Esta análise foi realizada com código fornecido pela Ubisoft. Agradeço a confiança no trabalho.

Uma das clássicas sagas da atualidade, sempre com uma temática que de encher os olhos, principalmente para os fãs de história, é com certeza Assassin’s Creed. A franquia, que em seus tempos áureos, era lançado anualmente um novo título, buscou se reinventar com Origins, para atrair novos fãs e satisfazer aqueles que já se sentiam saturados dos jogos anteriores. Mas, com apenas três novos jogos nesse arco com cara nova, parece ter novamente caído na velha saturação para os jogadores.

Após Assassin’s Creed Odyssey, o inacreditável aconteceu, dois anos depois apenas, viria o último dos Assassin’s até então, Valhalla. E desde então, após longos três anos de espera, dois se considerarmos a DLC Wrath of the Druids de Valhalla, chega a nós Assassin’s Creed Mirage. Inicialmente projetado para ser também uma DLC do seu antecessor, ganhou corpo suficiente para se virar sozinho e assim, foi confirmado a ser um novo jogo da franquia.

Início de um grande mestre

Tudo começa em 861 d.C, em um belo dia, um jovem rapaz, ladrão de mãos ligeiras, chamado Basim, sim aquele mesmo Basim tão experiente e traiçoeiro de Valhalla. O jovem ladrão, morando na pequena cidade de Anbar, que um dia já foi capital do Iraque, realiza alguns trabalhos para seu grande amigo e mentor nos roubos, Dervis. Mas, no fundo aquela obsessão de conquistar golpes maiores e sair dali. Basim então, em meio aos seus trabalhos para Dervis, começa ouvir falar dos Ocultos, um grupo tão desconhecido, mas que luta contra um sistema corrupto, onde ricos são mais ricos e pobres mais pobres.

A introdução da nossa jornada – Foto por Genner Douglas

O grande alvo dos Ocultos? A Ordem, uma espécie de grupo Iluminati, com membros secretos, sem rostos a mostra, apenas máscaras, com nomes fictícios, mas que controlam o sistema do califado, ditando as regras conforme interesse próprio. O líder, Cálifa, acaba sendo nada mais que um fantoche da Ordem, sendo ameaçado para que sigam suas ordens. Basim então, na esperança de impressionar a membro dos Ocultos que conheceu, Roshan, parte com sua melhor amiga Nehal, para o palácio do Califa, onde fica sabendo de um báu, que contém um item muito importante para a própria Roshan.

Um grande incidente acontece, em meio a tentativa de roubar o báu, fazendo com que Basim e Nehal sejam obrigados a fugir de vários soldados, a partir daí o jogo realmente começa. Nos introduzindo a conquista e o treinamento para transformação de nosso protagonista em um membro dos Ocultos, e no temido Basim que encontramos em Valhalla, posteriormente. Ao lado de Roshan, nossa tutora e outros membros, o principal objetivo se transforma em finalmente, derrubar a Ordem.

Apesar do sonho do nosso protagonista em ser membro do tão conhecido grupo, ele luta contra os próprios pesadelos, tentando se livrar de um Djin que o atormenta sua mente. A medida que avançamos na história, mais detalhes vão sendo revelados, do porque Basim é sempre perseguido pela criatura, além de como começou ter os pesadelos.

Salto da Fé não poderia ficar de fora – Foto por Genner Douglas

Uma bela Bagdá de encher os olhos

Quando o jogo realmente se inicia, após um longo “tutorial”, somos apresentados, finalmente, a belíssima Bagdá. Assim como outros tantos jogos da franquia, podemos contemplar a riqueza de detalhes de vários locais, além de lugares históricos. Diversos prédios, casas, até mesmo deserto, com riqueza nos detalhes, que conseguem transmitir a sensação de estar realmente em Badgá. Mas claro, em uma proporção bem menor que outros jogos.

O tamanho do mapa entrega que o jogo tem um escopo muito menor que seu antecessor, já que inicialmente seria uma DLC, como citado. Mesmo assim, Assassin’s Creed Mirage consegue te proporcionar diversas atividades, além das missões principais, que vão desde coletáveis a favores para pessoas que encontramos, chamados de Contos de Badgá. Baús com melhorias de equipamento também podem ser encontrados pelo mapa, além de determinadas atividades de coleta ou furto de itens, para personagens secundários.

