Ilustração de vários super-heróis do UCM, dando destaque para o Capitão América, Sam Wilson à direita.

Já passou da hora de conversarmos sobre isto o Universo Cinematográfico Marvel está morrendo?

Antes de ao menos tentarmos responder essa pergunta, precisamos entender o por quê dela existir. Aconchegue-se, pois a história será longa.

A era de ouro da Marvel

O ano é 2018, final de abril. Você, seus amigos, colegas, conhecidos, família, enfim, todo mundo,acabaram de sair da sala de cinema de Vingadores: Guerra Infinita. Tudo que se ouve pelos próximos meses são sussurros empolgados, especulação desenfreada etc. Outro nome para esse fenômeno é: hype.

“Por que tanto alvoroço?”, questionavam as poucas pessoas que ficaram de fora das salas de cinema.

“Vingadores: Ultimato”, é a resposta que ecoava na cabeça dos outros.

Exatamente um ano depois de Guerra Infinita, Ultimato veio com a mesma força dos gritos vindos das salas de semana durante sua semana de estreia, com mais força do que a história do cinema internacional já viu e, talvez, jamais verá.

O título em inglês de Ultimato é “Endgame”, cuja definição é “última parte de uma ação ou processo”. Para quem acompanhou esse universo por 10 anos, o filme realmente pareceu um final. Era claro que, desde Homem de Ferro 1, a Marvel Studios conseguiu se consagrar como criadora da maior franquia da história do cinema.

Atualmente, fazem 5 anos desde que Ultimato foi lançado, mas o UCM não acabou, né?

No final da empolgação generalizada, os fãs mais ávidos começaram a se perguntar: “e agora? O que vem depois de um filme tão épico, com um escopo tão grande e tão conclusivo? É possível continuar depois daqui, considerando que alguns dos personagens mais queridos se foram e, com eles, levaram incríveis estrelas de Hollywood?”

O futuro estava incerto para o UCM. Mas Kevin Feige, o produtor e grande cérebro por trás de toda a linha Marvel, tinha um plano.

O início do fim

Pouco depois de Ultimato, Kevin anunciou a Fase 4 do UCM, com várias novidades – algumas mais esperadas que outras. Uma das maiores surpresas foi a adição de séries limitadas da Marvel (dentro do UCM) no aplicativo de streaming, Disney+. De acordo com o produtor, essas séries buscariam abordar os eventos de menor escala e com um tempo de desenvolvimento maior.

Se você era um fã e chegou a acompanhar esses anúncios, deve se lembrar do estrondo da época. Personagens totalmente novos para a maior parte das pessoas finalmente ganhariam o holofote live-action (como o Cavaleiro da Lua e a Ms. Marvel), coadjuvantes do próprio UCM seriam protagonistas (Feiticeira Escarlate e Falcão) e outros personagens cujas histórias não foram finalizadas teriam essa chance (Gavião Arqueiro e o Soldado Invernal).

Parecia que tudo ainda estava sob controle na Marvel Studios.

Mas parece que não foi tão fácil assim…

As séries da Marvel: um adeus aos filmes?

Os filmes e séries começaram a vir tão rápido que ninguém conseguiu respirar nesses últimos 3 anos. Desde a série WandaVision, em 2021, houve um intervalo de 2 meses até Falcão e o Soldado Invernal. Logo depois Loki foi lançado e, em dezembro, Gavião Arqueiro. No mesmo ano, Viúva Negra, Shang-Chi, Eternos, e Homem Aranha: Sem Volta para Casa.

Sim, 8 projetos diferentes: 4 filmes e 4 séries! Isso é um recorde e, provavelmente, o maior erro da Marvel.

A maioria desses projetos não entra na lista negra de ninguém, não são odiados pela crítica nem pelo público, outros renderam muita controvérsia (sim, eu estou falando de Eternos). 

Mas tinha algo faltando. 

A Marvel estava impaciente: não queria (re)construir lentamente seus heróis e mundos, mas fingir que todo novo projeto era do mesmo nível e escala deUltimato.

Um exemplo disso é Viúva Negra, uma das únicas humanas normais dos Vingadores. Embora chegando tarde demais, era de se esperar que o filme dela fosse um suspense emocionante sobre seu passado ou um filme de espionagem com os pés no chão, com menos ação e mais realista… 

O que ganhamos? Um ato final onde nossa protagonista cai de uma aeronave a dezenas de quilômetros do chão sem paraquedas e pousa pronta para brigar.

Além disso, outros problemas estavam cada vez mais aparentes: a dependência da computação gráfica, prazos de entrega absurdos para os artistas e o consequente declínio da qualidade dos efeitos especiais (sendo o melhor exemplo dessa impaciência, Thor: Amor e Trovão).

