do Além (Cobweb, 2023) é o novo filme de Samuel Bodin que nos coloca diante da visão de um personagem infantil para tecer sua narrativa. O diretor ficou bem conhecido pela série Marianne (2019) que fez sucesso na Netflix.

Pobre Peter

O garoto Peter (Woody Norman) vive uma vida solitária, tanto em casa como na escola. Tem uma convivência fria e amarga com seus pais severos e autoritários. Constantemente sofre bullying de colegas em sala de aula, aguentando tudo calado.

Numa noite, ouve vozes saindo da parede de seu quarto. Problema que Peter passa a vivenciar uma rotina mais assustadora, com pouca gente lhe apoiando, recebendo mais repreensão dos seus pais e com alguns fatos estranhos e até trágicos ocorrendo ao seu redor. Inclusive, a própria personalidade do garoto passa por transformações.

A vilania em muitos sentidos

O filme ganha méritos ao trazer um amplo panorama de vilania. Tudo foi construído para criar desconfiança no espectador e contribuir para a atmosfera de Terror que explode intensamente perto do final. As vozes que aumentam a cada noite, o estudante Brian (Luke Busey) que perturba a vida de Peter na escola, um relacionamento familiar apático, o próprio cenário desolador da casa que parece esconder algo maléfico. Além disso, ainda ocorre um boato que uma criança foi morta nos arredores durante uma festa de Halloween no passado.

Tipo de filme que nos faz questionar se o perigo é algo sobrenatural ou se virá por conta das consequências fatais que a maldade humana nos reserva. Porém as respostas não chegam logo e muitas ideias que pensamos ter no início podem mudar até o desfecho da película.

Preparando terreno

Podemos colocar o filme como se fosse dividido em dois momentos. O primeiro possui uma carga mais dramática e melancólica, mostrando o sofrimento de uma criança em não ser aceita pelos pais, carente de amizade, afeto e diálogo.

O segundo momento, por sua vez, mostra a verdadeira intenção da narrativa. É uma parte que chega tensa e pesada, com cenas que podem chocar o espectador que não é muito fã do Gore. Traz o Terror em sua forma brutal, com ritmo frenético e tenso. Surge após o diretor apresentar seus personagens e construir bastante a rotina opressiva que envolve Peter.

Elementos clichês do Terror tradicional

Bodin explora elementos do Terror, bem conhecidos de muitos fãs. Sombras que surgem inesperadamente, a rua pouco iluminada, portas que batem, ruídos estranhos, papel de parede que se solta revelando algo escondido, uma casa com porão que serve de castigo para o menino, o quintal desleixado, um suposto corpo enterrado.

São velhos clichês que comumente vemos em muitos filmes, mas que aqui funcionam ditando uma atmosfera sombria e deixando no espectador um sentimento de piedade por Peter e de acompanhar os eventos até o final, até mesmo da forma como tudo vai se encaixar na trama.

Um elenco convincente

Woody Norman é um ator mirim que vem se destacando nos últimos filmes que interpretou, caso de Drácula – Última Viagem do Deméter (2023) onde teve uma participação importante. Anthony Starr, no papel de Mark (pai de Peter), confere um semblante ideal de cinismo, descaso e autoridade. Parece que estamos vendo o ator vivendo seu personagem Capitão Pátria da série The Boys (aqui, sem o uniforme, claro).

Considerações finais

Mesmo fechando com algumas lacunas, Toc Toc Toc: Ecos do Além convence num filme que mistura Drama, Suspense e Terror conforme vai avançando. Poderia ter usado o recurso de flashbacks para criar uma identidade maior dos personagens e dos eventos. Falta aquele algo mais de explicação e de teorias para contribuir melhor com o desfecho contundente que está por chegar.

Passa longe de ser original, contudo transmite uma ideia de algo perturbador, sobretudo se nos colocarmos na mente do personagem infantil. Difícil não ser um cúmplice da rotina de Peter. Muitos dos temores e dos problemas que o garoto enfrenta talvez sejam os mesmos que muitos espectadores passaram quando crianças.  E isso por si só já assusta.  

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