Review | Alan Wake Remastered (PS4)

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Em 2010, os donos do console Xbox 360 receberam uma grata surpresa: Alan Wake, da produtora Remedy (que já possuía em seu currículo o aclamado Max Payne). Apesar de que o jogo não tenha recebido tanta divulgação na época, agradou boa parte dos jogadores e críticos ao trazer uma narrativa envolta em mistérios, inspirada em romances de H.P. Lovecraft ou mesmo de Stephen King.

O jogo tenta imitar bastante uma série. Dividido em capítulos, vamos acompanha Alan, um escritor que agora precisa encontrar sua esposa desaparecida, isso após resolver passar férias na bucólica cidade de Bright Falls.

A jogabilidade envolve elementos de Ação e de Survival Horror. Típico dos jogos do gênero, recursos como armas, curativos e outros itens de sobrevivência estão espalhados nos cenários e exigem uma estratégia do jogador, sobretudo nas dificuldades mais altas.

Entretanto, o elemento que chega como um excelente diferencial é o uso da iluminação. Lanternas, sinalizadores e refletores podem nos salvar de momentos onde hordas de inimigos nos atacam. Enfraquecê-los com luz antes de abatê-los torna-se uma estratégia importante para sobreviver.

Versão remasterizada em boa hora

A versão remasterizada chega num momento importante. Pode servir como um tempero e tanto para a sequência que chega no dia 27 de outubro de 2023, além de ser uma ótima oportunidade para que muitos jogadores conheçam o jogo, pois essa versão saiu para PS5, Nintendo Switch, Xbox One, Xbox Series X e Series S, Microsoft Windows. Sem guerras de consoles, pensando desde o jogador que tem consoles antigos ou mesmo no jogador que já entrou na nova geração.

O jogo também chega com as duas interessantes DLC’s que recebeu na versão antiga: The Signal e The Writer. E elas são gratuitas. Mesmo no dia que foi lançado, o jogo saiu num preço acessível, 99 reais (tendo como base a versão de PS4). Algo justo e não exorbitante se pensarmos no preço que alguns remasterizados chegam para nós.

Então, o bolo é realmente recheado e renderá muita jogatina para quem deseja desfrutá-lo ao máximo. Em julho desse ano, o jogo acabou ficando gratuito para os assinantes da PSN Plus Essencial.

Alguns pontos negativos

Em se tratando da questão de remasterizar um jogo mais de uma década depois, aqui algumas falhas existem. Exemplo foram algumas quedas de frame rate em certas ocasiões, geralmente com muitos inimigos na tela, a exemplo de uma parte do capítulo 6 quando Alan é cercado. Por sorte, isso não é uma constante em todo o jogo. Essa versão, na verdade, foi gerada a partir de uma versão que já tinha chegado para os PC’s com algumas pequenas melhorias apenas, então, nota-se que a empresa poderia ter sido mais caprichosa pensando na modernidade dos consoles.

Outro aspecto que pode pesar é a movimentação do personagem. Na atualidade, talvez o sistema de esquiva ou mesmo os pulos do personagem não agradem, sobretudo para jogadores mais novos acostumados com a velocidade dos jogos do mesmo gênero (como foi com Resident Evil 4 Remake) ou até mesmo com outros jogos da empresa que apresentam combates mais dinâmicos (Control, 2019).

Fique tranquilo, a experiência de jogar ainda compensa

Acontece que Alan Wake é tão ligado à Literatura que o mais certo seria dizer que o jogador não precisa ter pressa. Também é muito precioso encontrar os 106 manuscritos perdidos pelo jogo, entender a história e participar não só de um jogo como estar próximo de um livro de Horror. Além disso, voltar a passar por cenários imponentes como a Cauldron Lake Lodge nunca desanima e revela novos detalhes.

Doze anos depois, Alan Wake ainda é um jogo atemporal. Uma narrativa envolvente, jogo que agrada tanto na questão de explorar cada canto do cenário como na questão de liquidar inimigos em combates frenéticos. É preciso ressaltar que o jogo continua assustador e realmente a mecânica que envolve o antagonismo luz/escuridão é algo que traz frescor ao gênero, que precisa ser aproveitada sempre em outros jogos semelhantes.

Já te falei sobre a trilha sonora espetacular de Alan Wake?

Alan Wake apresenta uma trilha sonora espetacular e bem variada. Não é todo dia que contemplamos os créditos finais de um jogo tendo como pano de fundo a linda canção ‘Space Oddity’ do camaleão David Bowie. Para completar, também estão presentes grandes nomes da música mundial como Nick Cave And The Bad Seeds (canção ‘Up Jumped The Devil’) e Depeche Mode (canção ‘The Darkest Star’). Faixas musicais que acrescentam mais impacto a muitas cenas cruciais do jogo (e que não perderam o brilho).

Muito por fazer, coletar e fator replay convincente

Tipo de jogo com muito por fazer, loucos por troféus e conquistas não se sentirão desamparados. Encontrar garrafas de café, completar a história em diversas dificuldades, coletar os manuscritos. Os desafios maiores ficam por conta de completar alguns objetivos durante partes do jogo como não morrer em determinado capítulo ou de terminar em certo tempo um trajeto específico do cenário (o tradicional e famigerado speedrun).

Um jogo que, embora precisasse mais de polidez, convence tanto o jogador que o conheceu em 2010 como o jogador de primeira viagem. Perturbador, contagiante e imersivo. Isso já é muito útil para o universo de Survival Horror que temos pela frente. Mas não se esqueça, fique sempre perto da luz.

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