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Arte de capa: Conecta Geek

Review | Inazuma Eleven: Victory Road é o ‘jogo definitivo’ de Super Onze

Quando cada adiamento vale a pena

Quando cada adiamento vale a pena

Após um desenvolvimento aparentemente conturbado, onde inicialmente se trataria de um novo jogo para acompanhar a saga Ares no Tenbin no anime e no fim tornou-se algo totalmente distinto, Inazuma Eleven: Victory Road enfim chegou no fim do último ano coberto de expectativa da fiel comunidade e também de um pouco de desconfiança do que de fato seria o resultado final.

Ainda assim, porém, o novo título da Level 5 não só agradou os antigos fãs como também apresentou uma jogabilidade atrativa para novos públicos – mesmo com uma curva de aprendizado ligeiramente complexa -, homenageando de certa forma todo o universo de Inazuma Eleven (ou Super Onze, aqui no Brasil), além de iniciar com maestria uma nova fase que me deixou com um gosto amargo de quero mais.

Jogabilidade exótica e divertida

Desde as primeiras demonstrações do que viria ser a jogabilidade, antes mesmo do projeto se tornar Victory Road, a jogabilidade foi uma questão que dividiu a comunidade. Enquanto remetia aos jogos clássicos de alguma forma, também apresentava uma variedade de elementos de gameplay e símbolos na tela que mais confundia do que atraia alguns jogadores. Tudo isso, porém, foi sendo refinado até o resultado final em 2025.

Não se engane: Victory Road é intuitivo o suficiente para que qualquer jogador possa aprender suas mecânicas de gameplay com o tempo, mas ainda assim possui uma curva de aprendizado levemente complexa. Para não me alongar muito, vale o resumo: menos futebol e mais RPG. Assim como grande parte dos títulos da franquia, controlamos nosso time por uma câmera vertical e vamos ganhando campo por meio de duelos de técnicas e habilidades até o gol – o que traz um ar de “futebol americano” à gameplay.

Algo que inicialmente me incomodou, mas logo se justificou como forma de balanceamento, é o sistema de TENSÃO e BARRA HIPER. Tratam-se de barras que vão aumentando conforme vencemos duelos e passamos a bola, sendo necessárias para realizar técnicas em qualquer parte do campo.

Cada jogador e técnica tem um poder de efetividade distinto de acordo com seu nível e o momento da partida, com “barras de poder” individuais que vão se enfraquecendo ou fortalecendo no decorrer do jogo. Isso faz com que os goleiros sejam um “show a parte” – nos sentidos positivos e negativos. Isso porque, visando o balanceamento em confrontos equilibrados, o arqueiro pode defender técnicas incrivelmente poderosas sem nem mesmo utilizar de uma técnica especial, sendo necessário diminuir essa barra de força com alguns chutes. Pode não parecer fazer sentido no início, mas não é difícil de se acostumar.

Além disso, vale destacar que definitivamente todos os conceitos apresentados no decorrer dos jogos e sagas do anime são muito bem incrementados à gameplay (incorporações, armaduras, mixmax, etc) de forma equilibrada, servindo como “boosts” limitados durante o jogo.

Assim como as técnicas, essas habilidades especiais também são personalizáveis por meio de uma árvore de habilidade que, particularmente, mais me confundiu do que ajudou, sendo ela um dos poucos pontos irritantes do jogo em minha opinião, principalmente pelo fato que se torna difícil conseguir as técnicas específicas que queremos.

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Variedades de modos pra agradar gregos e troianos

Aqui temos o ponto chave de Victory Road – tanto que será necessário disseca-lo em três tópicos: os modos de jogo. Apesar de ter dois modos principais que se conectam naturalmente com o online, é possível se divertir de diferente formas, incluindo partidas entre times de diversas partes da franquia até torneios especiais e desafios.

Eu não sou muito fã de jogar online e tive um problema de conexão que prejudicou minha experiência, mas ainda consigo constatar algo formidável que Victory Road enfim conseguiu trazer para a franquia: um competitivo sólido e divertido. Enfim os jogadores podem montar seus times ideais e batalhar de forma equilibrada com fãs de todo o mundo – não me surpreenderá se, muito em breve, tenhamos um cenário competitivo bem estruturado para o jogo.

No fim, desde os amantes de RPG, que podem se debruçar no Modo História, aos players competitivo, que irá se divertir no online, todos podem ser agradados pelo novo jogo da Level 5, em diferentes escalas.

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Modo Crônica: a nostalgia impera, mesmo em meio à dificuldade de montar o time dos sonhos

Bem, a partir de agora falo como alguém que conheceu e se apaixonou por Super Onze pelos animes. Possivelmente em algum momento pensei em jogar todos os jogos para então reviver de alguma forma diferente todas as sagas da história de Endo, Tenma e agora Asuto (disponível em Victory Road com a chegada da saga Orion por meio de atualizações mais recentes). No entanto, além do trabalho de correr atrás de todos os jogos, enfrentaria outros pormenores como a falta da localização em PT-BR – algo que, apesar de simples, foi um verdadeiro presente da Level 5 à comunidade brasileira no novo jogo.