Bagdá linda e rica em detalhes – Foto por Genner Douglas

Os clássicos pontos de sincronia, onde podemos realizar o icônico Salto da Fé, estão presentes, também servem para viagem rápida. Quando sincronizamos é relevado parte do mapa, facilitando assim a visualização das atividades e progresso das mesmas. Essas que não se tornam enjoativas de se completar, devido a quantidade bem menos expressiva, comparado aos jogos anteriores.

Capacidade técnica limitada diante a nova geração

Ao partirmos para o lado técnico de Assassin’s Creed Mirage, acaba sendo um pouco decepcionante em como o jogo poderia entregar mais. Durante a gameplay, presenciei diversos bugs, que vão de NPCs flutuando ao Basim entrando na parede. Em determinados momentos, quando estava fugindo de inimigos, simplesmente travava em alguma parede ou mureta, causando até morte algumas vezes, por não conseguir atacar ou defender.

Optei por jogar maior parte do tempo com áudio em inglês, por me sentir incomodado com algumas vozes em português. Diversos personagens no decorrer da história simplesmente não combinam as vozes, o que é triste, porque a Ubisoft já entregou ótimas localizações para nosso idioma anteriormente. Outro detalhe que não passa despercebido é a sincronização dos lábios (Lip Sync), que deixa muito a desejar, principalmente se jogado em PT-BR.

Pessoas ou animais flutuando é bem comum em Bagdá – Foto por Genner Douglas

Quando partimos para o combate, Mirage, diferente do que tanto foi citado anteriormente, bebe muita água da fonte de Origins. Com um sistema de pary e elementos RPG, com nível de equipamentos, trajes, dos quais vamos realizando upgrade no ferreiro a medida que encontramos recursos necessários. O jogo ainda oferece uma variação bem baixa nas finalizações de combate, algo que senti falta, pois em determinado momento, se você enfrenta vários inimigos, o que é bem complicado, a repetição de animações é muito grande.

A inteligência artificial dos inimigos em alguns momentos parece que está desligada, porque facilmente podemos evitar combate e avançar apenas em stealth usando o assovio para atrair inimigos. É possível até mesmo empilhar corpos, já que sempre que outro inimigo encontra algum parceiro morto, não faz muita questão, facilitando assim atrair vários para o mesmo lugar.

Outro recurso já conhecido anteriormente é a nossa águia, aqui chamada de Enkidu, com ela podemos marcar inimigos, objetivos e pontos de interesse. Além dela, temos nossa visão de assassino, que marca pontos de interesse e soldados inimigos quando está ativado, sendo de grande ajuda em vários momentos.

Mapa de progressão da história – Foto por Genner Douglas

Desempenho satisfatório

Assassin’s Creed Mirage, assim como o padrão em títulos da atual geração, oferece dois modos gráficos, sendo Desempenho e Qualidade. Claro, optei pelo modo Desempenho a maior parte da gameplay e não sofri em nenhum momento por quedas de FPS ou qualquer outro bug gráfico. Rodando surpreendentemente muito bem em ambos os modos, mesmo em momento com vários inimigos em tela.

No que diz respeito a gráficos, é perceptível que o jogo não foi desenvolvido pensado na nova geração, apesar de visuais bonitos, podemos ver que são da geração passada, até mesmo a modelagem dos personagens do jogo. Devemos perceber salto gráfico realmente, apenas no próximo jogo da franquia.

Gráficos bonitos, mas ainda tem potencial para mais – Fotor por Genner Douglas

Mais uma aquisição válida para os fãs

A franquia até tentar retornar as suas origens, mas elas já foram esquecidas faz muito tempo. Assassin’s Creed Mirage entrega uma ótima campanha, mesmo com seus defeitos, o jogo possui uma lore digna da Ordem de Assassinos. Com um protagonista carismático e um passado triste, Basim se resume a um cara correndo atrás dos seus maiores sonhos e tentando provar seu valor para aqueles que duvidam da sua capacidade. Infelizmente os demais personagens que nos acompanham, são pouco explorados, deixando assim todo o protagonismo ao nosso.

Considerando o conjunto da obra, se você é fã de Assassin’s Creed, será mais um título que vai satisfazer e entregar aquilo que espera da franquia. Com uma campanha bem mais curta que os antecessores, o jogo vai te render cerca de 15 horas para finalizar a campanha principal, explorando bastante. Já se você é um aficionado por platinas e quer correr atrás de mais uma, o tempo deve elevar para cerca de 20 horas, para concluir todos os distritos.

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