A primeira vez que tive contato com Apopia: Um Conto Disfarçado, o que mais me chamou atenção foram seus visuais. O jogo parecia ter saído diretamente de uma animação da Disney/Pixar, com tamanha riqueza de detalhes e traços naturais.
Outro ponto que, logo de cara, já havia me chamado atenção era como os diálogos dos personagens e o mundo apresentavam o que parecia ser uma narrativa “fofa” e bem infantil. Porém, à medida que eram apresentados vilões, motivações e temas abordados, o “Disfarçado” de seu título fez todo o sentido.

Era uma vez…
Apopia segue a história de Mai, uma jovem garotinha que acaba caindo em uma caverna e assim atravessando para uma espécie de mundo encantado, o reino de Yogurt. Apesar de um lugar lindo e fofinho, a princesa de Yogurt, Moly, teve o trono tomado por Chefe (Boss), um vilão impiedoso que persegue quem se opõe contra ele.
Além de Moly, Mai conhece em sua jornada Nico, um gato falante e os Três Mosqueteiros, três crianças leais a rainha Moly e seus ideais. Juntos eles formam o grupo Abridores de Portão, com o objetivo de abrir o portão daquele mundo para que Mai retorne a sua vida normal.
Mai, no entanto, conta com uma super habilidade, sendo capaz de entrar na mente de quem ela toca e acessar suas memórias e sentimentos. A habilidade no entanto é utilizada em momentos específicos da história, para progressão em fases ou puzzles.
Apesar de tudo inicialmente parecer clichê e simples, Mai desde o início se encontra em uma batalha interna. A protagonista sofre pressão de duas mães: a azul representando a Mãe boa, enquanto a vermelha é a Mãe má. Ambas se comunicam com Mai, entretanto a primeira alega ser sua verdadeira mãe, a segunda sempre tenta machucar a personagem.
Apopia nesses momentos explora uma temática mais madura, refletindo possíveis abusos sofridos por Mai em sua família. E particularmente esse é um dos momentos que a narrativa se torna emocionante pela sua mescla entre acontecimentos “fofos” e sombrios.

Gráficos deslumbrantes, mas jogabilidade cansativa
Graficamente, como citei logo no começo do texto, Apopia tem visuais maravilhosos. O jogo é bem colorido e os personagens tem designers dignos de animações. Porém, o título ainda sofre com alguns bugs deixando partes do cenário branco, como se faltassem colorir.
Apesar disso, o jogo tem um desempenho leve e é fácil de rodar em computadores com configurações mais simples. Não exigindo muito de hardware e software mais recentes.
Apopia, além disso, mescla momentos com visual mais retrô, quando acessamos a mente de outros personagens. Nesse momento o jogo assume um estilo inspirado em jogos dos anos 80, com fundo preto e objetos coloridos apenas com contorno.
O jogo não tem dublagem, sendo apenas textos em tela, mas todos estão em português do Brasil. Já a trilha sonora é boa, mas nenhuma faixa marcante ou que não soe repetitivo após algum tempo jogando.
Na jogabilidade é onde Apopia comete o maior erro. O jogo possui um sistema de “leva e traz” ao estilo Resident Evil clássico, para resolução de puzzles, porém se torna extremamente cansativo da metade para o fim.
Os puzzles são em sua maioria com zero dificuldade, apenas focando ir do ponto A ao ponto B carregando algum item ou conversando com algum NPC. Vale destacar que a jogabilidade não é point’n click, mas sim uma aventura com liberdade para movimentação.

Apopia vale a pena?
Apopia: Um Conto Disfarçado leva ao pé da letra seu nome título. O jogo traz uma abordagem que inicialmente parece fofa e simples, mas se aprofunda em temas mais pesados como possível abuso sofrido pela protagonista. Entretanto, infelizmente sua fórmula de gameplay se torna bastante cansativa, com o jogo se alongando mais do que seria necessário, o que pode fazer com que jogadores não cheguem ao final.
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