Victory Road definitivamente facilitou esse desejo sem eu nem mesmo saber que o tinha: e se eu pudesse reviver todas as sagas em um único jogo? Esta é a ideia principal do nostálgico Modo Crônica, que apresenta uma história bem fraca e descartável para nos convencer sua existência no universo da franquia, mas entrega o principal: o poder de revisitar literalmente TODAS as partidas presentes em animes, filmes e jogos.

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Por isso classifico este como o “jogo definitivo”, pois o mais antigo fã poderá reviver toda a história da franquia e o mais novo desbravador de Super Onze poderá conhecer tudo do zero. Além de poder reviver os jogos na íntegra, também temos a oportunidade de montar nosso time – o que se torna mais interessante com a integração com o Modo História e o online – e enfrentar os mesmos desafios com ele.

A única questão negativa do modo é a necessidade de enfrentar os mesmos times, sejam eles interessantes ou não, fracos ou fortes, por muitas vezes para seguir pelos mapas e desbloquear jogadores e itens interessantes. Aqui, inclusive, é onde conseguimos com maior facilidade e quantidade os itens e jogadores por meio de um sistema de desbloqueio por sorte chamado “Animus” – o que, para mim, deu um ar de “FIFA Ultimate Team” desagradável a Victory Road, mas te fazendo gastar apenas a maior quantidade possível de tempo jogando conseguir montar o melhor time possível, ao invés de sugar seu dinheiro e sanidade mental como a franquia da EA.

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Modo História: é aqui que Victory Road brilha mais forte – mas é preciso ter paciência

E se já não fosse o suficiente poder revisitar todas as sagas que conhecemos até então, Akihiro Hino nos entrega a cereja do bolo: a história de Sasanami Unmei e Haru Endo. Não satisfeito em entregar uma nova história, Victory Road apresenta o que, pra mim, é a narrativa mais profunda e madura em todas as mídias de Inazuma Eleven. Ao mesmo tempo em que vemos novos personagens se desenvolverem na forma mais “Super Onze” possível, com a experiência inédita de jogar com outra escola se não a Raimon, também recebemos o presente de ver versões adultas de personagens que marcaram nossa infância.

Não precisa se preocupar: Todos os clichês que fizeram Super Onze se tornar um “sucesso conforto” estão presentes aqui – seguimos virando partidas de formas épicas, mas cômodas para o roteiro; porém, até isso é implementado de forma diferente. Desde as cenas extremamente bem animadas a momentos no mundo semiaberto do game, somos colocados literalmente dentro de um novo anime de Super Onze onde montamos parte do time do zero e damos nossa cara e personalidade a ele, tudo isso enquanto os personagens principais amadurecem de forma satisfatória.

Não significa que Victory Road entrega uma história extremamente profunda e dramática. Porém, em comparação do que vimos até aqui, essa é sem dúvidas a melhor trama criada por Akihiro Hino e já está praticamente pronta para ser adaptada em anime – espero ansiosamente por isso.

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O único alerta aqui fica para o tempo que levamos até enfim começarmos a jogar partidas de verdade. Gosto de explorar ambientes e da dinâmica de montar meu próprio time e, sem exageros, cheguei a quase a casa de 10 horas de gameplay sem jogar uma partida tradicional de futebol com a Nagumohara – escola do protagonista. Porém, a partir do primeiro jogo, é possível ser mais direto e avançar na história focando mais nas partidas principais e secundárias para evoluir. Eu mesmo mais joguei do que fiz qualquer outra coisa após isso, visto que sou muito mais do futebol que do RPG, e não tive grandes problemas para encerrar o jogo e me divertir em todo o processo.

Inazuma Eleven: Victory Road fez valer a pena cada adiamento

Para quem, assim como eu, acompanhou o projeto desde seu anúncio há quase uma década, é extremamente satisfatório poder passar horas a fio em Inazuma Eleven: Victory Road. Por algum tempo parecia que a franquia havia chegado ao fim e que o jogo nunca sequer veria a luz do dia, mas ele não só foi lançado, como entregou mais até do que prometeu.

Para os fãs de Inazuma Eleven, Victory Road é um verdadeiro presente da Level 5 e de Akihiro Hino. Acredito que veremos mais da história de Sasanami Unmei e Haru Endo, mas se me dissessem que este foi o último jogo, ainda estarei feliz com o resultado. Além disso, é um título extremamente convidativo para quem quer embarcar agora na franquia sem precisar revisitar todo o anime e os diversos jogos, trazendo para uma nova geração a magia do futebol mágico. Como diria Endo, Katte Nakou ze!

Um agradecimento especial à Level 5, que disponibilizou uma cópia do game para análise ao Conecta Geek.

Inazuma Eleven: Victory Road foi lançado em 13 de novembro de 2025 para Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S e PC (via Steam) e vem recebendo atualizações constantes.

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Colaborador do Conecta Geek desde 2024, nasci no estado do Rio de Janeiro e alinho minhas maiores paixões à minha vocação através da produção de conteúdo. Entre as minhas áreas de maior domínio e experiência profissional estão o o universo geek, o automobilismo e os esportes em geral, principalmente o futebol. Certificado como Jornalista Digital e Social Media pela Academia do Jornalista, contribui no passado como Editor-chefe nos portais R7 Lorena e iG In Magazine e fui Colaborador do portal esportivo Torcedores.