O senso de humor repetitivo, limpo e irreverente de sempre já estava cansando a audiência que, nesse ponto, já não era primariamente crianças e/ou adolescentes, mas jovens adultos.

Aparições especiais e outros fanservices, elementos usados com maestria em Ultimato, foram usados de modo desnecessário e exagerado, como em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, com as cenas dos Illuminati.

Assim, a cada novo projeto lançado, a chama da empolgação foi se reduzindo a cinzas.

Com isso, é possível ter uma boa noção da situação da Marvel Studios na última década, né?

Confusão nos bastidores: Marvel dá um passo para trás

Em maio de 2024, a Marvel confirmou que vai diminuir o número de projetos lançados anualmente e adiou a maioria dos filmes e séries em andamento. 

Isso depois de certa confusão nos bastidores, com roteiros sendo escritos e reescritos, diretores demitidos ou abandonando os projetos, anúncios de elencos controversos…

A promessa de 2024 da Marvel: de volta à era de ouro?

Em julho deste ano, teremos a primeira grande aparição dentro do UCM de algo relacionado aos queridos mutantes: Deadpool e Wolverine (alguém me segura!) e a pergunta que já vi dezenas de vezes nos comentários dos trailers é se esse filme vai conseguir salvar o UCM.

De cara, é uma pergunta hiperbólica, e acho que perde um pouco o sentido da coisa. O UCM não se tornou o que é (ou foi) por ter lançado um filme decente e divertido sobre alguns personagens queridos. A mágica, a fórmula do Feige e seus colegas, foi a paciência.

Vários projetos bons por si só, sem necessidade de estarem conectados a um universo maior; referências ocasionais, para se divertir e se lembrar do passado ou se empolgar para o futuro e só. Ou seja, uma rede de personagens únicos que crescem conosco e que impactam o universo deles de forma coerente.

Deadpool e Wolverine pode (e provavelmente vai) ser incrível, um dos filmes mais engraçados do UCM, divertido do início ao fim, repleto de momentos memoráveis e até emocionante pros fãs do Wolverine. 

Essa é a minha humilde previsão, confiando na sensibilidade do Ryan Reynolds, Hugh Jackman e o resto da equipe criativa. Mas isso não vai ser suficiente.

Mais lançamentos à vista

Pôster estilizado de Quarteto Fantástico (2025) em celebração do Dia dos Namorados e como anúncio dos membros principais do elenco.

Já no ano que vem, temos algumas outras coisas interessantes: Quarteto Fantástico e Capitão América: Admirável Mundo Novo (ainda dá tempo de mudar o título!).

O Quarteto Fantástico não teve muita sorte no cinema  – quase nenhuma, para ser sincero. Tivemos três tentativas diferentes; uma nos anos 90 que nunca chegou a ser lançada; a divertida e cafona em 2005 e 2007 e o desastre irrecuperável de 2015.

Para quem não sabe, o Quarteto Fantástico foi a criação do Jack Kirby e Stan Lee que mais pode ganhar o crédito por ter salvo a Marvel nos anos 60. Foi uma das apostas do Stan que compensaram de uma forma inimaginável.

A primeira família da Marvel, seus coadjuvantes, inimigos (como o favorito Doutor Destino) e aventuras tem potencial enorme. Um filme bem feito, que adapta bem esses personagens, pode ser um passo fundamental para, mais uma vez e de forma bem poética, salvar a Marvel.

Capitão América, diferentemente destes últimos dois filmes, têm outro tipo de potencial. Em vez de se dar ao trabalho de introdução, Sam Wilson, como novo Capitão, pode retomar algo importante.

Devemos voltar a nos importar com esses personagens enquanto indivíduos. Sam teve um ótimo desenvolvimento com a série, mas ele começou agora a ser o Capitão, não dá pra desviar desse foco. A aposta mais segura para o retorno e futuro dos Vingadores é o Capitão América (embora os vazamentos e rumores não me deixem muito otimista).

Enfim, o UCM está morrendo?

Depois disso tudo, podemos retomar nossa pergunta inicial: o UCM está morrendo? Se continuar do jeito que está, vai ser só questão de tempo. 

Mas vamos aos fatos: os produtores estão percebendo seus erros e, além disso, não é provável que o Feige possa dar uma bola fora tão grande…

Temos ainda muitos outros projetos em frente, então a chance de se reerguer é grande. Só podemos torcer para que a Marvel consiga e, como consumidores, continuar dando nosso feedback, ou seja, reclamando muito das más escolhas e aplaudindo muito as boas.

Se não conseguir… ainda teremos a DC do James Gunn! Se também não der certo… a Amazon tem Invencível, The Boys e Gen V, né?

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